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Airton Franco

Filhos de um Destino

quinta, 30 de setembro de 2010 • 15:27
Caríssimos Infantes,

O ano era de 1976, o mês, janeiro, e, salvo engano, numa sala do antigo CPOR, incontáveis jovens eram submetidos a um exame psicotécnico que, nas palavras do então Capitão Roberto Sampaio, redundou na seleção de cinquenta jovens de famílias dos mais variados segmentos funcionais desta Sociedade fortalezense para cumprir, sob a responsabilidade do Exército Brasileiro, um dever cívico - ou um direito potestativo - de servir à Pátria e por esta serem servidos como adolescentes que iniciavam, assim, de modo saudável, sua consciência cidadã.

Hoje, depois de trinta e quatro anos, avaliamos como positiva e inestimável a importância dos ensinamentos que juntos aprendemos ou apreendemos e que nos impulsionaram, à emulação, para a constituição de famílias, para a edificação de sólidas profissões e para a construção da Sociedade que hoje nos abriga.

Na perspectiva política, não podemos deixar de reconhecer como sucesso dos governos militares o fenômeno econômico do dito milagre brasileiro e a sua legitimação pela grande maioria da opinião pública que, naquele entrementes, reclamava a força da espada como único modo de purificar o sangue do corpo social então ameaçado pela insegurança, pela corrupção, ou mesmo pelo socialismo que a própria história, anos depois, se encarregou de solapar.

Abre-se, aqui, necessário parêntese para afirmar que os governos posteriores não foram piores nem melhores, pois todos tiveram defeitos e virtudes, de modo que, assim, consolidou-se e consolida-se, pouco a pouco, o rumo de uma sociedade livre, justa e solidária.

O que importa, neste instante que nos comove pela saudade e pela emoção, é que o Exército Brasileiro nos preparou melhor para nossas lutas e nossas conquistas sociais. O serviço militar, portanto, nos acolheu para o aprimoramento de nossas consciências cívicas e o enfrentamento, sobretudo, pelo estudo, dos ingentes desafios que a vida, a muito custo, nos entremostrava.

E assim, como Infantes, vencemos e continuamos a vencer como filhos, como irmãos, como pais, como avôs, de uma Sociedade que é injusta e que tem comandos por vezes inglórios, mas que tem, em cada um de nós, a obrigação moral e democrática de aprimorá-la, sempre...

Afinal, a vida é uma eterna luta, a luta que, pelo bom combate - o combate democrático de avanços e de contra avanços, de vitórias e de superação de adversidades - nos legou uma Constituição que nos assegura indisponíveis direitos fundamentais conquistados, historicamente, a duras penas.

Como se vê, se a vida é luta, ela é, portanto, “uma nobre Infantaria. Das armas a rainha, Por ti daria a vida minha”.

A compulsão por livros, o estímulo saudável da sala de aula e o exercício mental de escrever, impõem-me a sucintamente relembrar o destino que há décadas nos uniu como filhos predestinados de uma Sociedade pura e impura...

É claro que esse inolvidável reencontro deve ser saudado, também, com as presenças espirituais dos eternos Infantes Delano, Bezerra, Rocha e Menezes... Eis o implacável fim de todos nós.

Abraços.
Airton Franco, delegado da Polícia Federal

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