Socialização da corrupção

E quando se imagina ter chegado ao fundo do poço, ou quando se pensa ter virado a esquina dos desvarios, dos desmandos, e do lixo jogado debaixo do tapete, eis que a nação é  surpreendida pela banalização da corrupção, antes, desenfreada e enraizada nos mais diversos níveis de poder, e, pelo que se viu, ontem, agora está ainda mais presente, com a roupagem da socialização, não distinguindo ou poupando mais ninguém. A fala de Aécio pedindo dinheiro para pagar o seu advogado, uma conta de R$ 2 milhões, é a mostra da banalização da propina, disseminada de uma forma tal que o político pede cinicamente dinheiro ao empresário, ainda que valores vultosos, sem se preocupar com limite ético ou freio qualquer. O presidente Temer não fica atrás quando avaliza o silêncio de um companheiro de partido, pagando ao mesmo valores que superam o limite da exorbitância que seriam pagos a Cunha para calar o que sabe. Este é o caso clássico da obstrução de justiça com consequências terríveis para o país, no aspecto econômico e moral, com repercussão e prejuízos que fizeram ruir a bolsa de valores em quase 20 pontos; o dólar valorizou quase dez por cento, gerando, inclusive, a paralisação da comercialização das ações, um fato inédito neste século. Entretanto, apesar da certeza de que os culpados estão em lugares onde menos se espera, existe uma grande inquietação de que os proprietários da empresa JBS possam ter sido beneficiados pela manipulação do mercado, com ganhos com a desvalorização do real e queda das ações, efeito cascata que a delação dos irmãos Batista produziu. Na mesma linha, a teoria conspiratória de que fala Michel Temer pode ser o prenúncio do caos, porque o pior ainda está por vir.

Dilma Rousseff prenunciando o caos: “Quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder”
Dilma Rousseff prenunciando o caos: “Quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder”

Alô, Brasil!
Estratégia bem maquiavélica: prendem Aécio primeiro para os petistas não alegarem perseguição quando Moro colocar Lula no camburão.

Apocalipse now
E não é que Dilma estava certa quando pronunciou esse discurso no ano passado:
“Quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder”.
Vai, todo mundo.

Os grampos
O Brasil lembra aqueles filmes em preto e branco, de antigamente, das areias movediças, dos terrenos minados. Hoje, em Brasília, os agentes políticos já não sabem com quem conviver, se relacionar, falar, com medo de um gravador escondido.
Onde já se viu tanta ousadia de um delator grampear o próprio procurador da República?

Assim não, Michel!
Michel Temer só pode ser um sujeito que confia na boa fé de todo mundo ou é um grande ingênuo, porque já caiu em duas enrascadas ligadas a grampo: primeiro foi gravado pelo antigo assessor e, agora, pelo delator da JBS.
Pior ainda é o sistema de vigilância do Palácio do Planalto que não detecta gravadores nos bolsos dos visitantes.

Camisas
E agora o que as celebridades, como Ronaldo Fenômeno, vão fazer com aquelas camisetas que usaram no movimento Vem para a Rua, com a frase " A culpa não é minha, votei no Aécio".

Vez perdida
Depois de ser hostilizado no aeroporto de Teresina, com a repercussão e dimensão do episódio, Marcelo Castro viu sepultados dois sonhos acalentamos há tempos, de uma só vez. Se já era difícil derrubar Themístocles Filho da vaga de vice-governador, agora ficou impossível uma vaga no Senado, na chapa de Wellington Dias.

Busca do culpado
Marcelo culpou sindicalistas, mas, na verdade, o culpado é ele mesmo, com a proposta estapafúrdia que reacendeu o receio de todos de inaceitável  prorrogação de mandatos que vencerão no próximo ano.

Profeta de araque
Numa conversa na noite do dia 26 de abril, Joesley Batista, um dos donos da JBF afirmou, a interlocutores que “todo mundo acabaria preso” a partir da delação que firmara com o Ministério Público Federal.
Esse sujeito não tem nada de profeta, apenas sabia que esse escândalo viria a tona como ele mesmo planejou.
Tanto que na véspera comprou muitos dólares, antes da subida da moeda americana.

Mochila
Antigamente, mochila era usada pelos andarilhos.
Hoje, é comum ver políticos – inclusive de paletós – com mochilas nas costas.
E, certamente, cheias.  De dinheiro, of course.

Gif
O que roda nas redes sociais: ‘precisou aparecer um fabricante de mortadela para derrubar o governo coxinha.
Dá para ver, só agora, que Aécio e Firmino têm algo em comum: gostam de meter seus primos nas enrascadas.

Imagens fortes
A Polícia Federal tem imagens (e áudio) do encontro do delator da Odebrecht com Arthur, em Pernambuco.

Lama
E assim caminha a humanidade: enquanto todos os políticos citados vinham dizendo que o que receberam das construtoras não era propina, mas dinheiro lícito e contabilizado na justiça eleitoral, começa, agora, a aparecer áudios e imagens mostrando a lama, a promiscuidade nas conversas deles com os corruptores.
Aecinho, quem diria!

Taxis x Uber
Está intolerável essa relação entre taxistas e motoristas do Uber em Teresina.
Os primeiros se fazem passar por passageiros e terminam denunciando e fazendo a Strans autuar e rebocar os carros do Uber.
Também pudera, a própria prefeitura atua contra a livre concorrência.

Ping Pong

Ajuda de campanha

Anos 90. Véi Bila, de Piripiri, foi à casa do médico e deputado Dr. Pinto para verificar uma ferida que lhe magoava a perna. Concluído o diagnóstico, Véi Bila, que também sofre de problemas visuais, foi surpreendido pelo parlamentar que, apesar de muito seguro, lhe colocou um envelope no bolso dizendo ser uma ajuda para o tratamento. Na rua Vei Bila, pede ajuda ao inseparável amigo Irismar.
Véi Bila: “Veja com quanto o deputado me calçou!”.
Irismar: “Meu amigo, ele colocou só dois Band–Aid neste envelope”

Publicado originalmente em 18 de Maio de 2014.

Expressas

Coleta de sangue movimenta Núcleo Central da DPE. A ação fez parte das atividades da Semana Nacional da Defensoria Pública.

A Secretaria de Transportes do Estado do Piauí autorizou ontem os estudos para a realização de obras na região Sul do Estado.

O Departamento de Transito do Piauí vai realizar 3.400 provas práticas em 10 cidades do interior do estado. Ação faz parte do calendário de mutirão de testes para os próximos três meses.