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Marta Tajra

Marta Tajra

Câmara de Comércio Brasil-Líbano

16/11/2015 • 12:00
Em recente viagem a São Paulo, visitei entre outras entidades, a Câmara de Comércio Brasil-Líbano, onde assisti a uma importante palestra de OMAR ASSAF, líder empresarial e ex-presidente da APAS- Associação Paulista de Supermercados, que já viveu outras crises e ressurgimentos da economia. Nessa palestra, “Unidos pela Retomada do Crescimento Econômico”, ele compartilhou sua larga experiência com outros setores produtivos, na sede da CCBL. Uma verdadeira e profunda aula de história econômica do Brasil atual.


O palestrante e líder empresarial de SP, Omar Assaf, ao lado do Consul Geral do Líbano no Brasil Kabalan Frangieh e o Presidente da Câmara de Comércio Brasil Líbano, Alfredo Cotait


Leia a entrevista abaixo com Omar Assaf, feita com exclusividade para o Portal AZ:

NOSSO DÉFICIT, SEGUNDO O GOVERNO,  É DE 32 BILHÕES DE REAIS. O SENHOR DISSE NA PALESTRA QUE ESTA CONTA NÃO BATE COM OS NUMEROS DA ECONOMIA. O QUE ESTÁ ERRADO?

O Governo nos apresentou um déficit de 32 bilhões de reais, ou seja, 122 milhões, fora do orçamento. As pedaladas foram de 280 milhões. Somando isso com 122 milhões são 400 milhões. Quanto dá isso no fim? 36 bilhões...?  A nossa carga tributária não é essa, porque esses 400 nós vamos pagar, não importa quando, mas vamos pagar. Então, veja bem, o governo está dando um cheque sem fundo já faz muito tempo. Eu respeito a sua posição, mas não aceito que eles coloquem essa má gestão no mercado internacional.

ESSA CRISE QUE ESTAMOS VIVENCIANDO NO MUNDO TEM ALGUMA VINCULAÇÃO COM OS ESTADOS UNIDOS?

O Abílio Diniz quando comprou o atacarejo, termo que está na moda atualmente, já tinha vendido uma boa parte da empresa para o Grupo Cassino, e foi dar uma palestra em uma de nossas feiras. Ele falou a seguinte frase: ‘Eu estou surfando nessa onda’, se referindo a economia americana. Então, não tem como não ‘surfar’ ou se desvincular disso, você pode ter qualquer problema com os Estados Unidos, pode até achar que tudo o que está acontecendo, incluindo a primavera árabe, atos de terrorismos, etc, são culpa deles, eu concordo. Mas, não dá para fechar a porta para eles, porque tudo passa por lá. Não tem como fugir disso.

O IMPOSTÔMETRO DEMONSTROU QUE NO ANO PASSADO (2014) FECHAMOS COM UMA ARRECADAÇÃO DE UM TRILHÃO E SETECENTOS E CINQUENTA MILHÕES DE REAIS.  NESTE MÊS, JÁ ESTAVA DANDO MAIS DE 1,421 TRILHÕES. ISSO SIGNIFICA QUE, NÓS VAMOS ARRECADAR ESTE ANO 2 TRILHÕES , 16% A MAIS QUE NO ANO PASSADO, OU SEJA, 250 BILHÕES A MAIS. QUE CENÁRIO SURREALISTA É ESTE?

Quando questionei a pouco que a carga tributária seria de 36 milhões eu estava justamente desmistificando isso. Nosso problema é bem maior. Eu vou te dizer o seguinte: a taxa usada pelo BNDS para financiar, inclusive, os amigos do rei,  foi ajustada agora de 6,5 para 7%. Quanto que é a taxa selic hoje? 14,25, e se o Tesouro toma emprestado a 14,25% , empresta a 7%. Essa diferença de 7%, só para o ano que vem é calculada em 38 milhões. Então o governo está de brincadeira quando fala em 30, 60 ou 70 milhões.  O problema é bem maior. Sabe quanto é o custo de cinco anos de contrato só da diferença dessa benesse do BNDS? Dá uns 190 milhões, que nos próximos 5 anos, já está todo compromissado. E ninguém fala de previdência pública, que é o maior problema do país hoje. Essas contas é que a gente tem que mexer. Alguma coisa tem que mudar. O problema são as reformas e a primeira reforma que o governo deve fazer é a administrativa, e não a tributária como todo mundo quer. Reforma tributária se faz fatiada, um a um, só que antes dessa reforma, tem que se fazer a administrativa. O que o governo nos devolve com essa carga de 36 milhões? Nada. Outra coisa: quanto que é a carga dos países que concorrem com a gente? A da China é 40% menos que a nossa, nós estamos concorrendo com a China, mas como é que nós podemos concorrer com os chineses se o nosso produto já sai com a sobrecarga tributária desse tamanho? Nos países vizinhos, como Argentina, Chile, México, todos eles estão com cargas abaixo de 30%, cerca de 20 e poucos por cento. Não temos nenhuma condição de concorrer desse jeito.

