CNBB - rumo aos 65 anos

Séries especiais retomam fatos importantes da CNBB

No dia 14 de outubro de 2017, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) completou 65 anos. A organização foi fundada em 14 de outubro de 1952, no Rio de Janeiro, e transferida para Brasília (DF), em 1977. Para levantar aspectos desta memória, o portal da CNBB está produzindo uma série especial de reportagens sobre os presidentes e secretários que conduziram a entidade, sobre seus 18 regionais e suas Comissões Episcopais Pastorais e Comissões Especiais.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é um organismo permanente que reúne os Bispos católicos do Brasil que, conforme o Código de Direito Canônico, “exercem conjuntamente certas funções pastorais em favor dos fiéis do seu território, a fim de promover o maior bem que a Igreja proporciona aos homens, principalmente em formas e modalidades de apostolado devidamente adaptadas às circunstâncias de tempo e lugar, de acordo com o direito” (Cân. 447).

Pertencem à CNBB, pelo próprio direito, todos os Bispos diocesanos do Brasil e os que são a eles equiparados pelo direito, os bispos coadjutores, os bispos auxiliares e os outros bispos titulares que exercem no mesmo território algum encargo especial, confiado pela Sé Apostólica ou pela Conferência dos Bispos. (cf. Cân. 450).

Acompanhe aqui um pouco desta história!

Atuação num contexto de construção de uma nova ordem política e social no Brasil

De abril de 1979 a abril de 1983, foi presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dom José Ivo Lorscheider, tendo já sido secretário-geral da entidade com seu primo na presidência dom Aloísio Lorscheider por dois mandatos. Ele também foi reeleito, como presidente, para o mandato seguinte que durou de 12 de abril de 1983 a abril de 1987. O secretariado geral, nos dois mandatos de dom Ivo, foi exercido por dom Luciano Pedro Mendes de Almeida.

Os prelados assumiram a condução da CNBB num período em que no Brasil já emergiam sinais de esgotamento do regime militar e abertura do processo democrático do país. Quase coincide com este período os dois mandatos do último presidente militar João Batista Oliveira Figueiredo, que ficou no poder de março de 1979 a 15 de março de 1985. Foi neste período também que houve a anistia “ampla, geral e irrestrita” aos políticos cassados com base em atos institucionais. Em 1980, extinguiu-se o bipartidarismo instaurado.

Foi neste contexto, por exemplo, que a Igreja no Brasil, em sua 24ª Assembleia Geral, em 1986, buscou aprofundar o tema “Exigências Cristãs de uma nova Ordem Constitucional” tendo em vista já a participação no processo constituinte em 1988.

Em texto publicado por ocasião dos 50 anos da entidade, dom Ivo Lorscheider, disse que a CNBB conseguiu, desde o começo, agir na solução de problemas sociais do povo brasileiro, incluindo diálogos, sempre francos e corajosos, com os governos do país. “A CNBB, por especial graça de Deus, conseguiu ter uma forte imagem no cenário nacional e internacional, eclesial e social. Mesmo em tempos difíceis, era dito que a CNBB era das vozes mais eloquentes na opinião pública”, disse.

Os mandatos dos prelados também foram marcados pelos compromissos assumidos na Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano realizada em Puebla, no México, em 1979. Convocada pelo Paulo VI, a conferência teve o tema “Evangelização no presente e no futuro da América Latina”. A conferência teve como preocupação básica o que é evangelizar, hoje e amanhã, na América Latina.

 

Documento final da Conferência

 

O documento conclusivo da Conferência de Puebla reafirmou a opção preferencial pelos pobres, na trilha apontada pela conferência anterior de Medellín, clamando par uma “necessária mudança das estruturas sociais, políticas e econômicas injustas”. Foi nesta conferência também que os bispos fizeram a opção preferencial pelos jovens.

