A hora do Imperador voltar a sorrir no Fla

A confusão armada por Adriano e sua ex-noiva, Joana Machado, na madrugada do dia 5 de março, na Favela da Chatuba, ainda repercute. Desde então, o Imperador deixou de comemorar seus gols.

Na quarta-feira, quando convertera o pênalti que garantiu a vitória sobre o Corinthians, ele quase deixou a birra de lado. Após a cobrança, ameaçou partir em direção à galera. Mas no meio do caminho desistiu. Fez cara de mal, baixou a cabeça e limitou-se a receber o abraço afetuoso dos companheiros.

Indignado com o tratamento dado pela imprensa ao barraco na Chatuba, Adriano, após fazer o gol da vitória de 1 a 0 sobre o Vasco, na Taça Rio, trocou a festa por protesto. Após o feito, mostrou a camisa que vestia sobre o manto, na qual estava escrito: “Que Deus perdoe essas pessoas ruins.” De lá para cá, a relação com a torcida, sua fiel companheira, até mesmo nos momentos mais difíceis, também ruiu. Revoltada com a perda do pênalti contra o Botafogo, que sepultou o tão sonhado tetra estadual, e com as constantes ausências nos jogos da Libertadores – dos cinco que o Flamengo disputara até então, participara somente de dois –, a magnética não somente vaiou, mas xingou o Imperador.

Na última quarta-feira, após ele converter o pênalti, a torcida decretou trégua, exaltando o atacante. Em coro, cantou: “O Imperador voltou”. Mas nem isso o demoveu da ideia fixa de não festejar. Nem mesmo o feito que garantiu vantagem no segundo jogo das oitavas de final da Libertadores, competição mais importante para o Rubro-Negro este ano.

Dono de atuação destacada contra o Corinthians, o zagueiro David, que parou Ronaldo, parece perceber que o Imperador está próximo de voltar a sorrir:

– O Adriano foi muito bem, não somente pelo gol, mas por tudo que fez. Tem se esforçado e voltou a ser o Imperador. Vamos ajudá-lo a ir à Copa.

Seis motivos para o Imperador festejar:

Manto Sagrado - Além de vestir a camisa do clube mais popular do mundo, Adriano usa a de número 10, que pertenceu a Zico, maior ídolo de toda a História do clube. E ele ainda teve a liberdade para escolhê-la.

Idolatria - Bastou uma atuação apenas razoável e um gol, de pênalti, para a torcida rubro-negra esquecer tudo e voltar a aplaudir Adriano, que fora vaiado e xingado após a perda do Carioca para o Botafogo.

Seleção - Às vésperas de Dunga definir o grupo que vai disputar a Copa do Mundo da África, Adriano voltou a ser decisivo. E logo em um jogo de Libertadores, contra o Corinthians e sob forte temporal.

Apoio - Apesar de viver momento delicado, Adriano sempre contou com o apoio incondicional de grande parte do elenco e também da diretoria, que sempre foi compreensiva com seus problemas particulares.

Liberdade - Adriano sempre teve toda a liberdade para se sentir à vontade na Gávea. Por diversas vezes foi liberado de treinos e jogos, até dos mais importantes, sempre com o consentimento da diretoria rubro-negra.

Paixão - Formado na Gávea, Adriano nunca escondeu que sempre foi torcedor do Flamengo, paixão incentivada por seu pai, frequentador do Maracanã. Jogar pelo Rubro-Negro era um sonho de criança.


http://blogs.jovempan.uol.com.br/fernandosampaio/wp-content/uploads/2009/12/adriano-imperador.bmp

Mais lidas nesse momento