Uma derrota com efeitos imprevisíveis

Caso venha a ser reeleito presidente da Câmara Municipal de Teresina na eleição – se acontecer – da Mesa Diretora convocada para esta quinta-feira (16), o atual presidente Jeová Alencar, que é do PSDB, impõe uma derrota política inesperada ao prefeito Firmino Filho (PSDB). Para não perder o controle sobre sua base, Firmino vem tratando por telefone da Espanha, para onde viajou em viagem oficial, com vereadores de seu grupo para impedirem a realização da sessão.

Firmino sabe que não pode perder essa batalha porque Alencar se fortalecerá tanto política quanto administrativamente, principalmente às vésperas da eleição estadual. O vereador tucano é cria de Firmino, que o ajudou a eleger quando no mandato anterior era um seguidor grudado e depois de reconduzido à câmara o fez presidente e agora percebeu que o cargo subiu a cabeça de seu liderado. Por essa razão, a idéia do prefeito é evitar que ele se mantenha no cargo para não atropelá-lo depois.

Quando Jeová Alencar aprovou uma emenda à Lei Orgânica do Município permitindo a recondução ao cargo do presidente da câmara na mesma legislatura e a antecipação da eleição da Mesa Diretora 1 ano antes da posse, Firmino ignorou e não fez qualquer gesto para barrar o projeto orientando sua bancada a rejeitar a proposta. Resultado: agora tenta correr contra o tempo, devido a sua ausência da cidade, para conseguir pelo menos adiar a sessão e depois tentar mudar a situação.

A atitude do presidente da câmara é um sinal claro de rebeldia dentro da bancada do governo municipal, já que esta se dividiu entre os que permanecem leal ao prefeito nesta empreitada e os que seguem Jeová Alencar. O certo é que o presidente da Casa conseguiu o apoio de 17 vereadores para fechar a data da sessão para o dia 16 de novembro e tudo indica que pode sair vitorioso, porque os líderes do prefeito na Casa não sabem o que fazer para seguir as ordens do chefe lá da Espanha.

Com a movimentação do prefeito para obstruir os trabalhos da sessão desta quinta-feira, espera-se uma sessão bastante tumultuada onde ninguém vai se entender na medida em que o presidente tentar dar andamento ao processo. A chapa da Mesa, naturalmente, não deve ter incluídos nomes de vereadores que, seguindo a orientação à distância, do prefeito, apenas aqueles que aprovaram a mudança na lei e assinaram o requerimento que definiu a data, tornando a derrota do prefeito maior ainda.

Se o resultado for aquele que não agradar o Palácio da Cidade, o mais provável é que a eleição da nova Mesa Diretora seja judicializada. Perdendo no voto, é óbvio que Firmino vai para o tapetão tentar na justiça a anulação da escolha. É difícil dizer se, recorrendo à justiça o prefeito terá êxito. A eleição da Mesa é uma questão interna corporis da câmara. Uma coisa é certa: a vitória de Jeová hoje é uma derrota do prefeito com efeitos imprevisíveis.