Teresina -
Portal AZ
Marta Tajra



11/07/2010 - 02:36 - Fotos: Dantércio Cardoso


A vida como ela é...

O Portal AZ começou, na semana passada, uma série de entrevistas com candidatos a deputados federais no Piauí . A primeira delas, comandada pelos jornalistas Arimatéia Azevedo e Rômulo Maia, foi com o ex-governador Hugo Napoleão. A entrevista foi conduzida com imparcialidade, como manda a velha cartilha do jornalismo. Em algumas passagens, conseguiu mexer nas velhas feridas do ex-governador que,no entanto, respondeu bem sem se fazer de rogado. A certa altura, o Dr. Hugo registra um dos aspectos mais duros na vida de um político (ele está sem mandato há oito anos): a sensação de ser insignificante e “invisível” aos olhos de seus correligionários políticos (neste aspecto, o jornalista Arimatéia Azevedo foi como um psicanalista que pôs o ex-governador no divã e o fez aceitar a si mesmo). Mas é justamente aí que reside a sua maior força, diz o entrevistado na matéria. Agora ele volta fortalecido, porque já conhece bem ‘o lado amargo da derrota’, o que lhe devolveu gás suficiente para se lançar novamente na política.

E o eleitor, como fica em meio a isso tudo?

Vendo a banda passar...
O fato é que perdemos seriamente o sentido da realidade política. Hoje, a situação partidária brasileira (e, por reboque, piauiense) mudou radicalmente. Não temos mais um quadro partidário dualista (situação X oposição) típica da época do coronelismo. Temos hoje uma situação versus uma oposição de direita e uma oposição de esquerda (pendendo ainda para vários lados em meio a tantos partidos nanicos ). O Dr. Hugo, apesar de ser fruto dessa época (do coronelismo) não parece fazer parte dessa constelação de homens que cede tão facilmente ao ziguezague partidário. Ele é hoje, mesmo com seu histórico político de direita, um desiludido que tomou aquela feição de esquerdista por força das circunstâncias. 

Veja que Mão Santa (em seus anos dourados de campanha) nos vendeu facilmente a idéia de que tínhamos um inimigo fenomenal (que ele chamava de ‘americano embatonzado’ referindo-se ao Dr. Hugo Napoleão). Discurso este, desde o começo, destinado a ‘folclorizar’ o processo político como um todo. Quando o seu governo saiu da teoria para a prática (leia-se atraso do funcionalismo público, greves em vários setores ... e etc) viu-se que tudo isso era só balela. E o eleitor,sentindo-se traído, começa a procurar novas alternativas. Desse vazio é que veio a ‘Era PT’ e este festival midiático, subsidiado pelo excesso de tudo, inclusive (ou principalmente) pela propaganda e pelo marketing. Tudo simulado ao infinito. Mas, para mim, a chamada ‘esquerda’ brasileira (ou pelo menos, boa parte dela) simplesmente acabou, tomou doril quando continuou a reproduzir seus grandiosos erros, trocando princípios por pequenas vitórias eleitorais. Perdeu, o que tinha de melhor, que era um apelo quase religioso ao discurso da igualdade. Vendeu-se e virou moeda de troca.

Tâmaras fresquinhas...
E o que sobra para nós, eleitor? Sinceramente não sei, talvez a redenção de homens como o Dr. Hugo Napoleão, que do alto de sua sabedoria e experiência política (aliadas ao que ele chamou, na entrevista, de lado amargo da derrota), ainda consegue enxergar uma luzinha no fim desse túnel tão escorregadio. E, em quem votar? Pergunto agora a você, leitor(a) que acompanha atentamente e quase sem entender nada também, esta geléia geral, este balaio de gato em que se tornou a nossa política atual. Sinceramente, eu também não sei ainda. Até porque em outubro, época dessa complicada eleição e auge do calorzão ‘made in Piauí’, provavelmente estarei no Oriente Médio, comendo tâmaras fresquinhas e escrevendo de lá para o Portal AZ... colhendo outros frutos para minha própria editora, a Zahle.

Política, já dizia um velho jornalista, é algo mais dinâmico do que planos e políticos podem pretender.

