Por Nayene Monteles
Fotos: Dantércio Cardoso
Até o final desse mês, os mais de 130 ambulantes que ficam na região do Polo da Saúde, em Teresina, serão removidos. Eles serão transferidos para um novo espaço localizado entre a rua 19 de Novembro e a Avenida Miguel Rosa. A atitude foi tomada pela atual gestão municipal devido a resolução impetrada pelo Ministério Público Estadual em 2008, mas que nunca havia sido cumprida.
A resolução proíbe a permanência de ambulantes na área, tendo em vista os prejuízos que podem trazer a venda de comidas e a aglomeração de pessoas próximas aos hospitais e nas ruas. As gestões anteriores alegavam que a remoção não havia sido realizada por um impasse entre Prefeitura e ambulantes para encontrar um local adequado.
Uma questão de saúde pública
A remoção dos ambulantes trará, sem dúvida, melhorias aos hospitais e aos pacientes, considerando a higiene no local. Na opinião da diretora do Hospital Getúlio Vargas (HGV), Clarisse Lira, a venda de alimentos próximo ao hospital incomoda por conta do mau cheiro e do acúmulo do lixo. “Eles depositam muito lixo e o mau cheiro da comida invade o hospital. Às vezes a gente pensa que o mau cheiro vem do banheiro e não é, são das barracas”, explica.
A mesma opinião é compartilhada pelo diretor técnico do Hospital São Marcos, Jeferson Campelo. “Nós sabemos que os ambulantes não têm critério para nada, não armazenam as frutas adequadamente, por exemplo. E isso traz problemas enormes para a saúde porque eles fazem comida no meio do tempo, além da aglomeração de pessoas aqui nas ruas.”, ressalta.
Os vendedores estão insatisfeitos com as mudanças
Os ambulantes se dizem inseguros com a situação. Eles alegam que o novo espaço para onde serão conduzidos não condiz com o que foi prometido pela Prefeitura. “Prometeram boxes grandes, piso, banheiro, bebedouro e não tem isso tudo. O boxe é pequeno, não cabe esse tanto de ambulante e todas as mercadorias”, afirma Francisco Maia, que vende confecções nas proximidades do HGV há mais de seis anos.
Outra questão apontada pelos comerciantes informais é de que o novo local é isolado. O trabalhador Raimundo Carvalho explica que como a maioria dos clientes é de outros estados que vão aos hospitais, a falta de visibilidade prejudicará as vendas. “Se aqui já é devagar, entre quatro paredes vai cair muito. A maioria dos nossos clientes são pessoas que vem para as pensões perto dos hospitais, se ele não nos virem vai piorar a venda”, ressalta.
O membro da Associação dos Microempreendedores e Trabalhadores Informais de Teresina (Asmetit), Francisco das Chagas, explica que, de início, os ambulantes gostaram das mudanças, já que iriam ter um local seguro para as mercadorias e que traria mais conforto aos clientes. Entretanto, como o local disponibilizado não constava com tudo o que foi prometido, os comerciantes ficaram relutantes à mudança.
“Claro que tem a melhoria, poder guardar as mercadorias, um lugar com cobertura. Mas o novo local não é dos melhores, principalmente por conta do tamanho do boxe que é muito pequeno”, conclui Francisco.
Enquanto as exigências não forem atendidas, alguns ambulantes afirmam que não deixarão a rua. “Eu não saio daqui, está decidido. Eles não prometeram o que cumpriram e eu não saio’, conclui a ambulante Maria de Fátima.
Para tentar solucionar o impasse, a Prefeitura propõe melhorar o tráfego do novo local. A ideia é transformar as vias de acesso ao novo espaço em um corredor de tráfego de veículos tipo vans que transportam usuários do interior do Estado, além de instalar no local ponto de embarque e desembarque desses passageiros. Além disso, a prefeitura afirma que se responsabilizará pela divulgação do local.