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Garrincha Conta

Na política eleitoral é como namoro.Tem que ficar em cima

quinta, 02 de setembro de 2010 • 15:52
Juscelindo das Dores da Silva decidiu-se a ser candidato a deputado. Hesitava entre estadual ou federal. Partido pequeno.Nanico. Juscelindo das Dores da Silva achava que tinha o sangue bom para mulher e para política. Para mulher já havia provado e comprovado. Três amigações e um casamento. Tudo dado em separação.Pensão alimentícia para a que tinha casado. Foi quando era besta. Agora se considerava sabido, principalmente no rumo de mulher. Sabia que tinha queda para política.Sangue bom para a arte de enganar os outros. Achava que tinha uma boa experiência porque desde menino que andava na casa do vereador Colher de Pau e via que não era estas coisas difíceis não porque Colher de Pau mal sabia assoletrar e era líder do prefeito.Meter as caras.Via que político é bicho que tem sorte no rumo de mulher.Como jogador de futebol e violeiro. Juscelindo das Dores sabia que era preciso dinheiro para a campanha. E para isto tinha ser artista. Como arranjar grana para a campanha ? Só arranjando uma mulher que pode não ser bonita mas que fosse estribada. E dona Carnegilda, sua vizinha, poderia ser a salvação da lavoura. Pesadona, já avó, uma pensão gorda do marido que tinha se ido e deixado um patrimônio invejado pelos vizinhos e parentes. Miserável que só ele, peidava no fogo para não comprar abano e quando se foi para os biliguindins dos infernos tinha deixado uma fortuna para agiota nenhum botar defeito. Dona Carnegilda, cinqüenta anos,bem fornida, ainda se Lembrava da época de namoros na praça, dos apertos perto do poste de luz. Juscelindo sempre passava quando ela estava na janela e dava boa tarde, boa noite, ela acreditando que era tudo na educação. Não sentia no moço sinais de assanhamento, enxerimento, saliência. Pelo contrário, achava até que ele era respeitoso e bem que poderia ser mais promissor. Ah, o tempo...Lembrar do marido, do finado, só na hora de pagar as contas.Às vezes na hora de dormir.Ter alguém para ir buscar água na geladeira. Para ver que barulho era na porta. Solidão.E se viesse um ladrão ?É.Decidiu partir para a batalha.E como na política, tem que se ficar esperta, olho vivo que candidato tem muito, homem tem demais no mundo, mundo vasto mundo cheio de veste calça, o perigo é pegar um picareta, um aproveitador que estes tem muito no mundo e cada vez chegando mais. Eles vem com cara de santo, bonzinhos no começo, depois botam as unhas de fora.Muito cuidado. E o diabo do tempo foi passando e Carnegilda notando que Juscelindo não era tão feio.Não era lindo mas não era feio. Para quem estava num jejum maior do que Moisés no Egito não tinha nada de mais, não tirava pedaço se desse uma confiançazinha ao Juscelindo. E foi assim que mais dias, menos dias, os dois começaram a se falar. O primeiro encontro foi no Extra. Ela a viu olhando umas toalhas que estavam em liquidação e puxou conversa.Depois foram ver uns lençóis e bate papo daqui, bate papo dali. Começaram o namoro propriamente dito. E ele tem sido pontual e diarista. Sabe que no amor o cara tem que fica em cima. Como na política. Já andou conferindo suas contas no banco.Quem sabe, daqui a uns tempos pode até ser candidato a vereador.A casa banca.

Comentários

zena

postado:
17/09/2010 - 10:29
Retratou bem o pensamento do político brasileiro: sempre querendo levar vantagem em tudo e sobre tudo! Um abraço! Zeneide

zena

postado:
10/09/2010 - 07:37
Valeu, velho! Estava com saudade de suas crônicas! Esta foi muito legal! Mostra que político sabe como se dar bem em qualquer situação! Um forte abraço!

Fausto Neves Silva

postado:
04/09/2010 - 08:57
Muito boa a comparação sendo que a politica é como o amor, aliás, pólitica é muito amor.Amor que estes picaretas tem pelo dinheiro e pelas posições. Valeu Garrincha !

ivo@hotmail.com

postado:
03/09/2010 - 18:11
Valeu kbinha (Luciano)...a coluna do véio merece..o texto foi foi shox de bola!
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