Fotos do piauiense Mário Fontenelle em exposição em Brasília

Até o dia 23 de Maio, fotos históricas do piauiense Mário Fontenelle ficam expostas na Caixa Cultural Brasília. A mostra “O Passageiro da Esperança” apresenta a memória visual dos primeiros momentos da construção de Brasília, resgatando, para os 50 anos da cidade, o valor histórico do trabalho do fotógrafo, que chegou à Brasília com Juscelino Kubitschek.

Triste e solitário. Foi assim o destino do piauiense Mário Fontenelle, que morreu abandonado em um asilo em setembro de 1986. Mecânico de aviões, foi para a capital federal com Juscelino Kubitschek e passou a fotografar a cidade, do primeiro ao último dia. É o autor da foto histórica dos dois eixos se cruzando no cerrado ainda inabitado, feita em julho de 1957. É dele também a foto de Lucio Costa e JK encostado numa placa de Avenida Monumental, em abril de 1957.

Fontenelle, após tantas contribuições fotográficas, morreu amargurado: ‘‘Não tenho inimigos. Mas se tivesse, não desejaria isso para eles, como não desejo para ninguém.’’ Um ano antes de sua morte, procurado para uma entrevista, pediu ao repórter: ‘‘Me deixe em paz, rapaz. Não faça mais perguntas. Tudo acabou. Tudo passou.’’ Mário Fontenelle morreu em 23 de setembro de 1986. Dois anos depois, amigos e admiradores publicaram Minha mala, meu destino, livro com algumas de suas fotos mais conhecidas

Mário Fontenelle é o autor da foto histórica dos dois eixos se cruzando no cerrado ainda inabitado, feita em julho de 1957. É dele também a foto de Lúcio Costa e JK encostado numa placa da Avenida Monumental, em abril de 1957. Seu olhar preciso e a sensibilidade de captar, a bordo de um avião, o símbolo de posse de uma cidade desconhecida do Brasil, nascida do gesto singular de seu inventor, Lucio Costa, assinalam a primeira fase do trabalho do “Passageiro da Esperança”.

As imagens ambientam-se nos espaços expositivos sem preocupação cronológica, agrupando-se em cenas que interagem entre si e com o público – retratos de um tempo sem parâmetros na história do povo brasileiro. Passeando pela Mostra, é possível sentir esse momento, em que as lentes de Fontenelle estão focadas na monumentalidade das obras de Oscar Niemeyer, no cotidiano dos candangos, nos canteiros de obras, nos acampamentos pioneiros e na despojada Cidade Livre; rostos anônimos – esperança, suor, labuta e euforia – mesclam-se a personalidades e a figuras ilustres.

Passada a grande epopéia – os anos pós JK, Fontenelle foi condenado ao esquecimento e atormentado por lembranças de um tempo de glória, em que era considerado “autoridade”. Foi-se isolando e passou a fotografar rostos desconhecidos e a fazer fotomontagens, segunda fase do seu trabalho.

Vivendo seu tempo ou esquecido no tempo, Fontenelle foi um grande profissional. Brasília deve a ele as homenagens pelo precioso acervo, doado ao Patrimônio Histórico, de fundamental importância para a memória visual da cidade, exibido nesta mostra à população como prêmio à capital de todos os brasileiros.

A curadoria da mostra “O Passageiro da Esperança” é de Denis Scoot.

*informações do Acha Brasília e Correio Braziliense

Mais lidas nesse momento