Todos os parlamentares investigados na Lava Jato serão candidatos sim

O advogado do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, fez uma indagação muito sugestiva em seu perfil no twitter neste domingo, que merece ser discutida: “depois de tantas publicações nas redes, convites e pesquisas não desautorizadas, resta saber quantos da Lava Jato serão candidatos em 2018”, escreveu. De fato, não são poucos os congressistas delatados e investigados nesta operação, muito decantada, de combate à corrupção, cujo objetivo era só pegar o PT.

A pergunta é muito lógica mas a resposta não é difícil de encontrar, uma vez que só não serão candidatos aqueles que ficarem impedidos de registrar a candidatura. Todos, sem exceção, tentarão se reeleger. E não é só pelo fato de a reconquista do mandato servir para assegurar o fórum privilegiado. Com toda a certeza a Lava Jato, a partir do próximo mandato – 2019/2022 – não mais existirá porque terá cumprido o seu papel e terá sido mais um jogo sórdido de tornar a esquerda proscrita.

Não por acaso, a base parlamentar de Michel Temer tanto na câmara quanto no senado, está votando e aprovando na base da barganha os projetos de supressão de direitos dos trabalhadores (CLT e previdência) e livrando-o dos processos que podem torná-lo réu e conseqüentemente afastá-lo do cargo. Essa “fidelidade” está saindo a um custo muito elevado dos recursos públicos cujas conseqüências serão mais crises tanto na economia quanto na política e no plano social.

Se as classes privilegiadas no Brasil condenam a posição de Maduro na Venezuela, por usar a força para se manter no cargo, o que dizer, então de Michel Temer, no Brasil? Se lá Maduro usar o poder discricionário para continuar presidente, aqui Temer usa a caneta para comprar votos no congresso e se safar dos processos a que pode responder no Supremo Tribunal Federal se a câmara autorizar. Para isso, ele usa os meios que dispõe (no caso os recursos do orçamento) para atingir seus fins.

Com Temer prensado nas cordas (como se diz no jargão das lutas de Box), os deputados se aproveitam da situação para se capitalizar financeiramente e garantir as despesas da campanha de 2018. Só na votação do relatório que autorizava o STF seguir adiante com o processo, a estimativa é de que foram liberados cerca de R$ 250 milhões de emendas ao orçamento. Diante de tão expressiva despesa orçamentária, Temer será obrigado a fazer pedaladas fiscais para fechar o exercício financeiro deste ano.

As eleições de 2018 estão bem próximas e é duvidoso afirmar que a maioria dos parlamentares delatados e investigados na Lava Jato não se candidatará, na perspectiva de que serão rechaçados e rejeitados pelos eleitores. Como no Brasil, se ganha eleição é com dinheiro – e os deputados estarão sobrando com o dinheiro das emendas – é até mais fácil para eles. Achar que a população vai dar resposta nas urnas é não conhecer as práticas eleitorais deles. Será mais fácil eles perderem a eleição se não tivessem dinheiro do que com ele.