Duplo proveito

A visita que o governador Wellington Dias (PT) fez ao prefeito de Teresina Firmino Filho (PSDB) no final da tarde de quarta-feira (22) em seu gabinete, no que pese as justificativas apresentadas de que foi um encontro para tratar de temas administrativos, teve sim conversa sobre política. Tanto que a avaliação que se chega é a de que com essa visita, o governador procurou acalmar o prefeito e convencê-lo de que não teve nenhum papel no episódio da sucessão da câmara municipal.

Firmino estava convencido de que o Palácio de Karnak atuou nos bastidores para apoiar de forma indireta nas manobras que resultaram na recondução do vereador Jeová Alencar (PSDB) à presidência da câmara. Por essa razão, a resposta veio com a declaração de que sua virtual candidatura a governador, que era de 1 dígito até aquele momento, passou para 2 dígitos. Foi um gesto de desabafo, sem dúvida, do prefeito, indignado com o fato mas que se dissipou depois quando seus ânimos se acalmaram.

Se o prefeito interpretou a suposta interferência do governador no episódio como um recado, ele o devolveu desta forma. Porém, bastou uma interlocução para que Dias pedisse para ser recebido por Firmino para que as coisas mudassem. O Palácio da Cidade procurou até tirar proveito da situação quando divulgou as imagens da reunião dos dois no gabinete do prefeito numa forma de avaliar que quem perdeu na estória foi quem, de fora, se envolveu diretamente naquele processo na câmara.

Wellington Dias, em declarações à imprensa na manhã desta quinta-feira (23) procurou minimizar o problema dizendo que, sendo os dois Themístocles Filho (PMDB) e Firmino Filho líderes políticos e chefes de poderes, com responsabilidade assumida, podem perfeitamente buscar um entendimento através do diálogo. Só que não é assim e o rompimento do PSDB com o PMDB não é um ensaio mas verdadeiro, ao ponto de uma reconciliação ser algo de difícil de acontecer, pelo menos nos próximos meses.

O que se analisa com essa visita é que o governador tratou de manter limpo o caminho que interliga os dois palácios, seja no campo político ou administrativo. Wellington, com o perfil de líder que não cultiva rancor que sempre procurou irrigar em sua imagem, foi até Firmino para desfazer qualquer mal entendido. O que não se sabe é se Firmino ficou satisfeito como gesto de mão estendida, já que cada um buscou com o encontro tirar o melhor proveito possível para não passar recibo.

Em favor do governador fica o fato de que o resultado da visita jogou um baldo de água fria naqueles que, açodadamente, vibraram com a atitude do prefeito apostando na perspectiva de que esse gesto implicaria numa declaração de guerra ao governo do estado e ao PT. É óbvio que isso não significa que Firmino e Wellington estarão no mesmo lado em 2018, mas uma certeza o encontro deixou claro. Se estiverem em lado separado em 2018, o discurso não será construído em tom revanchista.