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Garrincha Conta

Sozinho na noite

terça, 07 de dezembro de 2010 • 18:03
Sozinho na noite. Antonino de Deus sozinho na noite. Procurar alguém. Procurar quem ? Ainda ontem pensava em morrer. Fez bem em não ter morrido. Hoje só pensa em viver. Bebendo rum com coca, terceira dose,procurava uma mulher que desse na sua bitola. Nem nova nem velha, nem gorda nem magra, nem feia nem bonita. Não sabia nem dizer como é que queria esta mulher. Só sabe que quando visse, botasse os olhos em cima ,ia saber, era aquela.Podia ser Rosabela, Maristela,Manuela, nem feia nem bela. Quando ela chegou, ela olhou, falou e convidou.Pediu para que ela se sentasse. Não fizesse cerimônia .Segunda dose de rum. Beber sem tira-gosto não é legal. Música boa, chegando gente, hoje a noite estava legal. Antonio de Deus já não estava mais sozinho.Á procura de um pé de conversa, de uma mulher nem feia nem bonita,nem gorda nem magra. Uma que desse na sua bitola. E, então ela saravou e chegou.E botou os olhos em todos. Olhada geral. Como que procurando alguém. Um bem. No Pingo Dagua ninguém é de ninguém. Assim como quem não tem ninguém. Não se lembrava de te-la visto antes. Como é que pode morar nesta cidade, onde todo mundo se conhece ele sem conhece-la ? Casada, solteira, viúva...Puxar conversa. Uma abordagem. É tão suave a noite...e chamou para sentar. Sentou. Educadamente.Ele, cheio de moral, pediu para o garçon atender a sua nova convidada.trazeruma nova dose para aquela mesa. Sentiu que ela era encabulada. Tímida verdadeira ou era faz de conta ? Nome. Andrelina Faustina da Consolação de Maria. Morava no “Vamos Ver o Sol”. Estava em casa de amiga, ali na Piçarreira, tinha vindo de moto-taxi, conhecia o local, já tinhaestado uma vez com uma amiga mas não tinha se acpmpanhado de ninguém. Separada.Sem filho. Só teve uma menina mas ela está no céu. Antonino de Deus sentiu que ela era uma boa alma e ele tinham obrigação de protege-la, agora e na hora de tirar os panos. Pediu um tira-gosto de filé com fritas. Sabia que aquela carne da casa nunca fora filé. Conhecia o truque.Do amaciamento com leite de mamão. Toda carne dura vira filé. Com fritas. A música os convidavam para o salão. Boleros. Criminosamente massacrada pelo cantor que teimava em “cantar” em espanhol do Paraguai e não sabia nem em português. Fazia muito tempo que Antonino de Deus não se sentia tão romântico e tão bem acompanhado. E assim,foi até á meia noite quando Andrelina Faustina da Consolação, pediu licença para ir ao sanitário. Ele concedeu. E nunca mais a viu. Nem o seu celular, último modelo comprado de manhã, lançamento de fim de ano das lojas Timon.

Comentários

postado:
23/12/2010 - 14:31
Garrincha vou morar no Itarare e deixar de ler tuas cronicas.

evaldo

postado:
17/12/2010 - 00:45
garrincha, voce é impagável. conta umas dos tempos de um prego na chuteira, dos pastéis da dona maria divina, e dos boleiros dos velhos tempos.

Zeneide

postado:
14/12/2010 - 07:31
Velho, tu és demais! Que beleza de crônica! Continue assim com essa criatividade e inteligência que Deus te concedeu! Feliz Natal e um Novo Ano Pleno de realizações!

Iran Peixoto Lima

postado:
13/12/2010 - 11:27
Garrincha você está mesmo parecendo o grande Luís Fernando Veríssimo.Parabens. Iran
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