Só mais um blefe

Se a opção pelo nome do presidente da Assembléia Themístocles Filho (MDB) para companheiro de chapa do governador Wellington Dias (PT) como candidato a vice-governador vier a provocar debandada de partidos da base do governo ela não se dará na proporção de uma bomba como torce a oposição. A razão é simples: dos partidos que reivindicam uma vaga na chapa majoritária, só o MDB e o PP, em caso de rompimento, causariam estragos na força eleitoral da coligação.

Os demais que compõem a base são partidos de 1 ou 2 deputados – como é o caso de PSD, PDT, PTB e PRB – que precisam da estrutura do governo para buscarem um novo mandato parlamentar. O que de real existe é que só mesmo MDB e PP de fato eram os mais fortes a reivindicarem vagas na chapa majoritária, principalmente a vaga de vice, que se transformou numa espécie de jóia da coroa pela perspectiva de assumir o cargo de governador em 2022 caso Dias, se eleito, renuncie para disputar o senado.

Com exceção do pleito de 1994, quando o à época ex-governador Freitas Neto e o então senador Hugo Napoleão se elegeram para o senado – embora o PFL tenha perdido a eleição para o governo – na eleição em que se disputam duas vagas, o partido que está no governo nunca elegeu os dois candidatos ao senado. A última, em 2010, a aliança governista à época elegeu apenas 1 senador (Wellington Dias). A outra vaga ficou com Ciro que se candidatou numa aliança PTB/PP.

Nesta aliança PTB/PP, em que o candidato a governador era o então senador João Vicente Claudino, o partido do senador Ciro Nogueira ficou com as duas vagas do senado, tendo como concorrente à outra vaga ao seu lado o vereador R. Silva. Este vereador foi apenas um figurante na eleição. Nesta de agora, o presidente do PP quer repetir a estratégia passada e garantir a segunda vaga na chapa a um candidato que lhe traga risco algum e o nome de Regina Sousa pode aparecer na fita.

Com efeito, a insatisfação que a oposição prevê como conseqüência da escolha do candidato a vice é puro blefe, num jogo em que os eventuais insatisfeitos deixariam o que consideram um porto seguro que lhes garante fazer uma campanha bem sucedida para enveredarem em uma aventura quixotesca que podem embarcá-los num fracasso eleitoral. É óbvio porque o partido que romper com o governo, efetivamente terá que devolver os cargos e os contracheques dados a seus apaniguados e cabos eleitorais.

A lógica da política no Piauí é a de que o desejo de quem está no governo é continuar nele. E quem não está é entrar nele. O rompimento de um partido com um governo se dá só numa situação e com pouco risco de acontecer. É quando o governo está destroçado e com imagem desgastada, levando a conseqüências como atraso de salário. O que não é o caso. Se o governador está conseguindo administrar na crise, ainda que com grandes problemas internos, é pouco provável que haja debandada. Isso é mais um blefe da oposição.