DIANTE DESSE CENÁRIO SOMBRIO PARA O SETOR DE EXPORTAÇÃO, QUAL É A EXPECTATIVA DA APAS EM RELAÇÃO AO CÂMBIO?

Olha, o câmbio nosso no real era um por um, há 21 anos. A inflação de 21 anos pra cá foi de 380%. Então se você colocar um dólar atualizado pelo IPCA vai dar cerca de 4,80. Descontando daí a inflação americana, nós vamos voltar a 4 reais, que é como deve estar hoje. Então por que nós ficamos com o dólar, desde o governo Lula até hoje, a 1,5 a 2,30 até o ano passado? Toda vez que se mexe em alguma coisa, você vê que alguém não está fazendo a lição de casa, alguém está querendo tapar o sol com a peneira. Ou ancorando, como foi feito até agora. Mas, vc não pode ancorar o tempo todo trabalhando com uma situação irreal, pois isso custa muito caro para o país.

O PROBLEMA MAIOR NÃO É O CUSTO DO DÓLAR, ENTÃO, MAS A INSTABILIDADE...

Exatamente, eu estava conversando agora com um patrício meu que trabalha trazendo mercadoria da China. Parou de importar. Como é que você vai passar um produto que estava comprando a um real e pouco e que agora passou para 4 reais? Nós estamos esperando o próximo passo do governo e tomara que o nosso Congresso acorde amanhã mais consciente. Que o presidente desse Congresso tenha um momento de lucidez e abandone a sua vontade de trazer esta carga bomba para o país. Pelo menos, para dar confiança ao mercado. 

NÓS ESTAMOS HOJE COM QUASE UM MILHÃO DE DESEMPREGADOS, TEMOS QUE BUSCAR ALTERNATIVAS EFETIVAS PARA UM DIÁLOGO SOCIAL. PAÍSES COMO ESPANHA E PORTUGAL PASSARAM POR PROBLEMAS COMO ESTE, SÓ QUE LÁ A RENDA PER CAPITA É DE 25 MIL DÓLARES. AQUI TEMOS ESTADOS COMO O MARANHÃO E O PIAUÍ ONDE O PIB É DE 4 MIL DÓLARES E AGORA, COM O DÓLAR A ESTAS ALTURAS, DEVE ESTAR EM TONO DE 2 MIL DÓLARES OU MENOS. COMO É QUE FICA O NOSSO TRABALHADOR NISSO TUDO?

Temos primeiro que fortalecer todas as instituições, só assim teremos um país justo. E temos que fazer isso junto com o trabalhador. Mas, nós não temos essa prática aqui no Brasil, então deixamos o governo muito à vontade para fazer o que ele quiser. Nós temos que nos unir e não trabalhar em lados opostos, como se faz até hoje. Só assim o governo terá condições de enxergar que a voz da rua não é uma voz fatiada.

Nada de novo debaixo do sol!

06/09/2015 • 23:08

Sim, migrações sempre aconteceram desde que o homem, como tal, surgiu na face da Terra e teve que se deslocar inúmeras vezes por motivos alheios a sua vontade, tais como mudanças climáticas que afetaram drasticamente partes do planeta azul. Isso é perfeitamente compreensível. Do contrário, eu que pertenço a uma raça que se autodenomina humana, não estaria escrevendo isto aqui. E nem você, do outro lado, lendo. Acontece que o homem evoluiu, e com ele, as várias técnicas que permitiram adaptações sem que precisássemos andar pra cima e pra baixo o tempo todo, correndo perigo e se aventurando por mares nunca dantes navegados.

  

Puro engano. A tecnologia evoluiu sim, mas a cabeça de bagre do ‘homo sapiens’ ficou lá nas cavernas. Na Pré-história. Ainda briga por um pedaço de chão (de preferência onde tenha abundância de riquezas naturais), se apoderando de grande parte delas, muitas vezes em nome de um deus tirano, que ele mesmo inventou em benefício próprio, é claro. Esta é uma história muito longa que não daria nem para começar a contar aqui neste espaço curto. Mas, vou tentar resumir o que eu penso sobre o que chamam hoje de ‘a crise dos refugiados no mundo’.

