A mídia noticia, uma vez mais, a apresentação de propostas para modificar o sistema eleitoral brasileiro. Novidades? Nenhuma! As proposições são apresentadas apenas como mise-en-scène. O objetivo não é melhorar o sistema, mas sim jogar para a plateia de eleitores que assistem de modo impassível a este triste espetáculo.
Somadas as proposições de reforma política que tramitam, dormitam e freqüentam os escaninhos do legislativo federal certamente seria possível criar um sistema eleitoral para cada ente federativo do mundo e ainda assim não seria bom, mesmo porque inexiste perfeição legislativa..
Qual o âmago da questão? Onde reside o nó górdio? As reformas políticas e seus consectários multiplicam-se por um único motivo: são realizadas por políticos. Quando se legisla em causa própria o resultado raramente é bom, seja por conta da inexistência de consenso, seja pela rotatividade de poder e, consequente, câmbio de interesses, seja pela explosiva soma de ambos.
Uma reforma política que adequasse o sistema eleitoral brasileiro deveria ser realizadas a partir de uma junta de notáveis ouvidos juristas, sociólogos e cientistas políticos, preferencialmente, sem os palpites interesseiros e nefastos de certos políticos.
Qual a possibilidade de que isto ocorra? Nesta encarnação, nenhuma! Ninguém pretende abdicar de poderes, todos buscam, em detrimento da sociedade, a perpetuação de suas próprias facilidades. Raros são os parlamentares de suas facilidades. Raros são os parlamentares que, ameaçando sua eleição, defenderão os interesses do país.
O melhor seria, portanto, que todos ignorassem estas manobras promíscuas e atentassem com mais ênfase para outras questões de governo. Contudo, o correto seria que a sociedade e o Judiciário assumissem o papel de protagonistas e pressionassem os “donos do poder” em busca de uma definição.
O prognóstico é ominoso, contudo, há que se ter esperança; a melhora na formação intelectual da população, o aumento da renda e o desenvolvimento econômico prometeu trazer à reboque uma modificação nos costumes e hábitos públicos e privados. Aguardemos.