Libertadores: Internacional perde

Que acabe logo o mês de abril, porque o Inter não aguenta mais. Não bastasse o duro golpe sofrido com a derrota no Gre-Nal do último domingo, pelo Gauchão, o Colorado começou a disputa das oitavas de final da Libertadores da América com o pé esquerdo. Nesta quarta-feira, a equipe de Jorge Fossati foi superada pelo Banfield, da Argentina, por 3 a 1, em Lomas de Zamora, cidade vizinha a Buenos Aires. Resultado duro, complicado de engolir e com uma arbitragem polêmica. Agora, será preciso mais do que superação. Na próxima quinta-feira, no jogo da volta, no Beira-Rio, terá de se agigantar e vencer por 2 a 0 para avançar. Se os brasileiros repetirem o placar, a decisão será nos pênaltis. A partir do 4 a 2, os argentinos passam.

Ag./Reuters

Jorge Fossati, técnico do Internacional, leva as mãos à cabeça após terceiro gol do Banfield


Diante do resultado ruim fora de casa, é muito provável que o Inter jogue a segunda partida da final do Estadual com uma equipe mista ou até reserva. A situação também não é nada boa. É preciso derrotar o Grêmio por 2 a 0, no Olímpico, para levar aos pênaltis. Caso contrário, o título ficará com o rival. O duelo será neste domingo, às 16h (de Brasília).

  Agência/EFE



Pato dá susto, mas também se garante

Jogos contra times argentinos são sempre de dar nos nervos. Eles fingem que não querem nada, correm como se tivessem o dobro de jogadores em campo e têm uma paciência irritante para tocar a bola. Mas não há remédio. É Libertadores da América. O Inter foi à cidade de Lomas de Zamora, vizinha a Buenos Aires, à espera de muita pressão por parte da torcida do Banfield. No acanhado estádio Florencio Sola, as arquibancadas são coladas ao campo. Tem gente quase fungando no pescoço. Mas o tal clima de caldeirão ficou na promessa, e o local não lotou.

A equipe colorada foi a campo mais retraída. Jorge Fossati optou por retomar o sistema de três zagueiros. Sacou um homem de frente. Tudo levava a crer que seria Alecsandro, mal no Gre-Nal, mas o escolhido foi Walter. Com Andrezinho e D’Alessandro na criação, mais os alas Nei e Kleber liberados para atacar, o Inter começou bem, especialmente nos avanços pela esquerda. Num deles, a bola chegou para Alecsandro na entrada da área, e o atacante disparou de pé direto, bem perto do gol de Lucchetti.

A pressão foi curta. Os brasileiros respeitaram demais o Banfield. Deram campo ao adversário. O meia Rodríguez, canhoto habilidoso, foi bem marcado e pouco apareceu. Coube ao meia Erviti tentar organizar o time. Tudo passava por ele. Os argentinos cresceram a partir dos 15 minutos. Muito por conta de uma falha de Pato Abbondanzieri. Aos 19, ele tentou driblar o atacante adversário e se enrolou todo. Fernández rolou para Ramírez dentro da área que, em condição legal, só empurrou para o gol. A arbitragem, no entanto, marcou impedimento. Dois minutos depois, Alecsandro apareceu pela segunda vez. Aos 21, aproveitou uma sobra de bola na pequena área, tentou três vezes até conseguir vencer o goleiro, mas o impedimento foi bem marcado. O atacante estava adiantado.

Pato Abbondanzieri se redimiu. Sob as traves, realmente é um goleiro experiente e que faz a diferença. Defendeu uma cabeçada perigosíssima, aos 24. Após cobrança de falta para a área, Victor Lopez subiu livre. No susto, o argentino mandou pela linha de fundo. Em novo teste, Ramírez, jogador mais insistente do que talentoso, bateu rasteiro, aos 34, e Pato caiu bem para espalmar.

O Inter conseguiu se estabilizar e voltou a ser ofensivo. Em uma das investidas, polêmica. Andrezinho cruzou da esquerda, e Nei apareceu na ponta direita para receber na área. Quando entrou nela, foi derrubado por um defensor do Banfield e pediu pênalti. O árbitro mandou o jogo seguir. Os dois olhavam para o alto no momento do choque, mas o lateral-direito foi impedido de avançar.