 

Os meus avós chegaram ao Brasil, também como refugiados, vindos da Síria e do Líbano, países que, na época, estavam sob o domínio do terrível Império Otomano (califado turco), que dominava toda a região e parte da Europa (como se pode constatar essa não é uma história nova). Passaram por tudo isso que estamos vendo hoje pelos meios de comunicação: fome, frio, desespero, risco de vida... Mas, sobreviveram, e -  trabalhadores que eram - prosperaram muito ‘fazendo a América’, expressão usada pelos imigrantes, na época. Nem todos tiveram a mesma sorte. Muitos adoeciam e morriam durante o trajeto nas embarcações. Exatamente como estamos vendo hoje. E, assim como eles, outros povos vieram para cá com o mesmo objetivo. O Brasil e outros países da América precisavam de mão de obra. A escravidão tinha sido abolida. Receberam-nos de braços abertos, tal e qual o Cristo Redentor, na bela paisagem carioca.

 

Isso se deu no final do século 19 até meados de 20. Depois disso, foi a Europa quem começou a incentivar a emigração de orientais e africanos. Adivinha? Para estes fazerem o trabalho rude que os europeus não gostavam de fazer. E como a Europa ainda detinha muitas colônias nesses dois continentes, não foi difícil ‘fazer a cabeça’ desse pessoal, dando inclusive, em alguns casos, cidadania no país onde se estabeleciam. A França, Portugal e Alemanha foram os exemplos mais notórios dessa política. Mas, como nem tudo eram flores... com o tempo, muitos ficaram desempregados, e passaram a viver em guetos nesses países, voltando a cultuar usos e costumes de seus pais e avós deixados no rastro de uma imigração forçada.

Uma Europa comportada e elegante, se viu, de repente, obrigada a conviver com uma ‘gente diferente e estranha’, no seu dia a dia, como se, repentinamente, acordasse de um sono profundo (que eles mesmos criaram).

 

No Oriente Médio, campo de batalha permanente por causa da mais valia do petróleo e interesses geopolíticos divididos em mil e uma tribos divergentes, que falam e lutam em nome de Allah, (mas não conseguem nunca se entender, isso sem falar nos cristãos, curdos, drusos...), o esquema foi um pouco diferente. Divididos em facções políticas e religiosas, bastava que as potências ocidentais colocassem armas certas nas mãos das 'pessoas certas' para chover bombas e/ou homens bombas pra todo lado.

 

Foi exatamente isso que o “Grande Irmão” fez, e continua a fazer, gerando toda essa crise que a grande imprensa alardeia todo santo dia como se fosse uma grande novidade (caprichei no superlativo, propositalmente!).  Subsidiado, moralmente, por um país minúsculo que se autodenomina ‘o povo escolhido’, (e que através dessa historinha secular conseguiu se tornar uma minoria étnica que, hoje, detém uma boa parte das riquezas do mundo), a dupla dinâmica, supostamente, cometeu erros. Eu disse, supostamente. E entre eles, o pior de todos: criaram uma tal ‘primavera árabe’ com o intuito de derrubar ditadores e implantar uma democracia nos moldes ocidentais...no Oriente. E o tiro acabou saindo pela culatra, claro!

 

Ora! Com tantas minorias étnicas e religiosas se digladiando o tempo inteiro, como podem querer implantar uma democracia nos moldes ocidentais ali, cabeças de bagres??? Claro que não ia funcionar. No Oriente Médio não existe este conceito de democracia como conhecemos aqui. Claro que não funcionou. Primeiro porque se trata de uma questão cultural (a estrutura política e organizacional deles é de clã), e segundo porque com tantas subdivisões tribais e religiosas, apenas ditadores, déspotas ou tiranos podem conter uma infinidade de ânimos exaltados. Isso é fato histórico.  E essa é a regra. E eles obedecem cegamente, até que se diga o contrário.

Então, as grandes potências ocidentais erraram ao meter a colher onde não foram chamadas? Claro que não, essa é uma tática conhecida desde o começo dos tempos. Dividir para governar. Criar o caos, e depois...meter a colher onde não é chamado.  Primeiro derrubaram Kadafi, da Líbia, depois Saddam, do Iraque... agora querem tirar Bachar, da Síria, para deixar livre o principal ‘corredor de energia’ e assim, chegar facilmente nas reservas do ouro preto, o petróleo.

