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Garrincha Conta

Sinto a tua ausência como se fosse assim uma falta de ar

quarta, 24 de fevereiro de 2010 • 16:13
Júlia, Julinha, Julieta.Eu te chamava assim. Aí tu vinhas submissa e terna, quentinha como a tapioca que estavas fazendo no nosso fogão de lenha. Júlia, Julinha, Julieta.Um, dois três anos e nada de noticia.Saiu para voltar no fim do mês.Qual mês ? Qual ano ? Ando percorrendo milhas e milhas antes de dormir e vivo chorando nas noites escuras de frio e suando e chorando nas noites quentes. Igual a uma música que escuto agora, neste minuto e nesta hora. Eu pensava que era conversa fiada este negócio de saudade, coisa só de se fazer poesia, como tem naquele livro do poeta Altevir Alencar. O livro que tu se esqueceu de levar e eu fiquei lendo e chorando nesta vale de lágrimas suspirando e gemendo.”Feliz é aquele que em plena jornada/da vida cai ao peso de suas dores/E o que sozinho, em meio aos dissabores/consegue erguer-se e prosseguir na estrada.” Estrada que te levou, igual ao gatinho que foi embora e não voltou.Ou alguém pegou. E tu, Júlia, Julinha, Julieta, quem te pegou.Amarrou ? Fui comprar um aparelho novo de ar. Sprit. Sinto falta de ar, de tu, de amar. Sufocado.”Passei do espaço triste da alegria/para os redutos da melancolia”. E chega-se a dúvida: mentias ? Agora me chega a dúvida. Mentias ? “Se tu soubesses como é triste , eu saber que tu partiste, sem sequer dizer adeus”.”Adeus cinco letras que choram/num soluço de dor.” Julinha, juras e perjuras, acreditar, acreditei.Com eleitor acredita em promessas de candidatos. Júlia, Julinha, Julieta, minha cesta básica de amor,meu cartão de receber dinheiro na lotérica.Ah, como dói uma saudade e atire a primeira pedra aquele que não sofreu por amor. Pensando no passado e me precavendo para o futuro, procuro na minha mente que não mente se fiz por onde te dar motivo para uma retirada silenciosa nas caladas da noite. Quando vou ao bar do Ligório falo de ti, em ti, choro por ti e eles mangam de mim e eu digo que covarde sei que me podem chamar porque não calo no peito esta dor. E digo, digo mesmo: Atire a primeira pedra, aquele que não sofreu por amor. Júlia, Julinha, Julieta, te chamava assim e tu era só uma mas valia por três ou mais. Meu velho toca-disco que eu nunca me desfiz dele porque só ele pode tocar a Canção de Amor que me faz chorar: “Saudade torrente de paixão/emoção diferente/que aniquila a vida da gente/Uma dor que eu não sei de onde vem.” Sim, não sei de onde vem mas sinto aqui instalada, morando se pagar aluguel dentro do meu peito. E sinto a tua ausência como se fosse assim, uma falta de ar...que este aparelho novo que comprei não consegue me dar este ar. Aquele ar que vinha de ti, somente de ti.

Comentários

zena

postado:
08/03/2010 - 10:34
Valeu, velho! Tu ainda és um romântico(nao sei se o último) que com tuas crônicas nos faz lembrar de épocas de expressão do amor verdadeiro!Parabéns!
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