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Força das Matildas: Austrália vira referência de respeito 20 anos após calendário polêmico

Federação de futebol do país igualou salários entre homens e mulheres na última semana e superou imagem ruim causada nos anos 90. Na quinta-feira, elas enfrentam o Brasil

Na Austrália, é um hábito apelidar suas equipes. No futebol masculino, são os Socceroos. No rúgbi, são os Wallabies. No futebol para mulheres, são as Matildas. E são elas as rivais do Brasil, nesta quinta-feira, pela segunda rodada do grupo C da Copa do Mundo. O duelo entre Brasil e Austrália acontece na próxima quinta, às 13h.

O nome pode parecer referência sobre apenas uma mulher, mas a história vai bem além disso e tem um repertório todo especial de plano de fundo. Considerada a música mais popular da Austrália, o hit Waltzing Maltida, do cantor country Slim Dusty, é uma espécie de hino no país. A canção foi gravada por diversos artistas locais, nas mais variadas versões.

A letra fala da história de um viajante pelos desertos da Austrália. E, na canção, Matilda é a forma como é chamada a trouxa de pertences que este viajante carregava. De acordo com a letra, essa bolsa é a maior riqueza que ele possui.

Mas, na realidade, a entidade que rege e cuidava das Matildas do futebol demorou um tempo para cuidar de verdade delas.


Torcedoras australianas durante a partida contra a Itália (Foto: divulgação/FIFA)

Mudança de olhar e respeito

Aconteceu na Austrália, no Brasil e em muitos outros países. Houve um momento em que a sociedade olhava para o futebol feminino com preconceito. Em outro, um pouco mais adiante na história, com estereótipos sexistas. Em 1999, na época da Copa do Mundo, as jogadoras australianas foram modelos em um ensaio nu fotográfico de calendário.

Não havia referência com o status delas como atletas. Pelo contrário, as fotos eram de teor sensual, em que as jogadoras posaram nuas. Para quem estava na campanha da época, a repercussão foi negativa, já que o que se buscava de fato divulgar era o futebol feminino, e não o corpo de quem jogava. Vinte anos depois, a ideia - que visava divulgar a modalidade - ainda envergonha.

Mas isso melhorou com o tempo e com a mudança de atitude, sobretudo, da federação que rege o futebol na Austrália. Nos últimos anos, com resultados bem melhores que os Socceroos, as Matildas reclamavam publicamente de desigualdade salarial. Assunto que já mudou na semana passada, às vésperas da abertura do Mundial, depois que a Federação de Futebol Australiana anunciou que irá igualar os salários.

A estreia das Matildas na Copa do Mundo foi surpreendente. Mas de maneira negativa, já que elas eram consideradas a maior força do Grupo C e perderam de virada para a Itália, por 2 a 1, no estádio Hainaut. Agora, a Austrália chega numa posição desconfortável para enfrentar o Brasil.

A equipe australiana disputa Copas desde 1995. Tem como características a força física e marcação eficiente. A estrela em campo é Sam Kerr, que esteve entre as dez finalistas do prêmio de melhor do mundo no ano passado, vencido por Marta, pela sexta vez.

- Tento promover igualdade de gênero no esporte e na vida em geral, também. A mensagem principal que eu tento passar é para ver crianças, meninos e meninas, crescendo com mulheres como modelo. Quando eu era criança, não tive essa sorte. Nós crescemos num mundo melhor agora, tem tantas atletas mulheres de qualidade e eu sou muito orgulhosa de fazer parte disso.

Apesar da habilidade natural, Sam não começou no futebol tradicional que conhecemos. Até seus 12 anos, ela jogava um esporte australiano conhecido como Aussie Rules (regras australianas), em que seus conceitos são o resultado de uma mistura das regras do rúgbi com as do futebol.

Na Austrália, é um hábito apelidar suas equipes. No futebol masculino, são os Socceroos. No rúgbi, são os Wallabies. No futebol para mulheres, são as Matildas. E são elas as rivais do Brasil, nesta quinta-feira, pela segunda rodada do grupo C da Copa do Mundo. O duelo entre Brasil e Austrália acontece na próxima quinta, às 13h.

O nome pode parecer referência sobre apenas uma mulher, mas a história vai bem além disso e tem um repertório todo especial de plano de fundo. Considerada a música mais popular da Austrália, o hit Waltzing Maltida, do cantor country Slim Dusty, é uma espécie de hino no país. A canção foi gravada por diversos artistas locais, nas mais variadas versões.

A letra fala da história de um viajante pelos desertos da Austrália. E, na canção, Matilda é a forma como é chamada a trouxa de pertences que este viajante carregava. De acordo com a letra, essa bolsa é a maior riqueza que ele possui.

Mas, na realidade, a entidade que rege e cuidava das Matildas do futebol demorou um tempo para cuidar de verdade delas.


Torcedoras australianas durante a partida contra a Itália (Foto: divulgação/FIFA)

Mudança de olhar e respeito

Aconteceu na Austrália, no Brasil e em muitos outros países. Houve um momento em que a sociedade olhava para o futebol feminino com preconceito. Em outro, um pouco mais adiante na história, com estereótipos sexistas. Em 1999, na época da Copa do Mundo, as jogadoras australianas foram modelos em um ensaio nu fotográfico de calendário.

Não havia referência com o status delas como atletas. Pelo contrário, as fotos eram de teor sensual, em que as jogadoras posaram nuas. Para quem estava na campanha da época, a repercussão foi negativa, já que o que se buscava de fato divulgar era o futebol feminino, e não o corpo de quem jogava. Vinte anos depois, a ideia - que visava divulgar a modalidade - ainda envergonha.

Mas isso melhorou com o tempo e com a mudança de atitude, sobretudo, da federação que rege o futebol na Austrália. Nos últimos anos, com resultados bem melhores que os Socceroos, as Matildas reclamavam publicamente de desigualdade salarial. Assunto que já mudou na semana passada, às vésperas da abertura do Mundial, depois que a Federação de Futebol Australiana anunciou que irá igualar os salários.

A estreia das Matildas na Copa do Mundo foi surpreendente. Mas de maneira negativa, já que elas eram consideradas a maior força do Grupo C e perderam de virada para a Itália, por 2 a 1, no estádio Hainaut. Agora, a Austrália chega numa posição desconfortável para enfrentar o Brasil.

A equipe australiana disputa Copas desde 1995. Tem como características a força física e marcação eficiente. A estrela em campo é Sam Kerr, que esteve entre as dez finalistas do prêmio de melhor do mundo no ano passado, vencido por Marta, pela sexta vez.

- Tento promover igualdade de gênero no esporte e na vida em geral, também. A mensagem principal que eu tento passar é para ver crianças, meninos e meninas, crescendo com mulheres como modelo. Quando eu era criança, não tive essa sorte. Nós crescemos num mundo melhor agora, tem tantas atletas mulheres de qualidade e eu sou muito orgulhosa de fazer parte disso.

Apesar da habilidade natural, Sam não começou no futebol tradicional que conhecemos. Até seus 12 anos, ela jogava um esporte australiano conhecido como Aussie Rules (regras australianas), em que seus conceitos são o resultado de uma mistura das regras do rúgbi com as do futebol.