Iniciativas dão apoio a pacientes com câncer de mama

A campanha faz um alerta para os cuidados em procurar médico e realizar a mamografia, exame que pode detectar a doença ainda em estágio inicial

No mês de outubro o mundo inteiro se mobiliza em prol do movimento de combate ao câncer de mama que tem a cor rosa como símbolo. A campanha faz um alerta para os cuidados em procurar médico e realizar a mamografia, exame que pode detectar a doença ainda em estágio inicial.

Dos estados da região Nordeste, o Piauí está entre os três estados que possui o maior número de abstenção na realização do exame, ao lado dos vizinhos Maranhão e Ceará que juntos são os estados com a menor proporção de mulheres que realizaram o procedimento, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em Teresina, a Fundação Maria Carvalho Santos é responsável pela realização da caminhada do Outubro Rosa, que em 2016 teve a sua 10º edição realizada no último dia nove e reuniu cerca de cinco mil pessoas, segundo a organização do evento. Os participantes partiram do ádrio da igreja São Benedito, centro da capital em direção a shopping da zona leste da cidade, onde foram distribuídas 1.200 senhas para realização do exame de mama, além de palestras e demais atividades.

Amigos do Peito: iniciativa que leva o exame até paciente

Voltado prioritariamente às mulheres entre 50 a 69 anos de idade, o Programa Amigos do Peito desenvolvido pelo Governo do Estado do Piauí por meio da Secretaria de Saúde, tem o objetivo de facilitar o acesso a exames de mamografia. Entre os meses de junho a agosto deste ano o projeto beneficiou cerca de 600 mulheres de diversos municípios do estado.

Para ter acesso aos exames ofertados pelo Programa Amigos do Peito, é necessário que a mulher tenha o encaminhamento da unidade de saúde do seu município, caso apresente imagens sugestivas de câncer de cama, após a realização da mamografia, será encaminhada para serviço previamente pactuado, para realização de exames diagnósticos, como consulta com especialista, biópsia e anatomopatológico.

O câncer não é o fim

“Foi a minha sentença de morte”, é assim que a aposentada Socorro Coutinho de 69 anos de idade define o momento em que recebeu o diagnóstico da doença. Ela relata que aos 53 foi fazer o exame de rotina onde foi detectado um nódulo em sua mama. “Eu não falava a palavra câncer e quando ouvi da boca do médico que eu estava com essa doença pra mim foi a minha sentença de morte. Você só pensa que vai morrer e nada que te digam vai adiantar naquele momento”, comenta dona Socorro.

Entre o dia do resultado e a cirurgia para retirada do tumor passaram-se 20 dias, após o procedimento veio a fase mais delicada e agressiva do tratamento: as quimioterapias e radioterapias. “O que me fortaleceu foi o apoio da minha família, meus filhos e meu marido além da minha fé em Deus e do apoio aqui na fundação. O grande vilão dessa doença é a depressão e por isso é preciso ocupara a cabeça para não se entregar ao câncer, foi assim que vim trabalhar aqui como voluntária”.

Atualmente a aposentada é voluntária na Fundação Maria Carvalho Santos e desenvolve entre outras atividades, o apoio a outras mulheres que assim como ela, acreditaram que o câncer é o fim da vida. “Aqui a gente se ajuda, se dá força e serve de exemplo que esta doença pode ser vencida, por mais difícil que seja, é possível sobreviver ao câncer”, finaliza Socorro.

Para amenizar as marcas que esta doença deixa na vida de quem a teve, o tatuador Thiago Saraiva lançou neste ano o serviço gratuito de tatuagens em mulheres que foram vítimas do câncer. Ele conta que teve esta ideia ao ver tatuadores de outros estados cobrindo as cicatrizes da cirurgias com desenhos delicados, como flores e até mesmo com o redesenho do mamilo nas colorações naturais do tom da pele da mulher.

Além de Thiago, outras instituições trabalham em prol do bem estar e autoestima de mulheres que passaram ou estão em tratamento, como é o caso da rede Feminina de Combate ao Câncer, sediada nas instalações do Hospital São Marcos. Lá as mulheres podem trocar experiências, aprendem sobre maquiagem e beleza, encontrando na união a força para lutar contra a doença que mais mata mulheres no Brasil.