Falta trabalho para 26,3 milhões de brasileiros, aponta IBGE

O índice de subutilização atingiu 23,6% da força de trabalho no quarto trimestre de 2017

Faltava trabalho para cerca de 26,3 milhões de brasileiros no quarto trimestre de 2017, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) trimestral divulgada nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Esse número representa os trabahalhadores subutilizados no país, grupo que reúne pessoas que poderiam trabalhar, mas estão desocupadas, e aqueles que trabalham menos de 40 horas semanais.

Jorgina Cordeiro Muniz, de 38-anos, trabalha apenas 4 horas por dia, mas gostaria de trabalhar ao menos o dobro para ter renda maior (Foto: Daniel Silveira/G1)
Jorgina Cordeiro Muniz, de 38-anos, trabalha apenas 4 horas por dia, mas gostaria de trabalhar ao menos o dobro para ter renda maior (Foto: Daniel Silveira/G1)

O índice de subutilização atingiu 23,6% da força de trabalho no quarto trimestre de 2017, uma queda em relação trimestre anterior, de 23,9%, mas ainda acima do registrado no mesmo período do ano passado, de 22,2%.

São considerados trabalhadores subutilizados:

desempregados: não trabalham, mas procuram empregos nos últimos 30 dias

desalentados: poderiam trabalhar, mas não estão procurando vagas no momento ou conseguiram e não puderam assumir por algum motivo.

subocupados: pessoas que trabalham menos de 40 horas por semana, mas gostariam de trabalhar mais

Mãe de quatro filhos, a promotora de vendas Jorgina Cordeiro Muniz, de 38 anos, é um exemplo de trabalhador subutilizado. Após dois anos desempregada, ela conseguiu ser contratada para distribuir jornal de circulação gratuita pelas ruas do Rio. Sua jornada diária de trabalho é de 4 horas por dia – 20 horas semanais -, sempre pelas manhãs.

“Eu não só posso trabalhar mais, como quero trabalhar mais. Preciso muito complementar minha renda”, afirmou.

Sem ocupação após o meio dia, Jorgina busca trabalhos diversos, os chamados bicos, para lhe garantir um complemento de renda. Nesta semana, ela conseguiu uma oportunidade de distribuir nas ruas da cidade panfletos de uma rede de alimentação carioca. Mas, ela confessa que gostaria de ter uma ocupação fixa que lhe rendesse maior renda sem ter de se dividir em mais de uma atividade.

"Pra mim, hoje, é melhor fazer só 4 horas e poder pegar outros serviços. Mas eu estou querendo mesmo é outro trabalho de carteira assinada que me pague melhor", revelou.

Já a dona de casa Teresa Kelma Oliveira, de 37 anos, fora do mercado de trabalho há 3 anos, gostaria de trabalhar, mas questões domésticas lhe impedem de procurar uma ocupação. Ela trabalhava como recepcionista e, após ser demitida, precisou se dedicar aos cuidados da filha caçula e da avó.

“Quando eu trabalhava, quem tomava conta da minha filha caçula era o meu filho do meio. No mês seguinte à minha demissão, ele começou a trabalhar e eu fiquei sem ninguém para cuidar dela. Depois, cheguei a procurar emprego, mas sem sucesso, e depois não tentei mais porque eu não poderia aceitar por conta da minha filha”, conta.

Teresa enfatizou que ainda hoje ela não tem condições de assumir um trabalho. “Quando minha mãe estiver em casa, quando ela se aposentar, eu vou me sentir mais segura para voltar ao mercado de trabalho”, disse.

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