Falta força a Temer para substituir Parente

Enquanto insistir em solucionar a paralisação dos caminhoneiros e os danos que ela vem causando ao país fazendo o uso da força, Michel Temer não vai conseguir. A cada dia que passa, o governo se mostra incapaz de dar um fim no caos que domina a nação. A solução simples seria Temer demitir o presidente da Petrobrás e dar início a uma negociação com os líderes para atender a reivindicação deles que é tão somente a mudança na política de preços de combustíveis da empresa.

No entanto, é pouco provável que Michel Temer tenha força e poder para colocar Pedro Parente na rua, uma vez que a indicação do presidente da Petrobrás não foi uma escolha dele mas uma imposição dos acionistas e credores da empresa, que querem aumentar seus rendimentos e ele teve de engolir. Mesmo com toda essa situação grave que toma conta do país, Parente parece tão inabalado como uma rocha que resiste até mesmo a dinamite e o cargo só fica vago se ele renunciar.

A crise causada pela paralisação dos caminhoneiros já está inclusive desfazendo a base que Michel Temer construiu no Congresso Nacional formada para organizar o golpe e ajudá-lo a governar aprovando medidas que estão causando o desmonte do projeto de governo iniciado em 2003. O Palácio do Planalto já não controla mais a agenda de votação de projetos nem na câmara nem no senado e já recebe críticas pesadas de líderes de partidos aliados como o presidente da câmara Rodrigo Maia (DEM).

Maia tem reiterado diversas vezes que o governo Temer é fraco porque não consegue solucionar esse caos que tomou conta do país nem mesmo pela força. Do MDB Temer já perdeu o apoio do presidente do Senado Eunício Oliveira e do ex-presidente Renan Calheiros que profetizou: “ou cai Parente ou cai Temer”. Perdendo apoio político como está acontecendo, Temer vai ficando cada vez mais acuado, e pode perder o seu mais importante aliado, o PSDB, se vier a demitir Parente indicado por ele.

Como o PSDB tem o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckimin como seu candidato a presidente, é óbvio que o partido, através do próprio candidato, e de líderes como Fernando Henrique Cardoso, tem dado apoio a Pedro Parente ainda que isso tenha como preço a pagar o desgaste da imagem da sigla e de sua candidatura ao Palácio do Planalto. Pelo que se vê nessa crise que o país vem passando, Michel Temer perde apoio político e está se sustentando apenas com as Forças Armadas.

Essa crise com a paralisação dos caminhoneiros e de outras categorias, como a dos petroleiros, não deixa de causar preocupação aos brasileiros que têm responsabilidade com a nação. Ela é o cerne de um desejo de grupos de extrema-direita para que isso venha a ser utilizado como justificativa para adiar a realização das eleições de outubro. Mas esse desejo esbarra justamente na incapacidade de Michel Temer. A nossa sorte é se, diante das pressões, ele consiga coragem para demitir Parente, descobrindo que a solução mais simples é demitir o presidente da Petrobras e não o uso da violência.