Em 1980, durante o mandato dos bispos, foi aprovado um novo Regimento Interno, aprovado pela Santa Sé e pela 18º Assembleia Geral, cujo tema central foi a Comissão Pastoral Terra, realizada em Indaiatuba (SP). O regimento de então reforçou a preocupação pastoral e uma consciência lúcida da colegialidade, sob a forma de comunhão e corresponsabilidade.

Durante os dois mandatos, as assembleias da CNBB trataram de temas como “Conclusões de Puebla”, “Pastoral da Terra”, “Vocações, Vida e Ministério do Presbítero”, “Solo Urbano e Ação Pastoral”, Teologia e prática da dimensão comunitária da Igreja particular”, “Diretrizes Pastorais da Igreja no Brasil”, “Exigências cristãs de uma ordem política e regiões missionárias no Brasil” e “Evangelização no presente e no futuro da América Latina”, entre outros.

Dom José Ivo Lorscheiter

Natural de São Sebastião do Caí (RS), nasceu em 7 de dezembro de 1927. Primo de dom Aloísio, estudou no Seminário Menor São José de Gravataí, no Central de São Leopoldo e ainda na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Sua ordenação presbiteral foi em dezembro de 1952, na capital italiana. Dez anos mais tarde, recebeu o título de monsenhor pela Santa Sé. Participou do encerramento do Concílio Vaticano II, em 1965. Naquele ano, foi nomeado bispo auxiliar de Porto Alegre e titular de Tamada. Nos primeiros anos de episcopado, coordenou o regional Sul 3 da CNBB.

Em 1974, dom Ivo foi nomeado pelo papa Paulo VI bispo de Santa Maria. Dom Ivo destacou-se por suas críticas ao regime militar no Brasil e pela sua defesa dos direitos humanos. Em 1979, foi eleito presidente da CNBB.

Dom Ivo faleceu em Santa Maria, no dia 5 de março de 2007.

Dom Luciano Mendes de Almeida

Natural do Rio de Janeiro (RJ), nasceu em 05 de outubro de 1930, de origem maranhense e filho do Conde Cândido Mendes de Almeida Júnior e Emília de Melo Vieira Mendes de Almeida (segundos Condes Mendes de Almeida). Fez seus primeiros estudos no Colégio Santo Inácio, no Rio de Janeiro (1941-1945) e no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo (1946-1950). Ingressou na Companhia de Jesus no dia 2 de março de 1947. Realizou estudos na Casa de Formação dos Jesuítas em Nova Friburgo (1951-1953) e na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma (1955-1959). Fez seu doutorado em Filosofia na Universidade Gregoriana (1960-1965). Sua ordenação presbiteral deu-se a 5 de julho de 1958, em Roma. Emitiu seus votos definitivos na Companhia de Jesus no dia 15 de agosto de 1964.

Foi nomeado pelo Papa Paulo VI, no dia 25 de fevereiro de 1976, bispo auxiliar de São Paulo e titular de Turris in Proconsulari. Sua ordenação episcopal deu-se a 2 de maio do mesmo ano, pelas mãos do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, OFM, Dom Clemente José Carlos de Gouvea Isnard OSB e Dom Benedito de Ulhôa Vieira.

Exerceu a função de bispo auxiliar na Arquidiocese de São Paulo e responsável pela Pastoral do Menor no período de 1976 a 1988. O Papa João Paulo II o nomeou arcebispo de Mariana no dia 6 de abril de 1988.

Figura de destaque do episcopado brasileiro, atuou na defesa dos direitos humanos e no serviço aos pobres. A 50ª edição dos Prêmios da CNBB batizou o prêmio concedido para a categoria comunicação na internet com o nome do prelado.

Sônia Cavalhedo, uma das colaboradoras da CNBB, que foi selecionada para trabalhar na entidade por dom Luciano tem boas memórias do prelado. “Em que posso ajudar?”, segundo ela, era uma pergunta com a qual dom Luciano sempre se apresentava às pessoas, sobretudo aos mais pobres. “Dom Luciano foi um homem de Deus, servidor da Igreja, profeta da esperança, amigo dos pobres e defensor da vida”, disse. Conteúdo: CNBB