
As pesquisas eleitorais no Estado de São de Paulo apontam que o candidato a deputado federal pelo Partido da República - PR, antigo Partido Liberal – PL, Tiririca, será um fenômeno eleitoral, a ponto, inclusive, de formar a sua própria bancada: A bancada do Tiririca.
O Tiririca é candidato por um partido que apóia a candidatura do petista Aluísio Mercadante ao governo do Estado e tem se destacado, sobretudo, na propaganda eleitoral pelas as seguintes frases: “O que é que faz um Deputado Federal? Na realidade eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto.” “Vote no Tiririca, pior que tá (sic) não fica.” O candidato petista tem admitido, de público, que a campanha do Tiririca tem lhe provocado desconforto e que comunicou o fato ao presidente do PR-SP, sustentando que o eleitor deve votar em pessoas que teem história e não deve desperdiçar o voto em brincadeira.
O discurso do candidato petista ao tentar desqualificar o formato da campanha do Tiririca está condizente com a história de seu partido antes de alcançar o poder. Contudo, não reflete a realidade atual, pois ao chegar ao Planalto o Partido dos Trabalhadores tenta impor ao País um consenso em torno de seu projeto de poder, e tem conseguindo atrair para suas fileiras todo aquele que aceita usufruir benesses do Estado, independentemente de seu passado nada republicano, sob a condição de fidelidade à sua pretensa hegemonia.
Não é preciso que todos sejam petistas ou se enquadre integralmente ao estatuto do partido, é claro. A exigência é que sejam fiéis ao projeto de poder. Até porque, se o Tiririca fosse filiado ao Partido dos Trabalhadores o candidato Mercadante não poderia invocar o discurso, em seu favor, de “que os eleitores têm que votar em quem tem história e projetos”.
Ora, o PT tem recomendado o voto a figuras acusadas pelo próprio PT de práticas políticas que resultaram em até processo de cassação de mandato, a exemplo do ex-presidente Fernando Collor, e que hoje é seu fiel aliado.
Do contexto, o discurso do Mercante e do Tiririca, fica a conclusão de que o Tiririca serve ao projeto do PT de duas formas: ajudará a reforçar a bancada de partidos que os aplaude condicionalmente e, estando fora do PT, se presta para reforçar o discurso petista de que é diferente dos demais partidos que integram o seu governo e que somente eles – do PT - teem história e projetos em favor do Brasil.
É evidente que o humorista Tiririca não tem a mesma formação do economista Mercadante e adotam estratégias diferentes para conquistar o voto do eleitor. O Mercadante, a exemplo da cúpula do partido, tem um projeto de poder bastante delineado doutrinariamente, em busca continua do aparelhamento das instituições, sejam públicas ou privadas. Basta citar a imprensa, cada vez mais pautada pelo governo, a ponto de ficar impedida de fazer críticas isoladas ao atual governo. Para o PT, o meio de comunicação somente é isento, não aliado ao seu adversário, se ao criticar o governo Lula, no mesmo texto, crítica, também, o governo de seu antecessor, o governo Fernando Henrique.
Há no método petista de fazer política a lógica defendida pelo teórico italiano Antonio Gramsci em defesa da necessidade de se criar um moderno Príncipe, que não seria o Lula, claro. Mas o partido, o PT. Ao moderno Príncipe, digo partido, cabe a tarefa de ocupar todos os espaços institucionais, desenvolvendo e subvertendo todo o sistema de relações intelectuais e morais. Assim, todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio partido.
O Tiririca, é claro, é instrumento deste projeto de subversão de valores e está sendo usado para conquistar mais cadeiras no Congresso Nacional, e com isso ajudar a aumentar o poder do moderno Príncipe na próxima legislatura.
No projeto de poder do PT o Tiririca e outros personagens que lhes servem têm as mesmas virtudes e defeitos, e sua importância é mensurada de acordo com a sua contribuição para ampliar o espaço do partido na mente e no coração dos brasileiros.
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