Sem renúncia o caos aumenta

A decisão de não renunciar ao cargo de presidente da República não foi apenas um ato pessoal de Michel Temer. O presidente que não foi eleito para o cargo chegou a fazer a opção por esse caminho mas foi aconselhado a fazer um pronunciamento para dizer que fica por duas razões que lhe foram expostas. A primeira pelo fato de que, se sair, pode ver decretada a sua prisão o que será desastroso. A segunda porque partidos como PSDB e DEM, que há muito tempo não sentiam o cheiro do poder, não querem deixar o desfrute.

O que se comentava nesta quinta-feira (18) em Brasília é que a cúpula do PSDB vai se reunir nesta sexta-feira (19) para avaliar o desembarque do governo. Por enquanto, os ministros que deixaram os cargos, Bruno Araújo (Cidades), que é do PSDB, e Roberto Freire (Cultura), do PPS, o fizeram por decisão pessoal. Se os partidos deles decidirem ficar indicarão outros nomes. Como ainda conta com o apoio dos partidos que formam sua base parlamentar no congresso, Michel Temer pode resistir.

Ainda alguns partidos, como o PSDB, justificam o apoio a Temer sob o argumento de que aguardam a confirmação das provas contra o presidente, ele se sente respaldado para continuar. Para dar essa demonstração de apoio, Michel Temer fez seu pronunciamento no final da tarde à frente dos representantes dos partidos que formaram uma cortina que lhe dava segurança política. Temer, porém, sabe que essa resistência não durará muito tempo e que de uma hora para outra terá de renunciar.

De acordo com informações de Brasília o que se sabe é que Temer insiste em não renunciar para ganhar tempo e negociar com o Poder Judiciário um acordo para deixar a Presidência e não ser preso, uma vez que será muito constrangedor um presidente sair do palácio onde governa algemado e no camburão da polícia federal. Não se sabe é se, diante de provas tão robustas de obstruir a justiça, será possível um acordo. Além disso, o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, não só já homologou a delação da JBS como autorizou que Temer seja investigado.

Enquanto não renuncia, o presidente golpista cria um caos no país, principalmente na economia com as bolsas despencando e o dólar subindo, praticamente paralisando a produção e os negócios. Isso sem contar que o congresso fica paralisado já que as reformas propostas por ele terão sua tramitação suspensa. O mais sensato é que os conselheiros de Temer o convençam a renunciar, porque enquanto ele pensa no próprio bem os prejuízos da nação vão se acumulando.