Campanha ganha aliados e renova autoestima de pacientes com “mimos”

É comum durante todo o mês de outubro, vermos pessoas vestidas com maior frequência na cor rosa. E o motivo é simples, plausível e solidário: o Outubro Rosa. Durante os 31 dias do mês, é intensificada a campanha de conscientização que visa alertar as mulheres sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. No Piauí, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), 524 mulheres estão em tratamento contra a doença e lutam para não entrar na estatística negativa que já levou tantas vidas.

Na tentativa de elevar o número de mulheres que fazem regularmente o exame, bem como diminuir os dados daquelas que são ou poderiam ser acometidas pelo câncer de mama, grupos de apoio ligados ou não ao governo realizam várias ações durante o mês em todo o estado, especificamente na capital, Teresina, que concentra grande parte dos casos.

Um desses grupos é o Amigos do Peito. Fundado em 2015 e patrocinado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), o programa já atendeu nesse pouco mais de um ano, mais de seis mil mulheres e promove ações que estimulam a realização do diagnóstico precoce e lidam de forma mais humanizada com aquelas pacientes que não tiveram tanta sorte, mas encontram todos os dias estímulo em busca da cura.

“Precisamos ser mais atuantes. Toda mobilização é pouca. Quanto mais informação chegar a população, menos casos de câncer de mama deveremos ter. O exame é simples, além de ser algo que pode salvar uma vida. Estamos com os Amigos do Peito nessa luta, e pretendemos vencer batalha por batalha. A sociedade também precisa incorporar esse espírito”, destacou Francisco Costa, secretário da Sesapi.

Além do esforço do poder público, alguns órgãos não governamentais compõem essa corrente rosa. É o caso da Fundação Maria Carvalho Santos, que assiste mulheres em tratamento com o câncer de mama.

No último dia 09, o movimento promoveu a 10ª Caminhada do Outubro Rosa pelas ruas do Centro de Teresina. O evento reuniu milhares de pessoas e disponibilizou cerca de 1.200 mamografias ao longo do dia.

Uma das pacientes que alcançadas pela Fundação, foi a senhora Maria Lúcia Aguiar. Aos 53 anos e mãe de dois filhos, ela ressaltou a importância dessas ações para a prevenção do câncer de mama e enalteceu o programa.

“Minha vida foi salva por essa ação. Há quatro anos descobri que estava com o princípio de um tumor no seio, e como estava no começo, fiz o tratamento devido e me livrei de maiores complicações. Atualmente eu luto por outras companheiras”, disse.

Pacientes tem dia de beleza e glamour

Quem disse que pacientes em tratamento não podem ter um tratamento vip quando o assunto é vaidade? Muitas vezes o resgate da autoestima das mulheres que estão sob os efeitos dos fortes medicamentos no combate ao câncer de mama é uma das maiores batalhas na recuperação.

Dessa forma, profissionais do ramo de estética e beleza de Teresina se aliaram nesse período de ações intensificadas para dar um dia de princesa a todas essas pacientes. Cortes, penteados, makes e até limpeza de pele são uns dos serviços ofertados solidariamente pelos especialistas.

“Independente de qualquer coisa, toda mulher gosta de estar bem consigo mesma. A vaidade sempre vai ser prioridade na vida delas, e a gente vem justamente para colaborar e tentar revivar aquele lado feminino muitas vezes esquecido pela doença”, contou Carmem Oliveira, cabeleireira.

Jane Silva, que está em tratamento há seis meses, assegura essa iniciativa. “É muito bom saber que tem alguém que se preocupa com seu outro lado. A gente volta a se sentir mulher e, acima de tudo, volta a ter uma autoestima elevada, mesmo diante dos problemas de saúde”.

Números para um futuro melhor

O INCA estima que até o final do ano, sejam diagnosticados 560 novos casos de câncer de mama m todo o Piauí somente em 2016.

Os números impressionam, mas os ativistas sonham e torcem para que todas essas manifestações perdurem e atinjam o objetivo real: fazer com que a sociedade entenda a importância do diagnóstico precoce e sejam cumpridas normatizações em prol do tratamento.

“A Fundação Maria Carvalho Santos trabalha modificando as leis que dão acesso ao controle do câncer de mama. Não é só desfilar e se vestir de rosa, mas garantir leis que possam dar acesso ao bom tratamento e remédios corretos. Isso sim é o caminho para vencer a doença”, explicou o médico Luíz Ayrton, presidente da Fundação.