Brasil: Uma República em crise com uma cidadania ultrajada

O Brasil caminha para repetir os movimentos da “República Velha”, quando as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais, todas corruptas, comandavam o País.

Jogaram nossa sociedade de hoje na “sarjeta da corrupção”. Os escândalos incutiram na nossa mente um misto de revolta e repugnância. São tantas e tão deslavadas as mentiras para esconder recursos públicos surrupiados, tão grosseiras as justificativas, a falta de escrúpulos, que os valores morais ficam comprometidos e imersos em um fosso moral e ético que compromete o sentimento nacional de cidadania.

Estamos diante de uma afronta ao mais elevado pedestal do Estado Repúblicano Democrático: a cidadania. A violência da corrupção é aniquilante. Ser cidadão não é apenas votar e ser votado, ser solidário, respeitar e ser respeitado, honrar as pessoas, mas, acima de tudo, ter o sagrado direito de ser honrado pelo Estado brasileiro. Daí a importância da cidadania como fundamento da República, constituindo-se em um dever do próprio Estado defendê-la e garanti-la.

Como diz Marshall, uma cidadania que nos conduza aos direitos civis; aos direitos políticos; e aos direitos sociais. É possível haver direitos civis sem direitos políticos. Porém, o contrário é inviável. Porque sem a cidadania os direitos políticos ficam esvaziados de conteúdo, servindo apenas para justificar governos descompromissados.

Uma sociedade com sua cidadania ultrajada, aviltada pela corrupção não pode ser considerada uma nação, um povo. O movimento “Abra a Boca, Cidadão!” adverte para o fato de que “o "lado de lá", dos corruptos e corrompidos, é muito unido, articulado, sagaz, malicioso, trapaceiro,... Utiliza-se de todas as artimanhas para continuar mentindo, lesando, roubando,... São profissionais do crime! É preciso que o "lado de cá", da cidadania, acorde e faça a sua parte.

Em 2010, quando editaram a Lei Complementar n. 35, conhecida como “Lei da Ficha Limpa”, renovaram-se as esperanças de que nossa cidadania pudesse se fortalecer contra a desordem, a usurpação e a corrupção. Uma esperança que desestimulasse políticos notoriamente corruptos. Que nada! Ficou só no papel! Os malfeitores colocaram os parentes para substituí-los. E, em alguns casos, conseguiram liminares na Justiça para junto com os parentes permanecerem no crime.

Os incrédulos de que o Brasil possa ser um dia “passado a limpo” acham que com essa turma governando não será surpresa se ela aprovar a “Lei do Ficha Suja”, tamanha a falta de escrúpulos. Já tentaram de tudo! O projeto de lei da “Anistia ao Caixa 2” representa muito bem o prenúncio de que, em um futuro bem próximo, regulamentem-se possíveis desmandos.

Fica muito bem claro que o impeachment não foi concretizado para punir corruptos, mas para protegê-los. O juiz Sérgio Moro disse que uma lei para beneficiar políticos criminosos poderá causar graves obstruções a investigações futuras. Qualquer lei protegendo os próprios políticos que as propuserem, é exatamente o tipo de situação para destruir a credibilidade das instituições brasileiras.