Arbitragem atrapalha, e Inter se complica



Respire fundo. O segundo tempo foi de deixar qualquer um ofegante. O relógio nem marcava dois minutos quando o Banfield saiu na frente. Kleber vacilou na marcação pela esquerda e permitiu um cruzamento rasteiro. A bola passou por toda a área até encontrar Rodríguez na segunda trave. O meia, que é chamado de Cristiano Ronaldo por lá, bateu cruzado para vencer Abbondanzieri. A virtude colorada foi não se abater. Três minutos depois, Nei buscou Alecsandro na área. O cruzamento foi afastado pela zaga adversária, e Kleber pegou o rebote de primeira. Um gol espetacular. A bomba de esquerda foi parar no ângulo: 1 a 1.



O Colorado sentia falta de D’Alessandro e Andrezinho, ambos muito discretos, pouco criativos. Num erro de posicionamento da zaga, Erviti ficou com todo o espaço do mundo na frente da área e disparou. Pato defendeu, aos sete. Era um sinal ruim. Pouco depois, aos 13, um exagero da arbitragem. Numa dividida com Erviti quase no meio-campo, Kleber chegou primeiro e deu um bico na bola. Ao tentar apoiar o pé esquerdo no chão, pisou na barriga do adversário. Recebeu cartão vermelho direto. Trinta segundos depois, na cobrança da falta para a área, o Banfield fez o segundo gol. Ramírez recebeu depois de um desvio na zaga, bateu, e Pato pegou. No rebote, o atacante teve nova oportunidade, mas preferiu passar para Battión, em posição duvidosa. Com o gol aberto, ficou fácil: 2 a 1.



Depois do lance do gol, o jogo parou por quase cinco minutos. Jorge Fossati colocou a mão na cabeça e disse que foi atingido por um objeto. O técnico recebeu atendimento médico, e a partida seguiu.



A pausa ajudou o Inter a tentar se estabilizar, meio aos trancos e barrancos, é verdade. Aos 32, uma grande chance. Andrezinho sofreu falta na entrada da área, e D’Alessandro cobrou. O argentino tentou o ângulo, mas Lucchetti foi buscar. Três minutos depois, após cobrança de escanteio, a zaga vermelha (vestida de branco) tentou afastar, e Fernandéz aproveitou para fazer o terceiro. Gol que transforma a classificação do Inter numa missão difícil.



Fossati ainda tentou fazer alguma coisa com Walter no lugar de Alecsandro. Everton e Taison também entraram, saíram D'Ale e Andrezinho, mas havia pouco tempo e quase nenhuma força. A vaga ainda é possível, mas o Gigante vai ter de explodir para ajudar neste tremendo desafio.



Ficha técnica:

BANFIELD 3 x 1 INTERNACIONAL
Lucchetti, Julio Barrazar, Ladino, Victor Lopez e Jonathan Maidana; Battión, Erviti, Quinteros e James Rodríguez (Dos Santos); Ramírez e Fernández (Sardella).

Pato Abbondanzieri, Bolívar, Sorondo e Fabiano Eller; Nei, Guiñazu, Sandro Andrezinho (Taison), D’Alessandro (Everton) e Kleber; Alecsandro (Walter).
Técnico: Julio César Falcioni. Técnico: Jorge Fossati.
Gols: Rodriguez, aos dois minutos, Kleber, aos cinco, Battión, aos 13, e Fernández, aos 35 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Barrazar e Fernández (Banfield); Alecsandro, Guiñazu e Fabiano Eller (Inter). Cartão vermelho: Kleber (Inter) e Barrazar (Banfield).
Estádio: Florencio Sola, em Lomas de Zamora, Argentina. Data: 28/04/2010. Árbitro: Jorge Larrionda (Uruguai). Auxiliares: Pablo Fandiño (Uruguai) e Maurício Espinosa (Uruguai).

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