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Saxofonista Enaldo Junior fala de música e do Barra Jazz

quinta, 09 de fevereiro de 2012 • 13:44
Por Nayene Monteles
Fotos: Dantércio Cardoso

Fã de grandes nomes do Jazz, como John Coltrane e Charlie Parker, o saxofonista Enaldo Júnior é uma das atrações do Festival Barra Jazz Blues, que acontece de 18 a 20 de fevereiro em Barra Grande, litoral do Piauí. Enaldo toca o estilo jazz desde os 14 anos. Formado em contabilidade e com pós-graduação em música, Enaldo costuma dizer que o mundo é baseado em um tripé: Deus, música e homem. “A música não está acima de Deus e o homem não está acima da música”, diz.

Em entrevista ao Portal AZ, Enaldo Junior fala sobre a música, o estilo jazz e o que apresentará no evento Barra Jazz. Confira abaixo:
 


1- Bom, de início, vamos falar do Barra Jazz Festival Blues. Você vai tocar no projeto ‘Som do Mar’, na beira-mar ao pôr do sol. Já tinha tocado em um ambiente assim? Está preparando algo diferente?

Não. Eu já tive em muitos eventos, em muitos lugares, mas na beira-mar será a primeira vez e acho que vai ser maravilhoso. Eu vou tocar jazz, baladas, bossa nova, um repertório brasileiro. Será um som mais para relaxar, para a pessoa se preparar para os eventos da noite.

2- E o que você tá achando dessa ideia de oferecer jazz e blues aos piauienses em pleno carnaval, quando o forte são outros estilos musicais?


Eu acho maravilhoso! A maioria dos músicos toca no carnaval, mas eles gostam de tocar outra coisa. Então ter um evento dessa natureza para as pessoas que gostam de tocar música boa é muito bom. Não é que a música de carnaval não seja boa, mas a pessoa tem sempre sua música predileta. Tem gente que não gosta de carnaval e foge do carnaval, tem aqueles que têm que viajar , e acabam indo para um lugar em que se escuta as mesmas músicas de sempre.




3- Então, você acha que há uma boa aceitação do piauiense para esses estilos musicais, como jazz e blues?

O piauiense gosta de música boa. Ele sempre gostou de rock´roll, de bossa nova, de samba. Agora a questão é que os veículos são muito poderosos, eles empurram música de fora, você não tem possibilidade de escolher. Tanto é que hoje é preciso você ter uma tv paga, com um canal de música pago para escutar outros estilos, porque a pessoa já não aguenta mais. Ou seja, quem não tem oportunidade,  tem que escutar o que é imposto pelos veículos. Mas acho que ainda falta reconhecimento da população, muito embora seja por conta que a maioria delas só tem acesso a um estilo.

4- Conte-nos agora como se deu o processo de formação como músico.

Eu toco desde os 14 anos, meu pai tocava no exército. Ele faleceu no ano passado, mas a minha identidade é da música. Então desde pequeno, eu já observava as coisas, tinha a noção de entender algumas coisas da música. Meu pai tinha uma coleção de 500 vinis naquela época. O interessante é que ele não queria que eu fosse músico, ele achava que era muito sofrimento, para criar os filhos. Tanto que eu sou contador, mas com pós-graduação em música (risos).

5- E como se deu a paixão pelo jazz, um estilo musical tão popular nos EUA, mas que aqui no Brasil não é tão disseminado?

Desde pequeno eu escuto jazz. Quando eu comecei a tocar eu tinha muitas opções de músicas na cabeça. Eu comecei a estudar, muita gente me ajudou, e eu sempre estudei, viajei, fiz cursos fora.

O músico do jazz, ele compõe o tempo todo. O  jazz se tornou a música popular dos EUA, como o samba aqui no Brasil. Um estilo criado pelos negros e que branco não conseguia tocar. Hoje, tudo nos EUA é ligado ao jazz. Ele influenciou todos os outros estilos de música.




6- O jazz é marcado pela improvisação e criatividade. Você, como professor o que costuma ensinar para os seus alunos, já que improvisar não é tarefa fácil.


Eu sempre digo, há Deus, a música e o homem. É essa a relação. A música não é maior que Deus e o homem não é maior que a música. Além disso, costumo dizer que quem tiver o seu talento que o jogue fora, porque talento só serve pra envaidecer. Agora, se você não tem talento, mas tem dedicação, você vai ser alguma coisa na vida. Os americanos fazem coisas absurdas, porque tem técnica, porque passam dia e noite treinando exaustivamente. Os americanos ensaiam até o sorriso. Então, tem coisas dos povos, da cultura, que você tem que pegar pra você. O saxofone é o mesmo pra todo mundo, mas cada um que pegar vai ter um som diferente. Na música, o homem é uma máquina perfeita para fazer sons.

7- Por fim, o que espera do Barra Jazz, Festival Blues?

O Piauí tem carência de eventos assim. Sempre que tiver eventos dessa natureza vai tá colocando o Piauí no cenário, é a oportunidade de acesso a outras coisas. O ser humano não é obrigado a compartilhar da mesma opinião não, ele tem que ter opções.
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