Psicologia, Criminologia, Vida Real e o “mundo cão da inveja e do ódio”

Em Revisitando a Psicologia e a Vida Real, Adriana Tanese Nogueira, Terapeuta Transpessoal e Psicanalista, brinda-nos com a "Fenomenologia da Inveja", segundo a qual "a inveja é a cobiça do ser assim como a ganância é a cobiça do ter. Pessoas gananciosas agarram tudo o que encontram. A cotoveladas buscam arrancar a fatia maior do bolo. São movidas por uma força cega e pouco se importam em quem pisam para conseguir o que querem. Seu desejo é obeso. A angústia que precisam aplacar internamente é muito grande, e neste vazio existencial jogam tudo quanto é possível para acalmar seu deus voraz. Agora a inveja é menos escandalosa, porém mais perigosa. Seu alvo não é o que os outros têm, mas o que os outros são. O invejoso, que não tem personalidade própria mas vive de luz refletida, está encantado pelo outro. A pessoa que suscita sua inveja possui qualidades que o atraem, que literalmente o fascinam. Isso poderia gerar uma relação positiva, de complementaridade, troca e amizade. Ou melhor: de mestre-discípulo, dependendo da situação. Mas o invejoso, em lugar disso, nega o fascínio que sente e busca sujar a imagem do outro".

O invejoso, segundo ainda a renomada estudiosa, não vai declarar o que sente. "Inveja é um sentimento do qual se tem vergonha. E também ele não pode reconhecer os valores que vê no outro, a não ser de forma superficial e fingida, como alguém que constata que o céu é azul e que há uma árvore no parque. Ele reconhece, mas sem verdadeiramente valorizar, e só quando for necessário devido a situações sociais onde negar seria admitir que se tivesse um problema. "O invejoso é, portanto, um fingido. Ele sufocou a tal ponto seu real sentir que está “convencido” do que fala. (...) A inveja maléfica é o sinal de um coração obscurecido pela vontade de poder. Por isso ela está entre os sete pecados capitais".

Tanto a Psicanálise como a Psicologia e a Psiquiatria concluem que uma pessoa invejosa tende a reprimir sua raiva e expressá-la de diferentes maneiras. Normalmente essa pessoa tem um péssimo ânimo e tenta destruir o que inveja.

Vamos ver seis características de pessoas invejosas.

1. O sádico-sarcástico

É aquela pessoa que, com humor e sorrisos sarcásticos, lança uma bomba para você. Por exemplo: “Você poderia ter perguntado qual minha flor favorita antes de me trazer uma.”

2. A bala direta

É a pessoa que mira, atira e acerta a bala bem em cheio. Diz coisas como: “Amiga (o), como você está gorda (o)! Está parecendo um elefante.” Nesse caso, a pessoa não consegue apreciar seu próprio corpo, por isso fixa a atenção em você e faz isso porque quer que você se sinta mal ou culpado para que, pelo menos, você não consiga apreciar seu corpo também.

3. A broca

É a pessoa que sempre fornece uma perspectiva negativa. Se você diz que encontrou um trabalho, ela responde que você vai perdê-lo por causa da crise global. Se contar que está namorando, ela diz que certamente será traído. Ou se casou, poderá descasar-se.

4. O intrometido

Vive xeretando e se metendo na vida de todos. Precisamos tomar cuidado com pessoas que sempre estão dispostas a ajudar. Quanto mais uma pessoa fala de outras pessoas, mais ela quer esconder sobre si mesma. O intrometido oculta coisas e não quer falar de si, por isso está sempre se metendo na vida dos outros, quanto mais souber dos outros, mais informação terá para ajudar a se esconder.

5. O “ioiô”

Para uma pessoa invejosa, tudo tem que girar em torno dela. Algumas não aceitam que os seus amigos tenham um trabalho melhor, uma família melhor ou um estilo de vida melhor do que elas.

6. O silenciador

Este tipo de pessoa não está a seu favor e nem contra você. Quando você está bem, ela não fala nada, apenas te observa e espera você passar por uma situação ruim para que possa te dizer coisas como: “Viu, eu não te avisei?”.

Existem pessoas que ficam só cuidando e esperando que algo ruim aconteça. As crises são ótimas oportunidades para você saber quem está e quem não está do seu lado. Dessa forma você poderá identificar as pessoas que estarão ao seu lado nos momentos difíceis e as que não.

Contudo, é mais fácil vermos que o outro é invejoso do que identificar isso em nós mesmos. Mas, o primeiro passo é aceitar que podemos estar errados se tivermos pelo menos três características de uma pessoa invejosa

Na Ciência da Criminologia, conjuntamente com o estudo da Medicina Legal, inveja e ódio podem levar ao crime. Invejosos e odientos são mais propensos ao crime.

De acordo com os estudos de Francisco Alves Cardoso, em “Os Males do Ser Humano”, a pessoa odienta tem morte rápida porque o ódio é uma doença sem cura. Odiar por que e pra quê? Porque o ódio faz do homem um ser intolerável, sem amigos, sem doçura, sem gratidão e sem respeito. Por isso ele é capaz de matar. O odiento e invejoso não quer ver ninguém vitorioso. E para derrubar outrem é capaz de qualquer ato, até mesmo a morte do invejado e odiado.

No aprofundamento do Direito Criminal, colhe-se que uma pessoa invejosa e odienta coloca certos planos em prática e muitos destes planos são invariáveis crimes. Por mais absurdo que possa ser, o odiento e invejoso é capaz de ultrapassar limites para prejudicar outrem. Suas vítimas podem sofrer de todas as formas como, por exemplo, prejuízos econômicos e financeiros, físicos, espirituais, conjugais, profissionais,... Segundo o Direito Penal, são situações que a vítima nunca vai imaginar que é possível.

Para a Criminologia, jungida apenas no aspecto homem-crime, ódio ou cólera, como queiram, é uma manifestação dos mais primitivos sentimentos do homem. Desde os aspectos mais sutis, dissimulado na hipocrisia social e nas formas de antipatias, aos atos mais cruéis e brutais de violência que podem nascer da mente de uma pessoa invejosa e odienta.

O psiquiatra norte-americano Brian Weiss, no livro “A Divina Sabedoria dos Mestres”, aconselha: "é sempre seguro amar completamente, sem reservas. Nunca seremos verdadeiramente rejeitados. É só quando nos deixamos envolver pelo ego que nos tornamos vulneráveis e nos machucamos. O amor em si é absoluto e abrangente. Nunca tire a alegria do outro". Ao contrário, é justamente o que a Criminologia extrai da mente do odiento e do invejoso: tirar a alegria do outro.