A ideia de eleger representantes para que decisões sejam tomadas em nome do interesse coletivo (dos representados) é um instrumento fundamental em qualquer partido político, associação, entidades patronais ou trabalhistas. Contemporaneamente, essa vem sendo a modalidade principal de viabilização do ideal democrático.
Todavia, o que acontece quando sistematicamente há violação desse princípio? Isto é, quando os representantes agem apenas pensando nos seus interesses privados e imediatos? A consequência maior é a falta de legitimidade dos atos e ações dos representantes e uma completa exclusão dos representados no processo decisório da associação a que pertencem.
A associação agregadora dos docentes da Universidade Federal do Piauí (UFPI) enfrenta esse seriíssimo problema sob o comando dos dirigentes de plantão. O processo decisório é circunscrito a uma oligarquia que partidariza ideologicamente todas as questões e se mostra avessa ao diálogo com os demais setores da UFPI.
Tal situação limita e cria entraves para compreensão dos papéis e funções que são demandadas por uma entidade que deseje espelhar a vontade dos seus filiados. Assim, o intencional aparelhamento político-partidário de associações classistas torna-se num notório elemento desmobilizador da participação dos membros que eventualmente almejem ingressar na associação com a finalidade de dotá-la de transparência e eficiência. Logo, as chances de renovação das ações, atitudes e práticas ficam cada vez mais difíceis de acontecer. Esse é o quadro atual vivido pela associação que deveria agregar os docentes da UFPI.
Não obstante, eleições trazem a possibilidade de recompensar ou punir gestores que se desviam das prerrogativas para quais foram eleitos. Esse é outro lado do ideal democrático: no processo de escolha eleitoral, dirigentes ineficientes e sem qualificações técnicas, que descumprem compromissos e metas pré-estabelecidas, podem ser punidos pelos representados.
No pleito eleitoral do dia 28 de janeiro (quinta-feira), novamente a disputa ocorrerá num cenário bipolarizado: de um lado, uma chapa capitaneada pelos profissionais da política e por todos os setores contrários à modernização da UFPI. Ex-gestores que tiveram desempenho pífio em suas administrações agora tentam, num último suspiro, e a qualquer custo, vender uma imagem de integridade, seriedade e preocupação com o ensino superior público e interesses dos professores da UFPI.
No outro lado, há uma articulação de professoras e professores novatos e aposentados (CHAPA 01) que objetivam despartidarizar a entidade agregadora dos docentes e adotar uma postura dialógica e negociadora com os diversos centros, campi da UFPI e Administração Superior. A meta desses segmentos é apontar rumos visando ampliar conquistas docentes e construir canais interativos onde possa coexistir planejamento das atividades a serem desenvolvidas com os dirigentes da ADUFPI.
O papel da ADUFPI, na visão desses setores, consiste em defender as reivindicações de seus associados adotando uma postura de civilidade e de diplomacia com todas as partes onde questões de interesses dos professores e professoras estejam envolvidos. A fiscalização dos atos dos demais gestores da UFPI, quando competir à ADUFPI, deve primar pela seriedade e respeito ao princípio do contraditório. Não sendo assim, o denuncismo oco, típico de gestores autocráticos e de mentalidades provincianas, só aumentará o descrédito a que a ADUFPI vem sendo submetida no decorrer desses últimos anos.
Evitar o aparelhamento ideológico, desmontar o feixe de intrigas e os atos nada republicanos da gestão atual, incetivar uma integração entre docentes, construir laços de solidariedade e pacificação da ADUFPI, são alguns dos objetivos centrais da CHAPA 01. Os apoiadores dessa candidatura, com a vasta heterogeneidade de idéias e pensamentos presente nela, reconhecem que a associação docente da UFPI só incorporará novos agentes e trilhará caminhos diferentes se houver uma radical transformação no modelo gestor adotado no presente.
Indubitavelmente, não será com candidaturas representativas de partidos políticos fisiológicos e clientelistas que a INDEPENDÊNCIA da ADUFPI será conquistada. Candidaturas com esse perfil só conduzem a instituição docente cada vez mais ao seu isolamento e descrédito. Nesse sentido, a CHAPA 01 representa um ponto de inflexão nas ações do velho sindicalismo do século XX e em suas concepções e práticas monocráticas. O TRABALHO de novos doutores somados à experiência de professores e professoras aposentados (A CHAPA O1) pode alterar a rota de declínio que a ADUFPI vem trilhando.
Cleber de Deus – Doutor em Ciência Política pelo IUPERJ e professor da UFPI.