Prefeito vence "de lavada" grupo que mandou 20 anos em Paulistana

O personagem dessa história real é um homem franzino, de pouca escolaridade, mas que aprendeu dos pais o orgulho de ser honesto

Ele saiu da roça, passou a vender produtos importados (uma espécie de R$ 1,99), aos 18 anos já era patrão no negócio. 40 anos depois ele leva a experiência da iniciativa privada para a gestão pública municipal. Na pior crise dos últimos 50 anos, conseguiu pagar salários antecipados e reduziu os efeitos da seca em seu município, construindo e reformando mais de 60 barragens e fazendo 74 poços tubulares, levando água encanada para pessoas que a vida inteira sonhavam com o líquido precioso no sertão do Piauí.

O personagem dessa história real é um homem franzino, de pouca escolaridade, mas que aprendeu dos pais o orgulho de ser honesto. Gilberto José de Melo, o conhecido “Didiu”, é o protagonista dessa história de alegria para 21 mil habitantes do município de Paulistana, município cravado a 452 quilômetros de Teresina, em pleno sertão do Estado, onde a falta de água é um problema crônico.

Filho de lavradores da região, “Didiu” sempre sonhou em transformar para melhor a vida de seus conterrâneos. Desde criança foi o que na roça chamam de “um menino danado”. Ajudou os pais nas plantações, mas tinha “tino” para os negócios. E foi o caminho que ele trilhou. Fez sucesso. Tanto que rompeu fronteiras do Estado e montou lojas no Pará.

Mas “Didiu” nunca esqueceu as origens, nem o sofrimento de seu povo. No ano de 1991 voltou para sua Paulistana com o sonho de ser prefeito. Acabou compondo como vice. Foi eleito e entre o ano de 1992 a 1996, assumiu duas vezes como prefeito. Mas só foram três meses ele com a “caneta” não mão.

No ano de 1998, ele se lançou candidato a prefeito. Perdeu por 305 para o médico Luís Coelho. Teimoso, “Didiu” não desistiu. No ano de 2012, se lançou novamente; foi eleito com 613 votos na frente do candidato do então prefeito Luís Coelho.

Pronto. Como popularmente se diz na região, “Didiu ganhou asas”. Enfrentou a maior crise dos últimos 50 anos do país, mas não se rendeu: fez ajustes na máquina pública e, ao invés de reclamar, conseguiu realizar obras históricas do município.

Contabilizando a construção e reformas de barragens foram 60; abriu 74 poços tubulares; levou água encanada para muitas comunidades que ao longo da história padeciam na seca. Asfaltou 62 quilômetros de estradas vicinais; pavimentou 106 mil metros quadrados de calçamento na zona urbana; construiu escola modelo no povoado Serra Vermelha; atualmente constrói um sistema de abastecimento de água de cinco quilômetros; reformou o estádio que por lá é chamado de “maracanã de paulistana”; reformou o prédio da Secretaria Municipal de Educação, que “Didiu” diz que mais parecia um chiqueiro. “São muitas obras. Não dá para falar tudo aqui”, diz, com seu jeito caboclo.

Prefeito o senhor não teme a crise?

- “Que crise? Em 40 anos de iniciativa privada eu aprendi que na crise é que se pode crescer. Enxuguei a máquina, fui criticado, mas sempre pagamos salários dentro do mês. Não me escondo por trás da crise para não trabalhar”.

E agora?

Agora, “Didiu” virou “uma máquina” de votos. Foi reeleito contra um palanque que tinha duas décadas de mandatos. Do lado de lá estavam os ex-prefeitos Luís Coelho, Dr. Crisostomo e professora Helena. Todos no mesmo palanque levaram uma “lavada” de 7.416 votos de maioria.

“Didiu” vai continuar sentado na cadeira de prefeito. “Vou continuar o meu trabalho, combatendo, principalmente a seca e aplicando os recursos para o crescimento de Paulistana”, finaliza.