A Política tem mesmo esse encanto mágico que mexe com a alma humana e que parece purificar os impuros, pois, agora, findas as eleições, não há mais lugar para o radicalismo, mas para os políticos que têm “livres trânsitos”.
Portanto, entre os políticos vencedores e perdedores há de prevalecer, tão-só, o discurso da união e da reconstrução em benefícios de todos, assegurando, é claro, antes, seus próprios benefícios de modo que quem for mais hábil nessa arte discursiva há de conseguir impor mais vontades...
Deste modo, o discurso do bem e do mal é, no presente, uma pagina virada, pois serviu apenas para contagiar o influxo de uma militância que, na imensa maioria dos casos, fez-se paga pela extrema necessidade.
A versão pública, de agora em diante, é a da governabilidade, pois, asseguro, sem receio de errar, que era só nisto que pensavam, ontem, os vitoriosos e os derrotados que marcaram presença nas fotos ao lado da Dilma e do Serra, ou seja, cada qual pensando no seu valor para compor a tal governabilidade...
Pois, o que antes era a busca por votos, agora, são as cifras, os cargos, os interesses, e um palco para novas intrigas com novas versões públicas que certamente despertarão a consciência coletiva diante da eterna luta do bem contra o mal, e vice-versa.
Quanto ao povão, bem, esse povão foi só um detalhe utilizado, como induvidosamente o foi, para a comprovação de que os meios justificam os fins ou os fins justificam os meios.
E quanto a nós, os induzidos pela crença do bem e do mal, resta-nos tão-só o consolo de que diante de tantas virtudes e defeitos, caminhamos, pouco a pouco, no rumo a uma Sociedade livre, justa e solidária, de modo que, por isto, temos a obrigação cívica e moral de acreditar que, por nossa participação democrática, aprimoramos nossa própria Sociedade e, sobretudo, a nós mesmos...
Quanto a mim, votei como a imensa maioria dos brasileiros menos favorecidos, seja por sua ignorância desideologizada, seja por vislumbrar, neles, alguma sabedoria que tem mais a ver com a essência de nossa alma macunaímica que se não mudou ao longo de quinhentos anos, não mudaria, agora, por efeito de uma eleição marcada por gravíssimas denúncias de corrupção, de lado a lado.
No fundo, não há, no Brasil, marcantes diferenças entre os governos dos petistas e dos tucanos, pois ambos têm praticamente os mesmos fundamentos econômicos, de modo que o que se poderia acentuar, como tênue diferença, é o fato de que no governo tucano houve induvidosa preponderância em prol do Estado e no governo petista houve maior atenção para com os pobres, ainda que sob o manto demagógico.
Um fato é que o Estado, em si, não existe para dar lucros, mas para garantir a felicidade e o bem de todos. Outro fato é que não se pode governar colimando, em demasia, a privatização dos lucros em proveito da elite dominante e a socialização (por toda maldição que esse nome possa significar) dos prejuízos em detrimento dos menos favorecidos.
Seja lá como for, Oxalá possamos, novamente, realimentar esse moinho da vida em 2014.