Lados opostos em lados opostos

Quando foi candidato em 2014 e confirmou seu favoritismo nas urnas ao final da eleição, o governador Wellington Dias (PT) chegou a ter o apoio, em alguns municípios, dos dois lados políticos principais. Um exemplo foi em Picos, onde, além do apoio do prefeito de seu partido, o Padre Valmir, recebeu a adesão do ex-prefeito Gil Paraibano. Nesta campanha, o governador deve contar com o apoio apenas de um lado na maioria dos municípios, já que o outro lado começa a dar sinais de insatisfação.

O mesmo Gil Paraibano, que no pleito passado aderiu à campanha do governador, hoje já sinaliza apoio ao pré-candidato do PSDB Luciano Nunes. Como ele, outros líderes municipais já começam a sinalizar e construir uma tendência de que em alguns municípios, a disputa entre grupos antagônicos caracterizará a eleição estadual. Em Parnaíba, o prefeito Mão Santa estará de um lado, apoiando o candidato da oposição, enfrentando o grupo liderado pelo ex-prefeito e secretário de Saúde Florentino Neto.

Em Corrente, onde no pleito passado, Wellington Dias contou com o apoio de quase todos os grupos – incluindo o prefeito à época Jesualdo Cavalcante – não terá o apoio do prefeito atual Gladson Murilo Mascarenhas, que é do PP, partido aliado do PT. Ele já antecipou que não apoiará Dias e já se prepara para anunciar apoio a Luciano Nunes, fazendo com que as forças naquela cidade se equilibrem. Lá, fora o PT, Dias conta com o apoio do PMDB (deputado João Madson), PTB, PDT, PR e outras siglas.

Pedro II, na região norte, é outro exemplo de que o governador não mais terá os dois maiores grupos ao seu lado. O prefeito Alvimar Martins, que é do PP, também dá sinais de insatisfação e pode decidir ficar fora do palanque de Wellington Dias. Com isso, a cidade se juntará a outras onde os grupos antagônicos municipais manterão o antagonismo nesta eleição estadual. Apesar disso, a tendência é que o governador mantenha o apoio da maioria dos prefeitos piauienses.

Nesta reacomodação de grupos municipais, forçada pela eleição municipal de 2016 quando a disputa e o resultado colocaram os oponentes em suas reais trincheiras, vai sobrar espaços para o candidato oposicionista ocupar. Neste momento, o nome que aparece com condições para atrair o apoio do “outro lado” nos municípios é o deputado Luciano Nunes. Além da boa relação com os líderes ele pertence a um partido que possui estrutura no interior e pode ajudar a fortalecer a campanha.

Por este caminho é possível prever que a probabilidade de polarização da disputa entre o deputado tucano, caso se confirme sua candidatura, e o governador Wellington Dias pelo governo do estado. Não importa que o resultado possa dar a Dias uma vitória no primeiro turno ou que a disputa vá para o segundo turno mas a tendência é que os dois serão protagonistas na campanha. É óbvio que, sendo mais experiente e mais popular, o governador ainda leva grande vantagem.