Wellington Dias, um “general” com “exército alheio”

Politicamente, após dois anos de mandato eletivo, parece não ter surtido muito efeito o sufrágio de 63% do eleitorado ao nome de Wellington Dias nas urnas para governar pela terceira vez o Piauí, um reconhecimento histórico e ímpar.


O atual governador foi quase aclamado pelo povo piauiense. Tamanha a votação que recebeu. Mas, tudo isso parece que não bastou. Toda aquela votação parece ter sido irrelevante. O governador assumiu o mandato e, surpreendentemente, “achegou-se” aos adversários.


Ao ascender ao maior cargo político do estado pela terceira vez, o petista optou por “ajuntar-se” a um “exército político alheiro” para governar e, agora, quer continuar “ajuntando” mais hostes, aglomerações para se reeleger.


Wellington Dias demonstra partir da máxima de que “adversários políticos, sim; inimigos, não”. Claro! Ele tem certa razão. Adversário é uma coisa. Inimigo é outra. Mas, não custa lembrar o ensinamento de Alex Bruno, segundo o qual “é absolutamente vital saber distinguir o inimigo do adversário. Os dois são muito diferentes entre si. Enquanto o adversário contenta-se em derrotá-lo, o inimigo só encontra paz destruindo-o”. Entretanto, aconselha Bruno, “adversários mudam com o tempo e as circunstâncias, são conjunturais”.


Nosso governador conseguiu se reeleger uma vez com o mesma “milícia” que o elegeu. Agora, para a segunda reeleição, sinaliza e queda-se para compor com uma “tropa alheia”, com os opositores de 2014. Corre risco? Claro! Afinal, o cenário político é outro tanto no Piauí como no Brasil. Na sua primeira reeleição, o PT nacional governava o país em “céu de brigadeiro”. Na segunda, lamenta um “desastre”.


Política e administrativamente, estamos em uma nova fase no Brasil. Em que a prioridade não é mais o PT para o Piauí e nem para o restante do país. A não ser que as “nuvens” mudem de lugar repentinamente como um “furacão” devastador, reinventando-se o petismo, situação - permitam-me vaticinar - impensável e quase que inalcançável.


No quadro político atual, quando o governador se articula para colocar todos na mesma “nau eleitoral”, não há ainda um nome forte para enfrentá-lo nas urnas em 2018. Pelo menos ninguém se arrisca. Poderá aparecer esse nome? Não sei! Mas, se aparecer, não será surpresa. Isso porque em política “quem tem tempo não tem pressa”.


No livro “A Arte da Guerra”, o general chinês  Sun Tzu traça um rico e verdadeiro tratado sobre planejamento, estratégia e liderança. Sun Tzu parte da premissa de que é melhor vencer a guerra antes mesmo de desembainhar a espada. Daí tiramos uma grande lição: a primeira batalha que devemos travar é contra nós mesmos.


Se desejar seguir os conceitos do general chinês, nosso “general” não poderá esquecer de que “toda guerra é baseada em decepção. Por isso, quando capaz, finja ser incapaz; quando pronto, finja grande desespero; quando perto, finja estar longe; quando longe, faça acreditar que está próximo”.


A vitória, ensina Sun Tzu, está reservada àqueles que estão dispostos a pagar o preço. Em qualquer batalha, com um “exército alheio” e desleal, o preço a pagar será incalculável.


Posso errar, claro! Faz parte da análise e do jogo democrático. Porém, pelo “exército” que ajunta para tentar governar pela quarta vez o Piauí, acho problemático, fortuito, duvidoso e até questionável o “general” Wellington Dias repetir as batalhas de 2002, quando humilhou o “coronel Hugo Napoleão” no primeiro turno; de 2006, quando se reelegeu e aniquilou o “capitão Mão Santa”; e de 2014, quando foi quase aclamado e massacrou o “recruta Zé” nas urnas. Porque, sejamos honestos, em todas as que enfrentou e foi vencedor, nenhum “exército alheio” nosso “general” comandou!