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Marta Tajra

Todo ano ela faz tudo sempre igual...e nada!

Monday, 08 de June de 2015 • 00:32
Texto e fotos de André Pessoa/ Título de Marta Tajra

Parece ladainha ensaiada: todo ano a pesquisadora Niéde Guidon, 82 anos, utiliza os veículos de comunicação do Brasil e do exterior para alertar que o Parque Nacional Serra da Capivara pode ser fechado para visitação pública por falta de recursos. Para quem não conhece a realidade, as "ameaças" soam como chantagem, exagero ou "mise en scène" - expressão francesa que está relacionada com encenação.

Niéde é brasileira, ao contrário do que muitos pensam. Nasceu em Jaú, interior de São Paulo, mas deu sua vida ao Piauí, 40 anos de dedicação exclusiva. É descendente de franceses, por isso, foi buscar sua especialização em arqueologia na terra que mais entende do assunto - na época o Brasil não tinha cursos nessa área. Hoje tem até cursos públicos de arqueologia, um deles na pequena São Raimundo, resultado direto de sua saga que inclui o tombamento da reserva como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Inclusive, foi a França, através da Universidade de Sorbonne, quem pagou seu salário para que ela trabalhasse no Piauí nesses anos todos. O que poucos sabem, é que a Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), entidade científica criada por sua equipe, não tem dotação orçamentária específica. Ou seja, não dispõe de recursos garantidos para a manutenção do Parque Nacional Serra da Capivara, uma obrigação e responsabilidade do Governo do Brasil. Para pesquisa cientifica, graças a importância dos estudos, nunca faltou verbas.

Porém, como todos nós sabemos, num país onde os cortes orçamentários atingem dos direitos dos trabalhadores até os ministérios da Educação e da Saúde, imaginem a área ambiental?
O Ministério do Meio Ambiente, responsável pelo IBAMA e ICMBio, vive às minguas, sem recursos sequer para material de consumo ou itens básicos como água, papel higiênico e produtos de limpeza.
Assim, para que a Serra da Capivara consiga manter toda a estrutura implantada na região, inclusive o parque aberto à visitação, a FUMDHAM precisa fazer projetos anuais específicos.

E isso explica claramente o repetido drama. Como os recursos acabam, é necessário fazer outros projetos, buscar novos patrocinadores, e isso cansa, desmotiva e preocupa. Com 82 anos e a saúde já abalada, quantos anos ainda vamos esperar para exigir do governo do nosso país uma atitude do tamanho e da importância da Serra da Capivara?

Infelizmente Niéde não é eterna, um dia a natureza vai pedir sua presença em outra dimensão. E deve ir muito triste por saber que sua dedicação não foi suficiente. Fica a pergunta: e aí, onde a Serra da Capivara vai parar?

Não se enganem. Todas as imagens em anexo só foram produzidas graças a conservação da Serra da Capivara nesses 36 anos de criação do parque, e tudo isso pode acabar num piscar de olhos. Com este alerta e algumas imagens espero despertar e sensibilizar nossos governantes.

Para ver outras fotografias desse patrimônio da humanidade, acesse o site: www.flickr.com/photos/andrepessoa



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