JVC e os suspicácias geradores de repugnância

O ex-senador e empresário João Vicente Claudino (JVC) tem demonstrado disposição em se candidatar ao cargo de governador pelo Piauí em 2018. Por declarações a interlocutores mais próximos, o político tem externado que não deverá, em hipótese alguma, apoiar o atual governador Wellington Dias no projeto político de reeleição. E motivos não faltam, justifica-se o empresário.

Politicamente, todos são sabedores, JVC não precisa justificar e provar para ninguém sua história, seu bom caráter, sua índole e sua postura como cidadão, como empresário e como ex-senador da República, uma personalidade política indelevelmente sem mácula. Em um instante de grave crise moral, JVC atenderia perfeitamente, em 2018, o bradar popular para o “Não vote em corrupto!” Mas, isso não basta para almejar governar o Piauí. Infelizmente, não!

JVC precisa - mais do que nunca - definir para “aonde vai” e “com quem quer seguir”. Contaminada pelo descrédito, enodoada pela corrupção, por malfeitos, pela ausência de compostura e confiabilidade, a política “de momento” se deformou pelo absentismo de nomes com envergadura moral para agregar dirigentes francos e leais para com o futuro piauiense. Permeia entre nós, no sentimento e na áurea popular, uma incerteza compadecida diante da degeneração dos princípios éticos que não casam muito bem com o nome de qualquer pessoa decente e honrada que imagina prestar-se a servir. No horizonte, desgraçadamente, a luz no final do túnel apresenta-se em penumbra clamante.

O apresentador de TV Luciano Huck disse em artigo publicado no Jornal Folha de S. Paulo que quer participar do processo de renovação política do País. No texto, afirma que a atual situação do Brasil - com “uma crise econômica e caos social sem precedentes” - pode ser uma oportunidade de abrir um novo ciclo da história da República, “ressignificar nossas instituições” e, principalmente, “reorientar os valores e princípios daqueles que querem servir”.

O apresentador avalia que há um “vácuo de liderança” e defende, por exemplo, a ocupação do Poder Legislativo brasileiro com “cérebros, sinapses, ideias e ideais de primeira qualidade”. E prediz: “O dia em que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal forem compostos, em sua maioria, por pessoas íntegras, éticas, genuinamente bem-intencionadas e comprometidas com o bem comum, independentemente das suas ideologias, as soluções para as questões do país florescerão”.

É verdade! Tem razão! Mas, como adequar essa reorientação política no Piauí? Como reorientar valores e princípios daqueles que pretendem servir e não servir-se do povo? Despretensiosamente, deveria ser uma bandeira a tremular, em 2018, no Piauí essa aspirada reorientação. Sem dúvida! Mas, com quem hastear essa bandeira? Quais seriam os “cérebros de primeira grandeza” a içá-la pensando no futuro? Quais os valores políticos disponíveis para agasalhar um ideal para servir e não para tirar do povo piauiense? Com quem contar para a construção de uma política por excelência? Eis a questão!

Com o devido respeito, ressalvadas, obviamente, as exceções, ainda que miseravelmente poucas, nossa degenerescência política chegou a limite insuportável. Como vaticinou o jornalista Paulo Fontenele, para sair candidato a governador opondo-se a Wellington Dias o ex-senador terá que “engolir sapo”! Porque da forma como se apresentam determinadas figuras políticas na busca do poder pelo poder, negociando alhures a própria alma, “ganhar uma guerra será tão desastroso quanto perdê-la”, parafraseando Agatha Christie.

Então, como abrir um novo ciclo da história política do Piauí? Como mobilizar uma onda positiva de engajamento para uma política de alternância? Inapelavelmente, JVC seria um excelente quadro político de alternativa. Porque, sinceramente, é inconcebível que ao longo do tempo o Piauí permita-se ao luxo de perdê-lo para governá-lo, injustificada e momentaneamente instando abortá-lo. Então, com quem aprimorar o compromisso da população piauiense com seu destino, com o seu porvir? Essa é a grande questão!

Sem a pretensão da indelicadeza, da descortesia, da inconveniência e do desrespeito, vivemos uma “tragédia política” de incredulidade, de cepticismo, de descrença, de desconfiança, de desesperança e de suspeição em tudo sem referência histórica. Exemplos não faltam e, lamentavelmente, não faltarão para o transcurso e o registro da história. Numericamente incontáveis, são turbas de suspicácias geradores de repugnância e de repulsão.