Homepage
RSS
Twitter

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Busca
Todos as Colunas

Rodrigo Mesquita

O Registro de Identidade Civil e os riscos à liberdade

terça, 22 de setembro de 2009 • 09:57
Foi aprovado pelo Senado no último dia 16 projeto de lei que unifica os números dos documentos de identificação. O Projeto de Lei 46/2003, iniciado na Câmara, agora segue para sanção presidencial.
 
De autoria do Deputado Celso Russomanno (PP-SP), o projeto visa à inclusão dos arts. 3ª-A, 3º-B e 3º-C à Lei nº 9.454/97 que instituiu o número único de Registro de Identidade Civil (RIC).
 
Tal inovação legislativa determina que todos os documentos de identificação (CPF, CNH, Carteira de Trabalho, entre outros) tenham o mesmo número do RIC. O registro conterá, ainda, o tipo e fator sanguíneo do indivíduo, que, caso deficiente e mediante requerimento, poderá ter, ainda, carimbo que ateste sua condição física afixado à sua cédula de identidade.
 
A nova carteira de identidade teria formato plastificado, semelhante a um cartão de crédito, e conteria um microchip para o armazenamento de informações pessoais do seu titular.
 
Alardeada pelos defensores do projeto como uma mudança relevante em relação ao paradigma atual, onde a responsabilidade dos estados-membros da Federação pela identificação civil somada à parca segurança das cédulas atuais facilita a ocorrência de fraudes, a alteração que visa à reunião de dados sobre todos os cidadãos em um único banco de dados central pode trazer incomensurável insegurança à liberdade do indivíduo.
 
A centralização vislumbrada pelo PLC 46/2003 foi estudada, há décadas, em diversos outros países. Na maioria dos casos, a proposta foi rechaçada após reações populares e parlamentares ao poder desmensurado que a medida garantiria ao Estado em relação ao cidadão, além do fato de que o banco de dados centralizado com informações pessoais necessário para administrar o sistema seria extremamente sensível como potencial alvo de ataques e intrusões, entre outros fatores.
 
Por motivos semelhantes, os Estados Unidos não aprovaram a criação do NDC (National Database) e a França recuou na implementação do SAFARI (Système Automatisé pour les Fichiers Administratifs et le Répertoire des Individus), ambos iniciativas de um banco de dados central nas mãos do Estado que foram propostas entre o final da década de 1960 e o início da década seguinte.
 
Alguns países foram, inclusive, mais adiante, no sentido de incorporar às suas leis dispositivos com a missão de funcionar como espécies de anticorpos contra tais medidas. Portugal, por exemplo, em sua Constituição prevê no artigo 35 (relativo à utilização da informática):
 
“5. É proibida a atribuição de um número nacional único aos cidadãos.”
 
Chama a atenção a forma como uma iniciativa análoga, ao ser proposta no Brasil, não suscite o debate público quanto às suas características potencialmente danosas às liberdades públicas, ao mesmo tempo em que é encarada apenas sob o ponto de vista de seus predicados.

Comentários

Paulo Roberto

postado:
23/09/2009 - 20:05
cara, estou passando só para prestigiar sua coluna e parabenizá-lo pelo seu trabalho. Seu texto apresenta autoria, algo que é raro nos protais. abração...

Luan Moraes

postado:
23/09/2009 - 11:54
Quando li sobre a futura implantação desse Registro de Identidade Civil(RIC), não atentei para esse lado da questão, realmente será perigoso tanta informação centralizada se não forem tomadas as devidas providências com relação à segurança e como serão utilizados esses dados, contudo o Brasil é o Brasil, mesmo com esse potencial perigo acredito que não haverá manifestação popular opositora, uma vez que já está até sendo implantado. Devemos ver as vantagens que trará, tal como uma diminuição na burocracia na obtenção do documento, a praticidade de um registro único e integrado com todos os estados, além de um série de outros benefícios. Agora é esperar e torcer para que funcione perfeitamente aqui em nosso país, quiçá podemos até ser exemplo de eficiência para as demais nações. Parabéns Rodrigo.

Fabio

postado:
23/09/2009 - 11:09
Mesma coisa da urna eletrônica. Vai ser imposto e tchau. A questão técnica vai ser deixada de lado sob o argumento imbecil da modernidade. Se a cédula hoje é falsificada por qualquer um, vai passar a ser falsificada nao so ela, mas tudo de uma vez habilitacao, cpf, tudo - por qualquer um e em lotes.

Lucas Villa

postado:
22/09/2009 - 19:47
Grande Rodrigo, Parabéns pela coluna. Sou já seu leitor assíduo. E quanto ao registro único, é realmente importante que fiquemos ´não só com uma, mas com várias pulgas atrás da orelha. Sou absolutamente contra qualquer tipo de medida que pretenda dar mais poderes ao Estado, "o mais frio de todos os monstros", em detrimento aos direitos individuais. O maior risco desta era digital é aquilo que Foucault chamava "panoptismo". grande abraço
COMPARTILHE COM AMIGOS
ENVIE SEU COMENTÁRIO

O Portal AZ é apenas o meio contratado para divulgação deste material.
Todo conteúdo, imagem e/ou opiniões constantes neste espaço é de responsabilidade civil e penal exclusiva do blogueiro.
O material aqui divulgado não mantém qualquer relação com a opinião editorial da empresa.

portal az - Informação de Verdade
Todos os direitos reservados © 2000 - 2010