Ministério da Justiça quer saber se piauiense é financiado por Palestinos

Boicote suspeito
O Ministério da Justiça investiga atuação da Autoridade Nacional Palestina em protestos de refugiados contra programa brasileiro de reassentamento - Tais protestos têm a frente um advogado piauiense, residente em Brasília, o conhecido Acilino Ribeiro, que pegou a causa, em nome de amizades antigas.


A revista IstoÉ desta semana, trás uma matéria titulada de 'Boicote Suspeito', onde divulga que o Ministério da Justiça está pondo em xeque a atuação de advogados contratados por um grupo de palestinos refugiados no Brasil - estão no Distrito Federal - para que seja reconhecida sua situação de refugiados.

O Itamaraty e o Ministério da Justiça mandaram investigar a atuação do advogado piauiense Acilino Ribeiro, conhecido no Piauí como 'guerrilheiro', para saber se ele está sendo financiado pela Autoridade Nacional Palestina (ANP), com o objetivo de que leve os protestos à frente, em função do governo brasileiro está "maltratando" os refugiados. Estes órgãos estão chateados com a divulgação pelo mundo inteiro da situação. 

Em entrevista ao Portal AZ, Acilino disse que desde 2007 até o mês passado os palestinos passaram por muitas dificuldades, alguns especialmente pelo não recebimento dos recursos que lhe são destinados e que não lhes chegou ás mãos. "Assim nos foi dito e confirmado por vários deles. Posteriormente outros vieram, especilamente de MOGI DAS CRUZES / SP, para Brasilia, reclamarem seus direitos. Não sendo atendidos pelo ACNUR decidiram por acampar na calçada, em frente á sede do orgão. Do ACNUR. Este ao invés de tentar resolver o problema preferiu fechar a sede e alugar um outro escritório para funcionar, escondendo o endereço para que lá os palestinos não apareçam", explica o advogado Acilino Ribeiro, que foi destacado pelo grupo para lutar por seus direitos.
 
"O Governo Brasileiro, que deve agir através do Itamarty e do CONARE até agora pouco se conhece de suas ações, a não ser dizer que está fazendo isso, trabalhando naquilo, enquanto os palestinos passam fome, sofrem de doenças gravissimas sem serem atendidos na rede de saúde e ainda sofrendo o constrangimento e contantes ameaças da Policia do Distrito Federal, para que eles saiam dos locais onde estão acampado. Segundo o relato de um deles, ação movida pelos vizinhos do ACNUR a pedido do próprio orgão da ONU. Outro levado a força para um asilo como louco e outros sendo ameaçados de despejo num hotel, além dos que estão num apartamento e agora tem uma semana para sairem porque o ACNUR não aceita mais pagar as despesas dos mesmos e afirma que não tem mais responsabilidades sobre a questão', continua. 

Desta forma e tentando resolver essa questão, "que muito mais que juridica é uma questão politica, e vendo o lado humanitário da questão é que atendemos e aceitamos convite dos vinte e hum ( 21 ) palestinos que se encontram em Brasilia para funcionar como advogado deles, assim como auxiliar dentro de nossas possibilidades a advogada que já funcionava como defensora para outros quatro e que vamos atuar juntos". 

Veja a matéria na íntegra, publicada pela revista IstoÉ
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BRASIL
Boicote suspeito
O Ministério da Justiça investiga atuação da Autoridade Nacional Palestina em protestos de refugiados contra programa brasileiro de reassentamento

Claudio Dantas Sequeira


Um gesto humanitário do governo transformou-se em caso de polícia. E pode dar muita dor de cabeça ao Itamaraty. O Ministério da Justiça investiga se agentes externos, entre eles representantes do governo palestino, a Autoridade Nacional Palestina (ANP), financiam protestos de um grupo de refugiados que se encontra no Brasil desde 2007. Relatório da investigação em curso indica que um movimento de boicote ao programa brasileiro de reassentamento de refugiados tem apoio de ONGs, diplomatas e membros da comunidade palestina.

Esses refugiados acusam o governo e o Alto Comissariado das Nações Unidas (Acnur), que administra o programa, de não lhes prestar a devida assistência. Querem ser transferidos para a Europa ou retornar ao campo de refugiados de Ruweished, na fronteira da Jordânia com o Iraque, de onde saíram há dois anos. O porta-voz do Acnur no Brasil, Luiz Fernando Godinho, afirma que o organismo fez sua parte, mas "os refugiados recusaram sistematicamente a ajuda oferecida."

O imbróglio começou quando o governo aceitou receber 108 palestinos que viviam em condições precárias em Ruweished. Muçulmanos de origem sunita, eles fugiram do Iraque após a queda de Saddam Hussein, em 2003.

Aqui, foram levados para São Paulo e o Rio Grande do Sul. Passados oito meses, 25 membros do grupo abandonaram o assentamento e se instalaram em frente à sede do Acnur, em Brasília. O protesto derivou para atos de violência contra funcionários e a invasão da sede do organismo, que decidiu fechar as portas no dia 13 de abril.

Para o Ministério da Justiça, a ação dos refugiados só foi possível porque recebeu apoio institucional. "Veículos portando chapas diplomáticas foram vistos altas horas da noite visitando os refugiados", informa o relatório em poder do Ministério da Justiça. Procurado por ISTOÉ, o embaixador da Autoridade Nacional Palestina no Brasil, Ibrahim Al Zeben, admitiu ter visitado os acampados, mas negou o financiamento. "Só dei celulares e dinheiro para comprarem comida."

108 palestinos
de um campo na fronteira da Jordânia com o Iraque ganharam abrigo no Brasil, mas 25 querem deixar o País

No Itamaraty, sabe-se que a ANP, o governo provisório da Palestina, jamais concordou com a vinda dos refugiados para o Brasil. Preferia que ficassem no Oriente Médio, para participar da luta por um Estado Palestino soberano. Segundo a investigação, os refugiados "receberam telefonemas de fora, oferecendo financiamento." O relatório cita ainda o apoio oferecido aos palestinos por duas ONGs, por meio dos advogados Sandra Nascimento e Acilino Ribeiro, que também confirma o apoio da embaixada. "O embaixador ajuda, mas não pode aparecer", diz Acilino. 

Na sua opinião, os refugiados são vítimas de perseguição política. Na quarta-feira 10, os dois advogados apresentaram ao Ministério Público denúncia de suposto grampo ilegal contra o grupo de 25 palestinos. "Descobrimos uma escuta ambiental num dos apartamentos fornecidos pelo Acnur", diz Acilino. O Ministério da Justiça e o Acnur afirmaram à ISTOÉ que não têm nenhuma participação em atos de espionagem.

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