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Marta Tajra

Brasileiros e libaneses: como começou esta história?

segunda, 31 de outubro de 2011 • 00:44

Montado em uma égua branca, que fazia lembrar a figura de um cavaleiro medieval, e acompanhado de uma comitiva de 200 pessoas (entre elas, barões, viscondes, baronesas, damas de honra...), o segundo e ultimo imperador do Brasil resolve, em 1876, realizar um sonho de adolescente: conhecer 4 países do Oriente Médio, entre eles o Líbano. Tinha, então, quase 50 anos de idade e a barba branca que o caracterizou nos livros de história do Brasil que conhecemos hoje.
Foram apenas 4 dias nos país dos cedros, mas  Pedro II conseguiu descrever com uma riqueza de detalhes impressionante esta viagem em seu diário particular de bordo, numa linguagem romântica (beirando a melosa), dedicado todo ele a uma mulher, Luiza Margarida Portugal e Barros, a Condessa de Barral, a paixão do imperador, sua melhor amiga, e  grande incentivadora, que o acompanhou até seus últimos dias, em Paris, onde faleceu no exílio.
Este diário com as suas impressões, desenhos e anotações pessoais, além das fotos de sua passagem pelo Líbano e outros documentos cedidos pelo Museu Imperial de Petrópolis e pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, estarão expostos no Sesc de São Paulo, a partir de 24 de novembro próximo, com entrada franca. Comemora os 135 anos de sua visita a este país do Oriente. Quem promove é a Associação Cultural Brasil-Líbano, dirigida pela dinâmica Lody Brais, e contará na solenidade de abertura, com o lançamento feito pelos Correios do carimbo comemorativo alusivo à data (projeto de Lei 5.740/09, sancionado pelo Senado Federal, que institui o dia 22 de novembro como o Dia da Comunidade Libanesa no Brasil, a pedido da própria Associação Cultural Brasil-Líbano).
Na oportunidade, o público terá oportunidade de conhecer em pormenores a rota do imperador ao Oriente Médio, e a rota da imigração libanesa para o Brasil, elaborada pelo mestre de Relações Internacionais Gustavo Chacra. Para quem não sabe, o Brasil é o país que abriga o maior número de libaneses e de descendentes no mundo (estimado em 8 milhões) e esta turma não está aqui por acaso.
Em sua turnê pelo Oriente, o imperador brasileiro viajava com uma missão em mente: divulgar o Brasil mundo afora, particularmente aos povos árabes, por quem nutria grande admiração. Tornou-se assim, o primeiro relações públicas de nossa história vendendo a idéia de um país cheio de oportunidades e atraindo, desse modo, a grande imigração em massa dos povos árabes para o Brasil. Foi o pioneiro nas relações Brasil- Mundo Árabe.  
Dominando a língua árabe e convencendo pessoalmente as pessoas de seu intento, o imperador mudou o destino e a identidade da nação brasileira numa dimensão que nem ele próprio imaginaria, na época.  Fato suficiente para se comemorar num evento que já entrou  para a agenda de São Paulo, capital cultural da América do Sul. Afinal, quem não tem um amigo descendente direto desses povos? Quem ainda não experimentou a esfirra ou o quibe, que entraram gostosa e definitivamente para o cardápio brasileiro?
No Piauí, alguns libaneses se fixaram em Floriano. E em Teresina, a família Sady, originária de Zahle, do qual faço parte como estatística por parte de avó paterna, se destacou como uma das grandes empreendedoras do comércio local, com destaque para a figura de Miguel Sady, o fundador do CrediSady, na Praça Rio Branco, e criador do crediário tal como conhecemos atualmente.
Portanto, quem estiver na terra da garoa, por volta dessa data, como eu pretendo estar, terá a excelente oportunidade de conhecer in loco como se deu viagem do imperador pelo Líbano em seus pormenores, além da louca e fascinante saga desses bravos e corajosos imigrantes pioneiros que vieram do outro lado do mundo, arriscando tudo, inclusive a própria vida.
A exposição ficará por 60 dias no SESC- SP que fica na Vila Mariana (Rua Pelotas, 141), com solenidade de abertura marcada para o dia 24 às 20h30. A Associação Cultural Brasil-Líbano, que está promovendo o evento, tem como presidente a senhora Lody Brais que possui um histórico de realizações em prol da comunidade libanesa no Brasil e, por causa disso, tornou-se uma referência quando o assunto é o Líbano.

Fica aqui a sugestão para que o SESC -Pi, traga esta exposição para Teresina, para deleite de todos os pesquisadores, amigos e descendentes dos povos árabes que aqui residem.
 

Comentários

Jorge Guilherme Haddad

postado:
04/11/2011 - 10:18
Boa Sugestão Marta, temos tantos descendentes brimos aqui, que seria sucesso de visitas...

Josefina Lemos

postado:
01/11/2011 - 15:21
Quer dizer que o 'culpado' pela chegada do kibe e da esfirra no Piauí foi o senhor Pedro II, heim!!! Mas, que culpa gostosa, essa! E que tino empreendedor teve este imperador...dava um bom livro, não dava? Josefina.

Ronaldo Viieira

postado:
01/11/2011 - 10:51
Posso garantir que o comércio piauiense se desenvolveu mesmo quando estes libaneses chegaram aqui. Lembro ainda do CrediSady e do sr. Miguel Sady, pelo qual, tinha grande simpatia e admiração. Um empreendedor nato. Você deveria escrever a história desta saga no Piauí, já que conhece mais intimamente e faz parte da família. E ainda, escreve super bem. Aceita? Eu banco a publicação. Ronaldo (seu amigo e também admirador)

Olavo Meireles

postado:
01/11/2011 - 09:50
Muito bom se esta exposição viesse parar por aqui também, do mesmo jeito que os libaneses que por aqui aportaram. Sou amigo de toda a colonia árabe no Piauí e admiro sua coragem e ousadia.
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