Para que um aeroporto internacional em São Raimundo Nonato?
segunda, 09 de janeiro de 2012 • 02:05
Esta foi a pergunta que o nosso vice governador Moraes Sousa Filho fez, ao fechar das luzes de 2011, durante a solenidade de assinatura da ordem de serviço de uma grande obra da Agespisa, em sua cidade natal, Parnaíba. Segundo o Jornal O Dia, que publicou a notícia, Moraes Sousa argumentou que o governo precisa focar primeiramente em obras de infra estrutura que tragam resultados concretos principalmente na área econômica. E, citou nominalmente o aeroporto de SRN, que já consumiu muito dinheiro sem ser concluído.
Segundo ainda o jornal, o vice que estava como governador neste dia (por causa da viagem de Wilson Martins ao exterior), questionou a construção de um aeroporto de tamanha dimensão numa cidade onde tudo falta, principalmente a infra estrutura necessária para atrair o turista.
Duas coisas há de se concluir desta notícia acima: ou o repórter noticiou uma fala falsa do nosso vice governador ou este ultimo ainda não sabe que grandes grupos internacionais (entre estes, chineses e árabes), estão justamente esperando a conclusão deste bendito aeroporto para começarem a investir em obras de infra estrutura na pequena cidade de São Raimundo Nonato, a sudeste do Piauí.
Que obras seriam estas? Ora, o próprio aeroporto seria uma delas, (se o governo do estado passasse a concessão a um destes grupos, é claro). O grupo árabe dos Emirados, o mesmo da empresa de aviação Emiraites, já manifestou interesse... por motivos óbvios. O governo entraria apenas com uma pequena contrapartida necessária, no caso, energia, água e outros da sua ossada.O aeroporto, que recebeu sua primeira verba no longínquo ano de 1997, já deveria ter sido concluído, se não fossem por pequenos problemas de interesses, digamos assim, políticos pessoais.
Soube também que o deputado Fábio Novo (PT), argumentou a boca miúda, que nenhum aeroporto internacional pode ser concluído em menos de 10 anos. Fazendo uma simples conta aritmética, se as primeiras verbas começaram a chegar em 1997, já teríamos dois aeroportos construídos e funcionando a todo vapor, (se não fossem interesses, digamos assim, políticvos pessoais.) E em segundo lugar, acho que em outros países (sérios), este argumento seria motivo até de piada. Isso, decididamente, só acontece no Brasil, deputado!
Entre outras obras, entrariam também, a construção de hotéis de luxo, resorts e até parques temáticos, que contariam, com tecnologia de ponta ,a vida primitiva dos primeiros homens americanos no Piauí. Se tudo isso passasse do papel para a vida real, teríamos um fluxo inicial (eu disse, inicial) de dois milhões de turistas ao ano. Isto não é conclusão minha, que sou leiga no assunto, mas de um estudo (sério), de uma empresa suíça que, entre outras coisas, elaborou um plano de desenvolvimento turístico para esta região quando aqui esteve.
Além disso, técnicos do Banco Interamericano fincaram o pé durante dois meses pelas bandas de São Raimundo Nonato e chegaram a conclusão óbvia que a agricultura naquela região nunca daria resultados, devido ao solo arenoso, raso, salgado e cheio de pedras. Afinal estamos falando da caatinga. Mas...que o turismo tinha um potencial muito grande, pois além da beleza natural, havia os sítios arqueológicos tombados pela UNESCO, como patrimônio cultural da humanidade, título que por si só, diga-se de passagem, atrairia turista do mundo inteiro.
No entanto, estes mesmos técnicos chegaram a conclusão (óbvia, naturalmente) que havia a necessidade imediata da construção de um aeroporto, pois o local era afastado e de difícil acesso. Assim nasceu a idéia deste bendito aeroporto, para quem ainda não sabe. A FUMDHAM, então elaborou um pedido ao governo federal, colocando em anexo, o original dos relatórios suíços e dos técnicos do Banco Interamericano. A arqueóloga Niéde Guidon entregou pessoalmente este precioso calhamaço no Palácio do Planalto (via Marco Maciel), em 1995 e, em 1996, depois de muitas viagens à Brasília, finalmente o Aeroporto Internacional de São Raimundo Nonato foi oficialmente criado e aprovado.
Infelizmente, quando a verba chegou ao Piauí, foi usada para outros fins, que não o do aeroporto. Depois disso, outras verbas foram liberadas... mas nada de aeroporto. Esta pequena historinha serve para mostrar que, quando o poder público não quer enxergar o óbvio, não adianta argumentar e nem bater o pé. O governo só enxerga o que quer. Pena que tenha uma visão tão míope da realidade.
No fechar das luzes de 2011 porém, depois de muito bla bla bla na mídia, um pequeno grupo da sociedade civil organizada do Piauí, consciente da importância (para nós, piauienses) do Parque Nacional da Serra da Capivara e dos achados arqueológicos ali encontrados, achou por bem fazer um manifesto, dito Manifesto Capivara, onde contariam assinaturas de pessoas representativas do nosso pequeno universo pensante e atuante, para entregar ao governador do estado.
Este, terá a incumbência de levar o manifesto até a presidente Dilma, e fará pessoalmente o convite para que esta visite um dos cartões postais mais representativos do Brasil. E, que, entre outras coisas, se for levado a sério, mudará a cara do Piauí, e quiçá, do Brasil no mundo inteiro. Por motivos óbvios também!
Deu para entender tudo agora?
Até o final de janeiro, este grupo que participou e assinou o Manifesto Capivara fará uma viagem até a Serra da Capivara para ver in loco, as condições em que se encontra este tesouro natural da humanidade, tombado pela UNESCO. E, é claro, as 'obras' do aeroporto internacional. Convido aqui o vice governador do Piauí, que é pessoa muito boa e interessada nos problemas do Piauí, além do deputado Fábio Novo para acompanhar o grupo até aquele município.
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Comentários
Kleber
postado:
23/03/2012 - 10:30
Comentários como esse que acabamos de ver só retrata o modo como nós piauienses nos vemos, nem se quer imaginamos a grande potencialidade turística de nosso estado. Além do mais por ser um povo em sua maioria analfabeto, acaba-se por não sentir nenhum atrativo pelo turismo arqueológico. O aeroporto é fundamental não só para o turismo, mas também como forma de desenvolvimento do estado como um todo e em todas as suas características.
José Teófilo Cavalcante
postado:
11/01/2012 - 08:34
Sou obrigado a concordar com o Vice Governador Zé Filho, pois falam muito ness bendito Aeroporto de São Raimundo Nonato, mas qual é a vantagem de um Aeroporto em São Raimundo Nonato, nem fluxo de passageiro tem. Melhor mesmo é o Porto de Luís Correia entre outras obrs
Teófilo - Teresina - Pi