 

Com tantas ‘trapalhadas’, o sistema entrou em colapso e as refinarias foram fechadas. O  autodenominado Estado Islâmico agora ‘deita e rola’, vendendo a preço de califado e diretamente dos poços, o ouro negro aos antigos ‘clientes’. Entre eles, o Grande Irmão (sempre assessorado pelo povo escolhido por Deus), que passa a reabastecer suas reservas, agora, ao preço de 10 dólares, o barril. Mas, para o país que avança rapidamente a passos firmes para a concretização de um mega projeto imperialista, e que tem o maior consumo de combustível fóssil no mundo, está até pagando um preço justo. Só não sei até quando.

 

Essas coisas, como já se sabe,  são ‘imprevisíveis’ e, às vezes, por algum estranho capricho da natureza, a criatura se volta contra o criador. Lembra do 11 de Setembro? 

 

E assim como no passado, o problema continua: gotículas escuras do chamado ouro negro estão respingando agora em quem não foi chamado para esta festa: os povos refugiados, e em especial, os sírios que passam por uma guerra civil que já dura 4 anos, devastando a população e acabando com monumentos que contam a história da humanidade, já que foi ali onde o homo sapiens começou sua história... por enquanto de bagre.  É pegar ou largar: ou se render ao novo califado do Oriente (o tal Estado Islâmico) ou fugir para outros países. Nenhuma das duas alternativas está dando certo, por enquanto.

 

Organizações como a ONU e UNESCO que, supostamente, existem para frear ou interferir ações que envolvem arbitrariedades e genocídios, estão p a r a l i s a d a s.  Ajoelham-se, vergonhosamente, perante o Grande Irmão e o imão assessor ‘escolhido por Deus’.  Implantar uma democracia agora nesses países, nem pensar. Não seria vantajoso para nenhum dos dois 'irmãos' (estão quase virando uma teocracia). Enquanto isso, a Europa, antes admirada e imitada por todos, está virando um pavio de pólvora com a nova onda de refugiados. Parece que chegou a hora deles pagarem esta conta. E a América, que antes serviu de refúgio a tantos povos do mundo? Está entre a cruz e a caldeirinha, como se diz por aqui.

 

Chegamos em setembro. E como perguntou um amigo meu quando discutíamos o assunto: o mês de setembro lhe lembra algo?  E eu respondi: sim, a chegada da primavera, e espero que você me mande um buquê bem colorido e perfumado, e esqueça um pouco esse negócio de política.

Ele riu, e mais tarde cumpriu a promessa enviando um buquê de rosas em tom azul turqueza, a cor do Mediterrâneo. Que eu dedico ao povo sírio, especialmente às crianças que amam tanto o mar.

O publicitário Roberto Duailibi entra para a Academia de Letras Paulista.

31/08/2015 • 01:20

A posse de Roberto Duailibi na Academia Paulista de Letras, aconteceu quinta-feira (20/08), às 19 horas, no teatro da APL. Fundador da agência DPZ, passa a ocupar a cadeira de número 21, que já pertenceu a Ibrahim Nobre, herói e o "tribuno" da Revolução Constitucionalista de 1932 e ao grande jurista, Paulo José da Costa Junior.

 A cerimônia de posse foi conduzida por Gabriel Chalita (presidente da APL). Os Confrades Dom Fernando Figueiredo e José Pastore fizeram as honras da "casa" e acompanharam o novo membro Duailibi para a mesa que foi composta também por Antonio Penteado Mendonça (secretário geral), Marcelo Araujo (secretário de cultura) que representava o Governador Geraldo Alckmin, e o Acadêmico, Maestro Julio Medaglia que proferiu discurso de recepção ao novo membro Duailibi.

Sylvia Duailibi colocou o Colar de Acadêmico no esposo Roberto e Marcelo Araujo entregou o Diploma de Acadêmico a Duailibi que fez seu discurso de posse. Estiveram presentes Acadêmicos, autoridades, amigos e a família do novo Acadêmico Roberto Duailibi.



CONHEÇA MELHOR O PRIMEIRO PUBLICITÁRIO BRASILEIRO COM ENTRADA NA ACADEMIA PAULISTA

Duailibi, é publicitário, professor, escritor, palestrante e conselheiro, com vários títulos de reconhecimento. Nasceu em Campo Grande/MS, no dia 8 de outubro de 1935. Formado pela Escola de Propaganda de São Paulo em 1956, Duailibi é um dos principais publicitários brasileiros.

