O que você precisa saber sobre transplante capilar

A maioria das cirurgias é feita para melhorar o aspecto da calvície tradicional

O transplante capilar é  um procedimento cirúrgico no qual os folículos capilares de uma área doadora (mais densa e cheia de cabelos) são transferidos para uma área receptora (menos densa que a área doadora).

A maioria das cirurgias é feita para melhorar o aspecto da calvície tradicional, causada pela alopecia androgenética. A principal área doadora fica na parte de trás da cabeça, onde os fios são menos sensíveis aos hormônios que causam essa forma de alopecia. Os folículos transplantados continuam resistentes após a cirurgia, mesmo se os fios nativos da área receptora forem perdidos com o avanço da calvície.

O transplante também pode ser feito para recuperar falhas em outras áreas, como a barba ou as sobrancelhas, e é possível utilizar fios de partes diferentes do corpo (transplante de fios das costas para o couro cabeludo, por exemplo).

Quais são os tipos (ou técnicas) de transplante capilar?

Os nomes comerciais podem variar bastante, mas existem basicamente dois métodos no mercado: o mais comum é o Follicular Unit Transplantation, ou FUT (Transplante de Unidade Folicular, em inglês). Essa técnica retira uma faixa do couro cabeludo da área doadora, a partir da qual são selecionadas as unidades foliculares (agrupamentos naturais de até 5 folículos capilares) que serão implantadas em pequenos orifícios feitos na área receptora.

O segundo método, que vem ganhando bastante popularidade nos últimos anos, é o Follicular Unit Extraction, ou FUE (Extração de Unidade Folicular, em inglês). A diferença é que essa técnica retira as unidades foliculares uma a uma, diretamente do couro cabeludo do paciente, com o auxílio de uma pequena ferramenta cilíndrica (como um canudo). A inserção das unidades na área receptora é feita da mesma forma nos dois métodos. Existe uma variação dessa técnica na qual a extração das UFs é realizada por um robô, o que ajuda a aumentar a precisão e a qualidade do procedimento.

Algumas clínicas divulgam a realização de implantes capilares a laser, mas essa técnica é considerada inferior: o laser só é utilizado na abertura dos furos onde os fios serão inseridos, e como acaba queimando os tecidos, a chance de causar perda dos folículos é maior.

Quais as vantagens e desvantagens de cada método? Qual é melhor?

É difícil dizer que um método é melhor que o outro, porque eles têm características bastante diferentes. Para ajudar a comparar, preparamos o infográfico abaixo (e, em seguida, uma lista com os pontos positivos e negativos de cada método):

FUT – Pontos positivos:

o Costuma ser mais barato que o método FUE;

o Rende mais UFs transplantadas por sessão, portanto é ideal para cobrir áreas maiores;

o A cirurgia normalmente é mais rápida (alguns procedimentos maiores, com grandes quantidades de UFs transplantadas, podem ser realizados em um só dia com o método FUT, enquanto no método FUE teriam de ser divididos em duas sessões);

o O risco de dano aos folículos é extremamente reduzido, pois as UFs são retiradas uma a uma diretamente da faixa de pele que foi extraída, com o auxílio de poderosos microscópios;

o Não é preciso raspar o cabelo perto da área doadora (o que facilita a camuflagem da cicatriz depois da cirurgia);

o  Se o paciente realizar mais de uma cirurgia FUT, em alguns casos é possível que a cicatriz anterior seja removida no procedimento seguinte, ou seja, dá pra fazer várias cirurgias e ficar com apenas uma cicatriz (no método FUE, cada procedimento cria mais microcicatrizes, cujo acúmulo pode acabar reduzindo visivelmente a densidade de cabelos na área doadora).

FUT – Pontos negativos:

o O método é considerado mais invasivo que a técnica FUE, e a recuperação pode ser mais demorada e dolorida;

o A cabeça é a única área doadora víável (não dá pra usar fios de outras partes do corpo no transplante);

o Só é possível se o candidato tiver boa flexibilidade no couro cabeludo (e cada cirurgia reduz um pouco mais essa flexibilidade, limitando a quantidade de transplantes FUT que podem ser realizados no futuro);

o  A cicatriz linear é mais aparente do que as microcicatrizes do método FUE (apesar de ser possível camuflar as duas com o crescimento do cabelo ao redor), e pode ficar alargada se a cicatrização não for ideal (seja por falta de perícia do cirurgião, por falta de respeito aos cuidados pós-cirúrgicos ou porque o próprio organismo do paciente não respondeu bem ao procedimento);

o É preciso evitar exercícios físicos intensos e atividades que coloquem tensão no couro cabeludo durante cerca de 10 meses após a cirurgia, para permitir que a área da incisão se recupere totalmente e reduzir as chances de a cicatriz se alargar;

o A incisão provavelmente vai danificar alguns folículos nas extremidades da faixa de pele retirada da área doadora, e a cirurgia deve perder alguns dos fios que estiverem na fase telógena (folículos temporariamente vazios que não são visualizados e transplantados durante o procedimento);

o Pode ser que as partes do couro cabeludo unidas pela sutura tenham fios crescendo em densidades e direções diferentes, o que deixa um aspecto anti-natural (que é mais facilmente camuflado quando os fios crescem um pouco).

FUE – pontos positivos:

o O método é considerado menos invasivo, tem recuperação mais rápida e não precisa de sutura (as incisões cicatrizam sozinhas);

o Permite que sejam utilizados fios de outras partes do corpo (restauração de sobrancelhas, da barba ou transplante de fios de outros lugares para o couro cabeludo);

o As microcicatrizes são mais fáceis de camuflar e permitem cortes de cabelo mais curtos (principalmente nos procedimentos menores, que não retiram tantas UFs);

o Permite voltar a se exercitar normalmente em poucos dias;

o É uma boa opção para quem não tem boa flexibilidade no couro cabeludo e, por isso, não pode fazer a cirurgia FUT.

FUE – pontos negativos:

o Costuma ser mais caro e demorado que o método FUT;

o Rende menos UFs por sessão (o tempo que se leva para extrair e preparar as UFs é maior);

o As UFs são retiradas de uma área maior, o que pode aumentar o risco de pegar fios fora da região considerada “segura” (alguns desses fios podem ser suscetíveis aos hormônios que causam a calvície e serem perdidos no futuro) e de ficar com microcicatrizes mais aparentes em uma área que pode se tornar calva no futuro;

o Reduz a densidade da área doadora a cada procedimento (dificultando a realização de novos procedimentos FUE ou FUT no futuro);

o O risco de danificar as UFs é maior, porque o cirurgião não tem a visão dos folículos por baixo da pele durante a extração (se a incisão for muito larga pode cortar os folículos vizinhos, se for muito estreita ou rasa pode danificar a própria UF que está sendo extraída);

o É necessário raspar toda a área doadora para o transplante (o que, nos procedimentos maiores, pode acabar obrigando o paciente a raspar toda a cabeça para não ficar com um visual desarmônico).

Se você ainda tem duvidas converse com seu médico e juntos poderão decidir qual método é o mais indicado no seu caso.