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Déficit nas contas dificulta alta do PIB, diz economista; veja repercussão

31/08/2015 • 18:29
Pela primeira vez, o governo entregou ao Congresso Nacional um projeto de Orçamento prevendo gastos maiores que as receitas (déficit). A estimativa para 2016 é de déficit de R$ 30,5 bilhões, o que representa 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com o ministro Nelson Barbosa, do Planejamento.

O documento traz ainda a previsão de crescimento econômico de 0,2% no ano que vem. O mercado financeiro, porém, estima uma retração de 0,4% em 2016.

Em entrevista no Palácio do Planalto nesta segunda-feira (31), Nelson Barbosa afirmou que o governo continuará adotando medidas para melhorar os resultados das contas públicas em 2016 por meio do aumento de tributos e venda de participações acionárias, além de novas concessões.

Analistas ouvidos pelo G1 consideraram a projeção para o PIB pouco realista e avaliaram que aumenta o risco do brasil perder o chamado grau de inverstimento - espécie de selo dados pelas agências de classificação de risco para países considerados bons pagadores.

Veja abaixo a repercussão de especialistas em economia ouvidos pelo G1:

Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management
"O problema é o seguinte: o governo ano passado errou no PIB e acho que vai errar de novo, porque provavelmente não terá crescimento em 2016.

Não sei se existe um ranço natural do governo em não soltar uma notícia dessa para não parecer que o oficial em si está dando sinal de que vai haver um recua da economia. O problema é que quando você se pauta no crescimento do PIB, você tem um elemento numérico e matemático nisso. Então, se você não crescer nem 0,2% quer dizer que o déficit vai ser maior do que 0,5% do PIB.

O governo de certa maneira colocar que ele entende que vai haver um processo não recessivo e que vaio ter um déficit primário, não exime as agências de classificação de risco, de repente, não gostarem disso e tirar o grau de investimento do país."

Nelson de Sousa, economista e professor de Finanças do Ibmec/RJ
"Não quero fazer um comentário com viés político, mas é uma confissão de fracasso. É mais ou menos estar dizendo: ‘Tem isso aqui para gastar, tem isso para arrecadar e não temos muito ideia de como fazer’.

Esse tipo de coisa gera mais pressão, mais insegurança e mais instabilidade. Mas o déficit terá que ser resolvido e a forma de se resolver isso é emitir moeda, o que é muito ruim, ou emitir dívida, que implica em reajustar mais ainda a taxa de juros, que já beira 14,5% ao ano.
Infelizmente estamos encaminhando para a perda do grau de investimento. Isso não deve ocorrer nos próximos 3 meses, mas estamos dando passos nessa direção.

E o governo veio com essa previsão de crescimento de 0,2% do PIB em 2016. Acho que nem mesmo o governo acredita nesse número. A conta não fecha. Falta realismo. A questão é que precisamos ter uma reversão de expectativas."

Julio Miragaya, vice-presidente do Conselho Federal de Economia.
“O Orçamento que foi encaminhado reflete a realidade. Seria muito difícil o país fazer superávit primário. O que a gente tem é uma queda da receita por conta da própria retração da atividade econômica e um crescimento gradativo das despidas, especialmente daquelas vinculadas a gastos sociais, como educação e saúde, dos quais a própria sociedade não aceita redução. A cobrança da sociedade é essa, e o Estado tem que atender. E aí não cabe no Orçamento. Independentemente de problemas de gestão dos recursos públicos, existe uma cota de programas sociais que não está cabendo no Orçamento. No ano passado, tentou-se usar alguns de artifícios para driblar a real situação e agora estamos trabalhando com dado verdadeiro. Nessa equação, não há como trabalhar com superávit primário.

Outro ponto importante é o gasto com juro da dívida pública em torno de 7,5% do PIB. Não basta gerar um superávit primário, o fundamental é quanto o país está gastando com juros na dívida pública. Eu prefiro ter um déficit de 0,5%, mas com gasto com juros a 4,5%, do que que gerar superávit de 1% com gasto com juros de 6%. O fundamental está nessa conta.”

Tharcisio Souza Santos, diretor do MBA da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP)
“O dado é horrível. Isso não pode ficar desse jeito, vai ter que encontrar uma solução porque a lei de responsabilidade fiscal é muito clara: você não pode deixar o sistema de déficit primário. Foi tudo mal feito, como sempre. Lançaram o balão de ensaio da CPMF e perceberam que não ia ter clima para aprovar, então resolveram mandar do jeito que estava. O único ponto positivo é a transparência do tamanho do déficit.

Na realidade, isso significa uma garantia de que a relação entre a dívida e o PIB vai aumentar. O governo precisava fazer uma reestruturação econômica cortando despesas, muito mais do que as do ajuste fiscal, que só pesaram no bolso do contribuinte. Houve aumento de carga tributária aqui e ali e uma judiação social, como o atraso do pagamento da primeira metade do pagamento aos aposentados. Não é isso que tem que fazer. Tem que cortar na carne, reduzir os ministérios. A redução pra 29 é absolutamente ineficaz, tem que fazer um negócio mais pesado - até porque ninguém consegue governar com essa quantidade de ministros.

A previsão para o PIB, de alta de 0,2%, acho de um otimismo atroz. Neste ano nós devemos fazer um resultado negativo acima de 2% e no ano que vem, se tudo correr muito bem, cair 0,5%. A economia está completamente parada, o resultado não é para fazer um crescimento de 0,2% que vem. Estamos no meio de uma estagnação da brava. Naturalmente não é nada parecido com a da época do Collor de 1990, ainda tem poço para descer. Mas não vai ser muito melhor.”

G1
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