-Seguinte. Oraldlno, estamos na fase de não sei se vou , não sei se fico. Tu tens os teus problemas e eu tenho os meus. Eu tenho meu filho e tu tens os teus. Tudo morando com os avós.Tu tens o teu salário e eu tenho o meu. Tu tens os teus costumes, manias e eu tenho os meus e as minhas. Vamos nos separar ? Cada qual para seu lado, sem traumas, nem dramas de novelas.
Numa mesa de bar, o casal tomava uma cerveja e se olhava. Cada um avaliando o outro. Os tempos vividos, pouca coisa para quem gosta e muito para quem não gosta. Cinco anos. Uma eternidade se apenas se toleram. Uma semana se o amor é correspondido e se mordem de prazer sexual. Renata, morena de cabelos escorridos que vão para um lado e para o outro quando dança o “reboleixon”, com a mão na cabeça para não perder o juízo. Coisa que Oraldino não aceitou e por causa disso foi a primeira briga e ela nem estava aí, foi para o meio da roda de amigos e amigas e ele foi embora muito puto, dando murros nas paredes quando chegou no apartamento. Entrou. E voltou. O local do “crime”. E ela ainda estava lá.Veio falar com ele e ele fez estupidez. Feio. Foi muito feio, no meio de todo mundo. Ela morta de vergonha pela grossura do namorado coroa. Dor de corno. A que não tem cura. Não tem remédio nas farmácias. É um mal genérico. Ir embora, ela não ia. Estava se divertindo e a vida é muito curta que chega a ser pequena, dizia Totó Barbosa, o boêmio. Amanhã ? O que acontecerá amanhã ? Amanhã será outro dia... Um carro em disparada, uma bala perdida e mal achada. “E a vida ? A vida o que é, diga lá, meu irmão ?“A vida é um punhal com dois gumes fatais. Não amar é sofrer, amar é sofrer demais” E amar uma menina de cabeça de vento que não sabe o que é responsabilidade, não quer ficar quieta, gosta de dançar, de soltar os cabelos... Oraldino, a vida não é só isso que se vê. É um pouco mais. A vida corre mansa como água do rio no verão e rápida quando chega no inverno.Levando tudo de eito. Eito rima com peito, dor no peito, despeito, respeito é bom e todo mundo gosta. A dúvida. Renata. Nata. “ A vida não tem cura, a morte é certa” Vontade de viver, dançar, fecundar, gozar. Dante Milano, viveu no século passado e dizia que a vida é tempo perdido, o que se ganha é tão pouco.Que vale ao morto o vivido ? Que vale ao vivo, tão pouco ? “ A vida não vale nada mas nada vale uma vida”.Pensamentos tristes de quem está com dor de corno. De quem vê a namorada dançando rebolation com os parceiros da idade dela. Ficar ou não ficar ? Esperar que ela se canse de dançar, de suar.. de ser desejada, de ser pegada, amassada ? Ou cair no passo e em terra de sapo de cócoras com ele ? Se fosse ao menos um forró, olha a palha do coqueiro quando o vento dá.... Imbalance, imbalancê, imbalançá... Ah, vida, vida, tem razão a Cecília Meireles” A vida só é possível, reinventada”.