O competitivo processo eleitoral para o cargo de governador do Piauí, com três candidaturas com chances reais de irem para o segundo turno, ganha novos ingredientes ao se iniciar a propaganda eleitoral na televisão e rádio e com o monitoramento cada vez mais sistemático das preferências eleitorais através das pesquisas de intenção de voto.
O monitoramento das intenções de votos no estado vem sendo feito por alguns institutos locais (Amostragem, Capta Votos, Data Az e Instituto Jales) e um nacional (IBOPE). Todos pretendem de uma ou outra maneira MEDIR a opinião pública no quesito da escolha política e partidária. Mensurar a opinião pública não é tarefa simples. Assim, surge uma questão: o que explicaria a diferença entre os resultados obtidos pela pesquisa do IBOPE divulgada no dia 13 de agosto e dos demais institutos locais que apresentam certo padrão na mensuração das preferências dos eleitores piauienses?
A primeira hipótese levantada é que as metodologias empregadas (“definição das variáveis, número absoluto dessas variáveis na população, proporções das variáveis, tamanho da amostra e multiplicação das proporções de cada variável”) pelos institutos explicariam resultados tão diferentes. Todavia, essa explicação é suficiente? Tecnicamente, esse argumento tem algum sentido. Entretanto, falta algo mais robusto para explicar uma súbita mudança nas preferências de intenção de voto.
Um dos requisitos fundamentais da pesquisa científica (e a pesquisa eleitoral se enquadra nessa modalidade) é que pesquisadores analisem o mesmo fenômeno e cheguem a resultados semelhantes levando em consideração os procedimentos utilizados por outros pesquisadores. Se os institutos de pesquisa estão medindo o mesmo fenômeno – intenção de voto – no mesmo intervalo de tempo e cada um apresenta resultado inteiramente oposto, o requisito cientifico não é atingido.
Assim, para se compreender o monitoramento das intenções de voto adequadamente é necessário ter em mente a conjuntura político-partidária do estado. Dessa maneira, vincula-se o conhecimento técnico-cientifico ao mundo real da politica. Por tal via é possível uma compreensão minimamente satisfatória do quadro eleitoral e político do processo sucessório para o governo estadual.
Sendo assim, como interpretar a ascensão do candidato Wilson Martins (PSB) e declínio do tucano Sílvio Mendes (PSDB) num contexto onde não ouve nenhuma alteração repentina da disputa eleitoral e o desempenho estacionário de João Vicente Claudino (PTB)? Qual fato aconteceu para justificar essa alteração das disputas no plano das intenções de votos? Aparentemente, nenhum.
Logicamente, o crescimento das preferências em torno de Wilson Martins (PSB) era esperado. Historicamente, o governo obteve votação, em média, de um terço do eleitorado no primeiro turno. A oposição retém outra parcela importante do eleitorado. O tucano Sílvio Mendes (PSDB) captou tal vantagem de forma meteórica. A máquina partidária petebista foi quem ainda não mostrou o funcionamento de sua engrenagem na capital e interior.
Na aparência, a pesquisa do IBOPE divulgada no dia 13 de agosto mostra-se distanciada dos fatos reais da politica piauiense. Se todos os outros institutos de pesquisas piauienses apontam numa direção e a previsão do instituto nacional caminha em trajetória diversa, alguma coisa não encontra fundamento empírico.
Contudo, não custa relembrar que a mesma surpresa causou o resultado da pesquisa do Instituto Amostragem quando divulgou pesquisa eleitoral onde o candidato Sílvio Mendes (PSDB) surgiu subitamente na liderança das preferências eleitorais dos piauienses a um (1) ano atrás. Evidente que não se afirma aqui a exatidão da pesquisa do IBOPE. Somente é bom não esquecer que o eleitor piauiense, analisando os dados das eleições de 1982 a 2006, tem um comportamento que não maioria dos casos (eleições) é surpreendente. A opinião pública tem uma lógica claramente definida.
Cleber de Deus – Cientista Político e Professor do Mestrado em Ciência Política- UFPI.
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