Dólar cai abaixo de R$ 3,70 com intervenção mais forte do BC

Na sexta-feira, o dólar encerrou a sessão cotado a R$ 3,7409 na venda, na maior cotação desde 16 de março de 2016

O dólar opera em queda nesta segunda-feira (21), depois de 6 altas consecutivas e após o Banco Central anunciar que vai aumentar a oferta de dólar e que poderá voltar a atuar no mercado de câmbio, se necessário.

Às 10h25, a moeda dos EUA caía 1,12%, a R$ 3,6991 na venda.

O dólar iniciou o dia operando descolado do cenário externo, onde continuava avançando ante divisas fortes e de países emergentes, destaca a Reuters.

Na sexta-feira, o dólar encerrou a sessão cotado a R$ 3,7409 na venda, na maior cotação desde 16 de março de 2016 (R$ 3,7916). Na semana, a moeda acumulou alta de 3,88% e, no mês de maio, avançou 6,8% até sexta-feira. No acumulado de 2018, tem valorização de 12,9%.

O Banco Central realiza nesta quinta-feira leilão de até 4.225 contratos de swap cambial tradicional -- equivalente à venda futura de dólares - para rolagem do vencimento de junho. Também ofertará até 15 mil novos swaps, oferta maior do que a de até 5 mil contratos que vinha oferecendo nos últimos cinco pregões.

A moeda dos EUA vem subindo nas últimas semanas, com os investidores apostando que a taxa de juros nos Estados Unidos terá que subir mais vezes este ano para conter a inflação. Com taxas mais altas, o país se tornaria mais atraente para investimentos aplicados atualmente em outros mercados, como o Brasil, motivando assim uma tendência de alta do dólar em relação ao real.

Na edição desta semana do relatório Focus do Banco Central, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 subiu de R$ 3,40 para R$ 3,43 por dólar. Para o fechamento de 2019, avançou de R$ 3,40 para R$ 3,45 por dólar.

BC aumenta oferta de moeda no mercado futuro

Com a disparada do dólar, o Banco Central anunciou na sexta-feira que triplicará nesta segunda-feira a oferta de contratos de "swap cambial", que correspondem à venda de dólar no mercado futuro.

Até então, o BC vinha ofertando 5 mil contratos nos leilões de swap tradicional, realizados diariamente. A partir de agora, o valor ofertado passará de US$ 250 milhões para US$ 750 milhões. A expectativa é que, com a mudança, o montante negociado até o fim de maio passe de cerca de US$ 3 bilhões para US$ 6,5 bilhões.

Em nota, o Banco Central informou que leilões adicionais podem ser realizados em caso de mudança do cenário econômico. "O BC ressalta que os montantes das ofertas adicionais de swap poderão ser revistos e se reserva o direito de realizar atuações discricionárias, caso seja necessário", diz o texto.

Os swaps são contratos para troca de riscos: o BC oferece um contrato de venda de dólares, mas não entrega a moeda. No vencimento desses contratos, o investidor se compromete a pagar uma taxa de juros sobre o valor deles e recebe do BC a variação do dólar no mesmo período.

Esses instrumentos servem para dar "proteção" contra variações bruscas no câmbio aos agentes que têm dívida em moeda estrangeira. Isso evita que tenham que comprar moeda no mercado à vista para se protegerem.

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