Somos todos golpistas ou de como caluniar uma pessoa bacana que nada tem de golpista

Em 2014, quando disputava o Governo do Estado contra o então governador Zé Filho (PMDB), teria o senador Wellington Dias (PT) usado seu prestígio junto aos companheiros e companheiras em Brasília para barrar uma operação de crédito que poderia dar ao adversário as condições para operar a máquina pública e suas consequências para o processo eleitoral. Essa foi, pelo menos, uma versão que aqueceu o debate político. O travamento do dinheiro representou um duro golpe em Zé Filho e, por tabela, no Piauí – que teve uma série de obras paralisadas – várias delas até agora.

Dependendo da circunstância, qualquer um pode ser chamado de golpista
Dependendo da circunstância, qualquer um pode ser chamado de golpista

O título ainda não existia naquele momento, mas, hoje, pode caber a revisão histórica: Wellington Dias foi golpista contra o Piauí se usou do mesmo recurso de que se queixa agora. E como um golpe não se dá sozinho, também são golpistas todos aqueles que contribuíram para essa ação. Ou até mesmo a defenderam. Ou seja, os mesmos que agora chamam todos os outros de golpistas.

Quatro anos depois, com o golpista Michel Temer sentado na cadeira do Planalto, o Piauí sofre novo golpe: tem outra operação de crédito engavetada, novamente, por artimanha política. E como atrás de um estado pobre corre um cão golpista, param-se obras que poderiam melhorar a vida das pessoas, gerar empregos e movimentar a roda da economia – ou seja – que todos ganhariam.

Felizmente, um ministro do golpista STF deu uma liminar mandando a golpista Caixa programar a liberação do empréstimo, conforme noticiou a mídia golpista. E como o Brasil se tornou o único lugar onde quase todo mundo é golpista – caso raro de golpe da maioria, uma das poucas figuras públicas do Piauí que ainda não havia adquirido tão relevante papel histórico acaba de ser alçada a essa condição: a vice-governadora Margarete Coelho. E como golpista não se reverencia, mas se ataca, é dessa forma que ela aparece em vídeo dos antigos golpistas.

Logo ela que tem sido uma aliada leal do governador Wellington Dias e digna do cargo que ocupa. Não cria problemas – ou seja, não dá golpe - e representa bem o estado sempre que o índio mais esperto do Brasil se ausenta, seja institucionalmente e como executiva, como recentemente, quando Wellington foi prestar solidariedade a Lula e coube a ela assumir a ação de emergência diante da ameaça de rompimento da barragem do Bezerro, mobilizando todas as áreas do governo para uma bem sucedida resposta de engenharia e de assistência aos atingidos por aquela situação de calamidade que – por muito pouco – não repetiu a tragédia de Algodões.

Margarete é gentil e educada, preparada, sensível e tem dado uma contribuição importante ao Estado, entre outras, coordenando estudos e programas de combate à violência contra a mulher, legando ao Piauí uma política de Governo nessa área que é referência no Brasil. Ou seja, agora, estamos sem saber quais são mesmos os critérios para ser golpista. Talvez tenhamos de recorrer ao Supremo para decidir. É bom saber, porque pode ser uma honra. Depende do momento, conta a história.