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Cleber de Deus

A retórica da intransigência

segunda, 28 de abril de 2008 • 12:57

O desenrolar da campanha eleitoral na UFPI revela, por meio dos programas das candidaturas, debates e estratégias, dois modelos inteiramente distintos de como se deve gerir uma academia: dum lado, agrupa-se todo um pensamento conservador e reacionário que objetiva simplesmente reaparelhar e lotear a UFPI em tonalidades politico-partidárias. Noutro, existe a perspectiva de ampliação do projeto acadêmico em curso apoiado pela quase totalidade dos pesquisadores ufpianos.

A chapa dos grupelhos ideológicos, por mais que tente disfarçar sua face autoritária, continuamente a rearfima em sua “retórica da intransigência”. Supõe, arbitrariamente, ser a “única” representante “legítima” dos interesses da UFPI. Historicamente, entretanto, sua real contribuição foi no sentido inverso. A pesquisa e o ensino ocuparam sempre posição secundária, pois, o fundamental era aparelhar a UFPI intentando fins eleitoreiros, desviando assim, a instituição das suas finalidades de promover o conhecimento científico e tecnológico. 

O coronelato esquerdopata e direitista – “a grupologia” – concebe as unidades de ensino (CCHL, CCA, CCN, CT, CCS e CCE) como feudos que poderiam ser loteados exclusivamente segundo seus interesses privados. Porém, “a grupologia” não contava que a administração superior atual operaria uma revolução na esfera administrativa ufpiana e invalidaria seu discurso oco e plano de aparelhamento partidário das instâncias e órgãos desta IES. 

A “grupologia” apega-se aos velhos jargões do partidarismo e vulgata marxista: escola pública, gratuita, representação das bases, ética, etc. Pergunte-se, todavia: seu discurso mantém alguma correspondência com a realidade acadêmica protagonizada pelos atores representativos desta “discursologia” em benefício da UFPI? A resposta, obviamente, é negativa. 

Os “grupelhos” incomodam-se hoje principalmente com o modelo acadêmico e democrático implantado pela administração central e a ascensão de pesquisadores (decanos ou jovens) por ameaçarem sua hegemonia ideológica e não-acadêmica nos centros de ensino da UFPI. A verborragia dos “grupelhos ideológicos” sucumbe diante dum trabalho consistente de inovação administrativa e acadêmico onde a universidade pública, gratuita e de boa qualidade é efetivamente garantida e não figura apenas num discurso vazio. 

A democratização patrocinada pelo reitor atual, privilegiando a meritocracia, atrai os segmentos da UFPI envolvidos na construção de avançados programas de pesquisas que objetivam produzir conhecimento científico vinculando-o às potencialidades de desenvolvimento socioecômico da realidade piauiense. Assim, concilia-se a tão desejada finalidade duma universidade pública: instrumento produtor de conhecimento voltado para transformação social, política e econômica. 

Não conseguindo mais deter o avanço das forças modernas e progressistas ufpianas, a “grupologia” apela para única na qual é especialista: planfletar, planfletar e planfletar. O que tal postura revela? A clara ausência de visão acadêmica e o descaso com a universidade pública por parte de gestores sem capacidade técnica que legaram às unidades de ensino e, consequentemente a UFPI, somente o atraso. 

O “coronelato esquerdopata e direitista” reagrupou-se nesta eleição vislumbrando manter incólume a velha “discursologia” e seus interesses particulares: pela “esquerdopatia”, alguns se vêem como “grandes líderes” e procuram, a qualquer preço, encontrar pregadores para satisfazer seu egotismo e suas idiossincrasias. Na linha direitista, fez-se uma coligação esdrúxula visando ratear e garantir exclusivamente cargos e postos dentro da estrutura ufpiana. Ou seja, continuar o projeto de privatização da esfera pública por meio do clientelismo e fisiologismo.

No presente contexto, a linhagem de pesquisadores progressistas– decanos e jovens – endossa, indiscutivelmente, o projeto acadêmico e moderno beneficiador da UFPI e do interesse público. Num cenário assim configurado, a agonia do coronelato esquerdopata e direitista é patente e uma nova era na Universidade Federal do Piauí se instala. Os grilhões do atraso, reacionarismo e conservadorismo estão prestes a serem rompidos definitivamente do ambiente acadêmico. Aos seus asseclas restará unicamente a retórica da intransigência.

Comentários

Lucas Fortes

postado:
28/04/2008 - 23:34
Dizer que a chapa do atual reitor e na qual o Senhor trabalha defende a ampliação do projeto acadêmico é mentir para o leitor. E a especialidade de planfetar deve ser bem comum pra você que estava fazendo isso hoje nas dependências do CCHL. Seja honesto e honre pelo menos os leitores do Portal, já que me parece que o senhor não possui honra alguma. E independente da sua vontade a chapa do Prof. Solimar já é sim a vencedora antecipada da reitoria da UFPI obrigado.
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