Vote na Patrícia
A cantora piauiense Patrícia Mellodi, neste momento, é uma ótima opção de voto. Veja que lição de amor, dedicação e humildade ela nos passa, falando de sua carreira solo, através desse e-mail:

OI!
Minha carreira não tem sido de grandes estardalhaços
e sucessos mirabolantes, mas devagarzinho e sempre!
O que me dá força pra continuar firme são os resultados sensíveis.
Os fãs, o respeito, a venda de shows e de cds,
que mesmo de forma independente e aparentemente tímida, vem crescendo dia a dia.

Uma história construída com verdade, somente baseado no talento, na persistência,
e no trabalho de internet, que é democrático e não custa nada!

Falando em resultado, fui indicada ao 21. PREMIO DE MÚSICA BRASILEIRA
pela segunda vez em duas categorias:
MELHOR CANTORA POPULAR E VOTO POPULAR, ao lado de artistas consagrados da MPB.

Se quiser, pode votar em mim no quesito VOTO POPULAR,
É super fácil. Dá até pra ouvir a musica FAXINA GERAL, uma composição minha.
http://www.premiodemusica.com.br/votopopular/

Nos vemos no caminho, que é longo e lindo!

beijo
Patricia Mellodi

Outra boa opção
Talvez você se ache (ou se perca mais ainda) no delicioso link dessa psicanalista paulistana Luciana Saddi, ela fala das intricadas teias dos relacionamentos humanos:

http://estilo.uol.com.br/comportamento/ultnot/2010/06/16/so-a-maturidade-nos-da-a-sabedoria-de-gostar-de-quem-gosta-da-gente-diz-psicanalista.jhtm


Bom, depois dessas dicas, resta apenas desejar um ótimo domingo e uma semana ensolarada com ventos vindo do norte - o parnaibano - e céu azul de anil. 



Comentários

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paul 45@gmail.com

12/07/2010

01:22

A senhora falou tudo, a chamada esquerda brasileira se vendeu mesmo, acabou, tomou doril...é moeda de troca, e das brabas. Tudo por dinheiro, foi só chegar no poder que fizeram tudo que sempre criticaram por 25 anos na oposição. Oposição??? hehehe...só balela. Muitos sairam por não suportar isso (Frei Beto, Marina, Cristovão Buarque...)Mas 'isto' que está aí, 'isto' que ficou no poder, é lixo puro.Quem tenha olhos que veja. Não dá para encobrir mais nada. Paulo Antunes

 

enoisa@hotmail.com

12/07/2010

00:45

O que sobra para nós, eleitores/as? Penso que antes de promovermos a redenção de quaisquer políticos, é preciso perceber a necessidade do estudo da história, principalmente no tocante às construções sociais. Entender a urgência de se buscar o hábito da leitura de pensadores clássicos, modernos e contemporâneos. Permita-me, querida Martinha, sugerir o livro do Frei Betto intitulado A Mosca Azul. Nele, o autor cita inúmeros estudiosos, como Freud, que afirmava ser inalcançável a transparência do ser humano; ou Maquiavel, que considerava difícil e perigoso lutar por transformações das leis, pois tais lutas teriam forte resistência daqueles beneficiados com as leis vigentes; ou Saramago, que acreditava que todas as democracias são governadas pelo mercado e que o regime democrático convoca todos a votar, mas não a governar. Para Saramago, diz Frei Betto, o voto é, na verdade, uma panacéia das democracias formais. Sobre Max Weber, Frei Betto diz que o alemão “tem razão ao afirmar, a respeito de quase todos que atuam na política, aspirarem eles ao poder como meio para atingir outros fins, abstratos e individuais, ou como poder pelo poder, desfrutar a sensação de status que o cargo proporciona.” O francês Emananuel Lévinas, diz Frei Betto, assegura que os vícios podem ser reduzidos se a política for sempre controlada e criticada a partir da ética. É a leitura desses e muitos outros pensadores, citados por Frei Betto, no decorrer do seu livro; que irá, penso, nos ajudar a ver a luz no fim do túnel, isto é, compreender um pouco melhor o quanto é contraditória e irracional a tão festejada racionalidade humana. Bjs! E desejo que a Zahle produza muitos e bons frutos!

 

jolucas@gmail.com

11/07/2010

22:05

Gostaria de comunicar que, depois de ler este artigo, estou seriamente propenso a votar na Patrícia, nestas próximas eleições. Parabéns! Josias

 

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