Começou sua carreira em 1952, na Colgate - Palmolive. A partir de 1956 trabalhou como redator em agências como CIN - Companhia de Incremento de Negócios (atual Leo Burnett Publicidade Ltda), JWT, McCann Ericson e na Standard Propaganda (Atual Ogilvy & Mather), onde foi vice-presidente de criação. Em 1968 associou-se a José Zaragoza, Francesc Petit e Ronald Persichetti na formação da DPZ , uma das maiores e mais premiadas agências publicitárias do país. Eleito "Publicitário do Ano" em 1969, no Prêmio Colunistas.

Foi professor e diretor de cursos da atual ESPM de São Paulo e é o decano do Conselho da Instituição. Também foi professor de Criação na ECA - Escola de Comunicações e Artes da USP - Universidade de São Paulo. Foi presidente, por duas gestões, da ABAP -Associação Brasileira das Agências de Publicidade. É Conselheiro da Fundação Bienal de São Paulo, do Fundo Social de Solidariedade do Governo do Estado de São Paulo e Presidente da FUNCEB - Fundação Cultural Exército Brasileiro.

Entre seus livros: Criatividade & Marketing, com Harry Simonsen Jr. que apresentou o conceito de régua heurística e a importância de seguir métodos que favoreçam à criatividade em todos os segmentos da empresa. Além do Criatividade & Marketing obteve muito sucesso com o lançamento de suas coleções de citações, inicialmente chamadas Phrase Book. Em 2005, publicou Cartas a um Jovem Publicitário, destinado a jovens na profissão.Em 2008 publicou com Marina Pechlivanis a coleção Idéias Poderosas, com seleções temáticas de citações em formato pocket e lançou a nova edição do Criatividade & Marketing, com a versão digital da Régua Heurística.

FONTE: ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS. 

 

Todo ano ela faz tudo sempre igual...e nada!

08/06/2015 • 00:32
Texto e fotos de André Pessoa/ Título de Marta Tajra

Parece ladainha ensaiada: todo ano a pesquisadora Niéde Guidon, 82 anos, utiliza os veículos de comunicação do Brasil e do exterior para alertar que o Parque Nacional Serra da Capivara pode ser fechado para visitação pública por falta de recursos. Para quem não conhece a realidade, as "ameaças" soam como chantagem, exagero ou "mise en scène" - expressão francesa que está relacionada com encenação.

Niéde é brasileira, ao contrário do que muitos pensam. Nasceu em Jaú, interior de São Paulo, mas deu sua vida ao Piauí, 40 anos de dedicação exclusiva. É descendente de franceses, por isso, foi buscar sua especialização em arqueologia na terra que mais entende do assunto - na época o Brasil não tinha cursos nessa área. Hoje tem até cursos públicos de arqueologia, um deles na pequena São Raimundo, resultado direto de sua saga que inclui o tombamento da reserva como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Inclusive, foi a França, através da Universidade de Sorbonne, quem pagou seu salário para que ela trabalhasse no Piauí nesses anos todos. O que poucos sabem, é que a Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), entidade científica criada por sua equipe, não tem dotação orçamentária específica. Ou seja, não dispõe de recursos garantidos para a manutenção do Parque Nacional Serra da Capivara, uma obrigação e responsabilidade do Governo do Brasil. Para pesquisa cientifica, graças a importância dos estudos, nunca faltou verbas.

Porém, como todos nós sabemos, num país onde os cortes orçamentários atingem dos direitos dos trabalhadores até os ministérios da Educação e da Saúde, imaginem a área ambiental?
O Ministério do Meio Ambiente, responsável pelo IBAMA e ICMBio, vive às minguas, sem recursos sequer para material de consumo ou itens básicos como água, papel higiênico e produtos de limpeza.
Assim, para que a Serra da Capivara consiga manter toda a estrutura implantada na região, inclusive o parque aberto à visitação, a FUMDHAM precisa fazer projetos anuais específicos.

E isso explica claramente o repetido drama. Como os recursos acabam, é necessário fazer outros projetos, buscar novos patrocinadores, e isso cansa, desmotiva e preocupa. Com 82 anos e a saúde já abalada, quantos anos ainda vamos esperar para exigir do governo do nosso país uma atitude do tamanho e da importância da Serra da Capivara?

