A presidente eleita Dilma Rousseff criticou nesta quinta-feira (11), em Seul, a política monetária dos Estados Unidos. Segundo ela, a desvalorização do dólar frente às outras moedas é uma questão “grave” para todos os países.
Questionada se a medida do Federal Reserve (Banco Central norte-americano) de gastar US$ 600 bilhões em títulos seria uma "desvalorização disfarçada", Dilma concordou. Ela afirmou ainda que a decisão dos EUA de injetar dólar na economia gera um "protecionismo camuflado" por parte das outras nações "como forma de se proteger".
A presidente eleita chegou na Coreia do Sul na quarta (10) para participar das reuniões do G20 ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Há uma questão que eu acho que é grave para o mundo inteiro, que é o problema da política do dólar fraco. Essa é uma questão que sempre causou problema. Faz com que o ajuste americano fique na conta das outras economias”, disse.
Queda do dólar
Dilma manifestou preocupação com a valorização do real e disse que será preciso adotar novas medidas para conter a queda do dólar. “Vamos ter que olhar cuidadosamente e tomar todas as medidas possíveis”.
Questionada sobre as decisões que pretende tomar para manter o equilíbrio cambial, disse: “Se eu tivesse medidas, eu não diria aqui.”
Ela contou uma história sobre o ex-premiê britânico Winston Churchill, que governou a Inglaterra durante a Segunda Guerra mundial, para exemplificar que algumas medidas têm de ser tomadas sem publicidade.
“Você sabe aquela história do Churchill. O repórter perguntou para ele: ‘vai fazer tal medida?’. Ele fala ‘não’. Aí ele vai, entra e faz a medida. E aí os repórteres: ‘mas o senhor disse que não ia tomar’. E ele falou: ‘tem certas medidas que a gente não confessa nem para nós mesmos’”, contou Dilma.
A presidente eleita defendeu ainda a proposta do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de modificar o sistema financeiro para que as reservas internacionais sejam compostas por múltiplas moedas. No entanto, ela afirmou que a diminuição do papel do dólar nas transações comerciais não é apenas uma “questão de vontade”.
“Eu não acho que não é uma questão de vontade isso. Porque se fosse uma questão de vontade, já tinha sido feito. Pode ser uma questão de acordo, como foi em Breton Woods. Em Breton Woods isso já foi colocado como sendo uma possibilidade, defendido até pela representação inglesa”, afirmou.
Trem-bala
Dilma contou que conversou na quarta com o ministro dos Transportes da Coreia, Jong-Hwan Chung, sobre a possível participação do país asiático na construção do trem-bala.
“Ao chegar, eu falei com o ministro dos Transportes. Ele falou para mim que os coreanos têm todo o interesse em participar. Falou muito das obras que estão fazendo, da capacidade de construir portos, de rodovias. E sempre falando que querem participar no Brasil. São muito bem-vindos”, disse.
Nathalia PassarinhoDo G1, em SeulSeja o primeiro a comentar
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