Pela primeira vez na história do Piauí, passados cem mil anos, (sim, nossa história começou há, pelo menos, cem mil anos), um grupo de notáveis piauienses se reuniu, entusiasticamente, para tentar salvar os resquícios dessa história cravados e pintados, artisticamente nos gigantescos cânions do sudeste piauiense, no chamado Parque Nacional da Serra da Capivara. Este fato histórico deu-se no dia 6 passado, no auditório do Conselho Regional de Medicina, cedido gentilmente pela classe médica, e reuniu, além de médicos, advogados, físicos, fotógrafos, jornalistas, arquitetos, escritores, historiadores, humoristas, cantores, poetas, arqueólogos, professores e até empresários. Todos ligados na mesma emoção, tudo em um só coração: a salvação de um tesouro arqueológico que além de divisas, poderá resgatar a identidade piauiense e brasileira, perdida na poeira dos tempos e contada de modo equivocada nos livros da história atual.
Tombada pela UNESCO, como patrimônio cultural da humanidade, a Serra da Capivara e todo o seu acervo de pinturas rupestres (o maior do mundo), encontram-se ameaçado de extinção por falta de verba, por falta de uma estrutura que possa trazer turistas ao Parque, por falta de respeito ao que temos de mais rico na formação de nossa identidade, a nossa própria história. Chamaria de isto de burrice ou de desleixo político? Sinceramente não sei, o leitor escolhe.
Depois de uma palestra com a arqueóloga Conceição Lage (foto abaixo), sobre as belezas e os problemas atuais do Parque, complementada pela fala da administradora do Parque Rosa Trakalo e Elizabete Buco, (a arquiteta do Parque), o movimento, chamado
Manifesto Capivara, foi solenemente assinado por 68 pessoas, sendo que, mais duzentas assinaturas serão solicitadas entre as melhores cabeças pensantes do Piauí. O destino deste documento estará nas mãos do governador Wilson Martins, em data agendada. É ele quem terá a importante e nobre tarefa de entregar pessoalmente à presidente Dilma Roussef, e, quiçá, conseguirá convencê-la e sensibilizá-la a fazer uma visita ao Parque.
A intenção é óbvia: como brasileira e mandatária maior deste país, ela vislumbraria pessoalmente a beleza do Parque e, por reboque, a possibilidade de um retorno financeiro através do fluxo de um turista especial, aquele que não vem ao Brasil atrás de bundas de mulatas no carnaval ou do turismo do sexo. Mas, um turista que entende e valoriza a beleza natural de um tesouro arqueológico como o do sudeste piauiense, um turista que deixa divisas para o país e que retorna, trazendo a família e os amigos. Um turista que pode mudar a imagem do Piauí e do Brasil que se tem mundo afora.
Nesta ocasião, foi criada o “AMAR- O- PARQ”- a Associação de Amigos do Parque da Serra da Capivara, dispondo-se a lutar e defender este tesouro histórico que conta a odisséia dos primeiros homens americanos em terras piauienses. Com uma quantia simbólica de cinco reais mensais, qualquer pessoa pode se associar desde que se comprometa a ajudar o Parque, da maneira que melhor puder. Os interessados poderão se associar através do e-mail da Sra. Rosa Trakalo (foto abaixo), uma simpática uruguaia, que administra o Parque há muitos anos: rtrakalo@fumdham.org.br
Entre os presentes, o presidente da OAB-PI, Sigifroi Moreno, que juntamente com a arquiteta Alcília (Kaki) Afonso, sugeriram uma viagem a Serra da Capivara pelo grupo presente, e em janeiro próximo, para que se constate
in loco, a real situação do Parque, inclusive o espaço onde o aeroporto internacional já deveria estar funcionando atualmente, nas proximidades de São Raimundo Nonato. As primeiras verbas para este aeroporto chegaram ao Piauí em 1997, vindas do orçamento do próprio Palácio e autorizada pelo presidente de então, Fernando Henrique Cardoso. O resto da história não é muito difícil de imaginar ou de concluir.
Bastante representativo, o Manifesto foi assinado por nomes como o do economista Felipe Mendes; advogados Luiz Gonzaga Viana e Sigifrói Moreno; arquiteta Kaki Afonso; escritor Jesualdo Cavalcante e professora Socorro Cavalcante; pesquisador e poeta Paulo Machado, humorista João Claudio Moreno; ex-deputado estadual Gustavo Conde Medeiros; poeta e jurista Rogério Newton; professor Cinéas Santos; médicos Lauro Lopes Filho, Luiz Ayrton Santos Junior, Gisleno Feitosa e Sonia Santos; jornalistas Genu Moraes e Marta Tajra, fotógrafos Aureliano Muller, Paulo Gutemberg e Quaresma Dourado; cantora, Fátima Castelo Branco; historiadores Claudete Dias e Rubens Luna; arqueóloga Conceição Lage; vereadora Teresa Brito, professor e ex reitor da UESPI, Jônatas Nunes e muitos, muitos outros.
As fotos aqui reproduzidas foram feitas pelo conhecido fotógrafo Aureliano Muller, que nada cobrou pelo seu trabalho, em prol do Parque. Portanto, Viva a sociedade civil organizada do Piauí. Viva a sociedade alternativa! E viva principalmente o Parque Nacional da Serra da Capivara! O homem mais antigo das Américas está em alta (ou seria em alfa?) e entrou definitivamente para a Era Tecnológica. E eu fui escolhida como musa inspiradora das cavernas (rsrsrs) pelos amigos que apoiaram o movimento. Adorei o título.
Vida longa para o Parque e para a Dra. Niéde Guidon, a pioneira deste trabalho, a quem devemos muito!
Mais fotos. Na sequência a jornalista e historiadora Marta Tajra e os médicos Luiz Ayrton Santos Junior e Gisleno Feitosa, que lideraram o
Manifesto Capivara, agora entregue nas mãos da sociedade civil organizada do Piauí.