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Marta Tajra

Maria Luiza, eu e o SALIPI.

Monday, 09 de June de 2014 • 09:52

O 12º Salão do Livro do Piauí acabou ontem (8) e nada melhor para simbolizar esta feira que uma pequena historinha que passo a contar agora. Andava eu despreocupada, perambulando pela feira e procurando alguns amigos quando topei com o Airton Gomes, amigos de longas datas que já presidiu o Arquivo Público do Piauí, entre outras entidades ligadas ao setor cultural do estado.

Airton andava acompanhado da filha e da neta, a pequena Maria Luíza de sete anos. Quando ele me viu, fez aquela festa (há tempo não nos víamos) e fez questão de me apresentar à neta pedindo para tirar uma foto com ela. Até aí nada demais. Mas, o jeito como nós fomos apresentadas foi que causou impacto, tanto em mim como em Maria Luíza. Enfatizando que a menina estava diante de uma escritora, e pedindo que não esquecesse meu nome, Airton tirou uma série de fotos minhas com Maria Luíza, sem parar de falar um minuto, frisando a importância daquele fato histórico, ou seja, do encontro de Maria Luíza com a ‘escritora famosa’, como se referia a mim.

A princípio eu sorri da ‘brincadeira’, mas depois de um tempo percebi que ele não estava brincando e que Maria Luiza estava tão impressionada comigo como se tivesse diante da própria J. K. Rowling, a autora da saga de Harry Porter. Ela não falava uma palavra - e nem podia, o avô não deu espaço para isso. Mas os olhos dela não paravam de me inspecionar e brilhavam mais que o holofote da praça de alimentação, onde estávamos. Para ela,  foi uma noite de glória. Para mim, uma espécie de dever de casa. Claro que Maria Luíza só lerá 'A História do Comércio de Teresina' quando estiver na faculdade. Isso se for uma apreciadora da leitura (com um avô desses, provavelmente será).

Mas, naquele momento, e somente naquele momento, ou seja, nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo do SALIPI, recebi a minha primeira grande lição: da importância e da grande responsabilidade de um escritor – e do que ele escreve -  para seu público. Uma criança expressa melhor esse tipo de sentimentos que o adulto. E foi através do olhar inquieto e admirado de Maria Luiza que percebi também outra grande lição: da importância do contato do autor com seu público.

Laurentino Gomes, que deu palestra na terça feira sobre o ultimo livro da sua trilogia –o 1889 - frisou isso com muita lucidez. O público quer, não apenas ver seu escritor, mas conversar, senti-lo, admirá-lo e, se possível tocá-lo para acreditar que ele – ou ela - é real.  É dessa forma, e somente dessa forma, que o ciclo se fecha. Não há fórmula mágica. Isso eu também pude perceber quando chegava ao estande onde estava exposto meu livro. As pessoas queriam comprar, mas também queriam conversar sobre o livro, tirar fotos e até trocar amenidades...enfim, tudo era desculpa para estarem ali, perto de mim.

Desde que este fato não suba à cabeça de nenhum escritor ou escritora, isso é ótimo, tanto para um quanto para outro.  Maria Luiza vai dormir hoje com a certeza que conheceu a autora de Harry Porter (ou pelo menos uma réplica dela) e eu, com a certeza de que aprendi um pouco mais sobre a importancia e a grande responsabilidade de escrever, através do olhar puro de uma criança.

Na foto, Maria Luiza e eu, unidas pela magia da leitura e mais abaixo, com os escritores Geraldo Borges, Kenard Kruel e Divaneide de Carvalho, encerrando o SALIPI 2014.   
 
  

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