Infelizmente Niéde não é eterna, um dia a natureza vai pedir sua presença em outra dimensão. E deve ir muito triste por saber que sua dedicação não foi suficiente. Fica a pergunta: e aí, onde a Serra da Capivara vai parar?

Não se enganem. Todas as imagens em anexo só foram produzidas graças a conservação da Serra da Capivara nesses 36 anos de criação do parque, e tudo isso pode acabar num piscar de olhos. Com este alerta e algumas imagens espero despertar e sensibilizar nossos governantes.

Para ver outras fotografias desse patrimônio da humanidade, acesse o site: www.flickr.com/photos/andrepessoa



Lançado livro sobre a vida da jornalista Genu Moraes.

31/05/2015 • 23:52


Foi lançado na ultima sexta feira (29) no Theatro 4 de Setembro, o livro do título acima, organizado e editado pelo jornalista Kenard Kruel, fruto de uma série de depoimentos que ele resgatou pacientemente durante anos a fio com a conhecida e polêmica jornalista piauiense. O resultado gerou um dos textos mais completos e consistentes sobre a vida e a história dessa incrível mulher. 


Nascida numa época em que elas só saíam acompanhadas dos pais, irmãos ou maridos, Maria Genovefa Aguiar, ou simplesmente Genu Moraes, resolve quebrar todos os tabus e arquétipos do mito de ser mulher numa cidade ainda muito pequena e provinciana, como era Teresina na sua época. Sobreviveu a todos eles tornando-se inspiração para várias gerações. Tive enorme prazer em escrever algumas linhas na contracapa do livro, a pedido do próprio Kenard, que sabia da minha grande amizade e admiração por ela.

O livro, todo escrito na primeira pessoa, tem texto sem linguagem rebuscada e muito atrativa, bem ao feitio da protagonista. Começa com a história dos avós paternos, passando pelos pais e por toda a parentada (muitos, influentes políticos piauienses), até chegar a fatos que, como criança, adolescente e mulher, ela presenciou na pequena e bucólica Teresina de apenas oitenta mil habitantes. Discorre ainda, alegre e faceira, sobre o mundo político piauiense e brasileiro – assunto que dominava como ninguém – numa narrativa lúcida e impressionante, como se tivesse vivenciando cada momento novamente.



Como filha do governador Eurípedes Clementino de Aguiar, que governou o Piauí de 1916 a 1921 após a grande seca de quinze, logo tomou gosto pela política acompanhando-o como sua assessora e chegando a eleger-se vereadora, quando morou em São Luis do Maranhão, já casada com Antonio Severiano de Moraes Correia, de família de comerciantes renomados de Parnaíba.

Em São Luis presidiu o Sindicato dos Jornalistas num dos momentos mais ‘quentes’ da política local e nacional. Figura obrigatória em todos os eventos badalados, tanto sociais como culturais da cidade, promoveu muitos artistas, que sem o seu ‘empurrãozinho’, não teriam nenhuma chance no cenário nacional, tais como a marrom Alcione e o hoje famoso João do Vale, autor de Carcará.

Amiga da família Sarney, era respeitada e querida ao ponto de ser alcunhada pelo ex-presidente de “uma força da natureza” quando a conheceu, mesmo tendo feito oposição ao governo militar e ao próprio Sarney. O livro traz um depoimento seu sobre a amiga. Há muitas passagens importantes e totalmente inéditas tanto sobre a família Sarney como outras muitas famílias que ela conviveu tanto em São Luís, Rio de Janeiro (onde se casou) e Teresina, onde viveu seus últimos dias, no casarão da família. Mas, é claro que não vou narrar aqui, são mais de 600 páginas de pura história que eu recomendo ao leitor sem a menor cerimônia.

Um trabalho de fôlego, que gerou um calhamaço de 602 páginas, totalmente necessário para quem quer conhecer a surpreendente história dessa jornalista, atriz, mulher, mãe, política apaixonada e combativa (não necessariamente nesta ordem) que soube, com graça, leveza, inteligência, charme e humor, quebrar as regras de seu tempo e se reinventar. Leitura recomendável – para não dizer obrigatória – para quem quer conhecer também os bastidores da nossa sociedade (tem cada história!) e da história política, local e nacional. Lugares que ela sempre frequentou com graça, charme e desenvoltura até o fim.

Abaixo, fotos do lançamento muito concorrido. A última foto é uma homenagem que a coluna presta à jornalista em nome de todos que fazem a equipe do PORTALAZ.








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