Pichações de prédios públicos e residências em Teresina deixam cidade feia e suja

Pichar áreas públicas ou particulares no Brasil é crime ambiental

Andando pelas ruas de Teresina é possível perceber que o número de pichações em muros de residências, estabelecimentos e patrimônios cresceram. Os pichadores escalam prédios e deixam suas marcas em lugares mais improváveis. O ato de pichar áreas públicas ou particulares no Brasil é crime ambiental com multa e prisão, mas parece que os pichadores não estão preocupados com isso.

O Portal AZ percorreu pelas ruas do Centro da capital e ouviu comerciantes e moradores. Eles reclamam do prejuízo e da sujeira deixada nos muros. Uma das vítimas dos pichadores é o comerciante Argemiro Sabóia, que teve parte da fachada de seu estabelecimento rabiscado. “Aqui não adianta, a gente pinta a parede e no outro dia está do mesmo jeito, tudo riscado. Eu já até desisti”, disse.

O Comerciante disse ainda que o seu vizinho também teve o muro pichado e tentou por diversas vezes retirar a sujeira. “O prédio da frente foi pintado cerca de 15 dias atrás, dois dias depois já tava essa sujeira toda. Os escritório aqui do lado tem uma parede de azulejo que eles riscaram. O dono já tentou usar todo tipo de produto pra apagar isso, mas nunca conseguiu. É horrível isso”, completou.

Um busto no canteiro central da Avenida Frei Serafim em homenagem ao ex-presidente Getúlio Vargas também foi alvo dos pichadores. O busto amanheceu na última terça-feira (10) com o rosto pintado de vermelho. Um dos pedestres que ali passava e não quis se identificar, disse que o ato é um desrespeito. “Eles não respeitam nada, saem riscando tudo e deixam a nossa cidade horrível. É uma falta de desrespeito. Eles falam que é arte, mas eu acho mesmo que é vandalismo”, afirmou.

Palestino

Quem andou pelas ruas de Teresina na certa já encontrou a palavra “Palestino” nas paredes da cidade. As marcas geralmente podem ser encontradas tanto em paredes de prédios públicos e particulares, mas também em lugares mais improváveis como em topos de edifícios, onde é preciso equipamentos para escalar e chegar até o local. A identidade do pichador nunca foi descoberta.

Pichação x Grafite

Muitos ainda confundem pichação e grafite. Os pichadores usam a tinta para expressar ideias em vários lugares com objetivo de serem notados, algumas pessoas defendem que a pichação é uma forma de alimentar o ego dos praticantes. Para uns é considerado arte, outros definem como ato de vandalismo.

Pichações no Centro de Teresina
Pichações no Centro de Teresina

Ao contrário das pichações que estão trazendo muita dor de cabeça para as autoridades, o grafite seria uma forma de expressão cultural que utiliza letras e figuras que são pensadas e elaboradas pelo artista. Em Teresina, vários estabelecimentos estão aderindo à proposta. Já é possível encontrar grafites em muros de escolas, comércios e até residências.

Entre os grafiteiros, destacam-se os trabalhos de Washington Gabriel e Sanatiel Costa. O primeiro é responsável por um projeto em um dos bairros mais perigosos de Teresina, a Vila Jerusalém. Washington desenvolveu um projeto de pintar rostos dos moradores nas paredes do bairro, como forma de dar visibilidade a importância dos personagens da Vila Jerusalém.

A obra de Sanatiel Costa é possível encontrar em paredes de estabelecimentos, em um muro na Universidade Estadual do Piauí e até em painéis do Teresina Shopping.

Painel de Sanatiel Costa em um shopping de Teresina
Painel de Sanatiel Costa em um shopping de Teresina

Além disso, em 2015 a Prefeitura de Teresina deu espaço em uma galeria de arte a céu aberto na Avenida Maranhão para os artistas locais se expressarem através do grafite. A iniciativa teve aprovação da população “Eu acho que fica melhor assim. Desse jeito com desenhos é legal. Mas com pichação riscando as paredes eu acho feio, acho vandalismo”, disse a comerciante Maria das Graças.

Avenida Maranhão
Avenida Maranhão

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