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Professor da UFPI fala do uso indevido de recursos das universidades federais

Segundo o professor, o movimento é apenas uma oportunidade para se fazer oposição ao presidente da República

O professor do departamento de Fitotecnia da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Disraeli Rocha, afirmou em áudio divulgado nas redes sociais que o corte de 30% dos recursos das universidades federais em nada afetará salários, bolsas ou iniciações científicas. De acordo com o docente, a verba cortada é utilizada de qualquer maneira pelos reitores e, inclusive, para financiar campanhas políticas. 

Professor Disraeli Rocha (Foto: divulgação/UFPI) 

“Para começar nada disso ainda entrou em vigor e só vai entrar a partir de agosto. E mesmo a partir de agosto todas as rubricas obrigatórias vão ser mantidas como estão. Nenhum centavo vai ser subtraído de salários, por exemplo, de salários de professores, de técnicos, de administrativos. Nada disso vai mudar. Bolsa de estudante, iniciação cientifica, monitorias, nada vai ser alterado[...]. O corte de 30% foi sobre este valor que pode ser mexido ao ‘bel prazer’ dos reitores. Somente isso e a partir de agosto. Esses recursos tendem a voltar depois que as universidades façam projetos para o uso desses valores que deverão ser devidamente fiscalizados pelo Governo Federal. Hoje, nem todas as universidades brasileiras, mas a maioria, os reitores não usam direito esse dinheiro. Alguns usam, até segundo se comenta e eu não posso provar isso, fazendo campanha para vereadores de cidades, principalmente no centro-sul do Brasil”, afirmou. 

Segundo o professor, o movimento é apenas uma oportunidade para se fazer oposição ao presidente da República, Jair Bolsonaro. 

“Usar esse movimento a favor da educação é uma cortina de fumaça e uma oportunidade que se tem pra ir às ruas para lutar contra quem? Contra o Bolsonaro, contra suas reformas, contra o [Sérgio] Moro, contra isso aí. Esse é o motivo. Essa universidade não está ruim de hoje não, está ruim há muito tempo. Na universidade tem muita coisa boa, mas tem muitas coisas que precisam ser melhoradas”, finalizou o professor.

O professor ainda destacou sobre um caso na Universidade Federal do Pernambuco, onde de acordo com ele, uma parte da verba foi utilizada para a criação de uma “Diretoria das Lésbicas e Gays”.

“A Universidade Federal do Pernambuco, parte desse dinheiro que o reitor pode mexer foi utilizado para a criação da diretoria das lésbicas e gays. Agora nessa semana a Universidade Federal de Pernambuco, por não dispor desse dinheiro fácil, vai destituir a diretoria de LBG [sic] e acabar o cargo dentro da universidade. A Universidade Federal de Pernambuco tem a diretoria só de lésbicas e gays que foi criada pra prestar não sei que serviço, que sai com esse dinheiro que sai do meu bolso, do seu bolso”, diz.

Segundo o site da Universidade Federal do Pernambuco, "A Diretoria LGBT é responsável pela execução da 'Política LGBT da UFPE' cujo objetivo primordial é favorecer o ACOLHIMENTO, a INSERÇÃO e a PERMANÊNCIA da comunidade LGBT da UFPE. Sendo assim, ela coordenará e implementará as ações afirmativas e os projetos relacionados aos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais e Intersexuais". 

Universidade Federal do Piauí (Foto: divulgação)

O Portal AZ buscou o posicionamento da Universidade Federal do Piauí (UFPI) sobre as declarações do professor. A instituição reforçou os dados de nota divulgada, em 07 de maio, esclarecendo de que forma esse corte de verba afetará os serviços. E ressaltou que todos os investimentos realizados com esse recurso estão devidamente especificados no portal da transparência. 

Leia a nota da Ufpi na íntegra:

A Universidade Federal do Piauí (UFPI) confirma o bloqueio global de 30% em seu orçamento de custeio, anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) na última terça-feira (30/04/2019). A decisão impacta diretamente no funcionamento da Universidade, comprometendo gravemente sua capacidade de cumprir com as atividades administrativas e acadêmicas.

O bloqueio representa um corte total de mais de 33 milhões de reais:

    a) mais de 1,5 milhão dos programas de Ensino, Pesquisa e Extensão (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Tecnológica (PIBITI), Programa Institucional de Bolsas de Extensão (PIBEX), Programa de Monitoria, etc.);

     b) mais de 2,8 milhões para o funcionamento das três escolas vinculadas (Colégios Técnicos de Teresina, Floriano e Bom Jesus);

     c) e 28,7 milhões para o funcionamento do Ensino Superior.

O corte afeta diretamente os serviços de vigilância, limpeza, fornecimento de energia e água, manutenção de equipamentos, transporte, dentre outros. Merece ser destacado que o bloqueio anunciado representa aproximadamente 50% dos recursos previstos no orçamento para o período de maio a dezembro.

Atualmente oferecendo 84 cursos presenciais; 15 de ensino a distância, por todo o Piauí; 46 cursos de pós-graduação em nível mestrado, 19 doutorados; 23 residências médicas e 11 residências multiprofissionais, a UFPI, com 48 anos de existência, tem se firmado como uma das instituições que mais contribui para o desenvolvimento do estado e do país. Vale destacar que, a despeito dos inúmeros cortes sofridos pelas universidades, a UFPI vem, num trabalho diligente de toda sua equipe administrativa, cumprindo com seus compromissos e não possuindo, mesmo neste contexto de restrições orçamentárias, contas em atraso e nem obras paradas.

A UFPI se apresenta no cenário atual com uma comunidade acadêmica constituída de cerca de 45 mil pessoas; com mais de 4.000 alunos assistidos nos seus programas de bolsas institucionais. Oferece mais de 90% dos programas de pós-graduação stricto sensu do Piauí e 48% dos cursos de Licenciatura do Estado. Na última década, contribuiu com a formação de mais de 30.000 novos profissionais, nas diversas áreas do conhecimento.

Vale ainda destacar que no contexto da qualificação e formação de recursos humanos, a UFPI é a única IFES do Piauí a oferecer cursos de Doutorados Institucionais, e também a única a ofertar os cursos de graduação em: Medicina Veterinária, Música, Arqueologia, Educação no Campo, Engenharia Florestal, Engenharia de Materiais, Licenciatura em Libras, dentre outros.

A instituição tem, dentre suas missões, o compromisso da garantia de uma educação pública de qualidade, da geração do conhecimento, da inovação, contribuindo, efetivamente, para o desenvolvimento econômico, político e social do país. Reafirma, portanto, a defesa desses direitos, junto à sociedade piauiense e de todo o Brasil.

Confira o áudio com a fala do professor na íntegra:

O professor do departamento de Fitotecnia da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Disraeli Rocha, afirmou em áudio divulgado nas redes sociais que o corte de 30% dos recursos das universidades federais em nada afetará salários, bolsas ou iniciações científicas. De acordo com o docente, a verba cortada é utilizada de qualquer maneira pelos reitores e, inclusive, para financiar campanhas políticas. 

Professor Disraeli Rocha (Foto: divulgação/UFPI) 

“Para começar nada disso ainda entrou em vigor e só vai entrar a partir de agosto. E mesmo a partir de agosto todas as rubricas obrigatórias vão ser mantidas como estão. Nenhum centavo vai ser subtraído de salários, por exemplo, de salários de professores, de técnicos, de administrativos. Nada disso vai mudar. Bolsa de estudante, iniciação cientifica, monitorias, nada vai ser alterado[...]. O corte de 30% foi sobre este valor que pode ser mexido ao ‘bel prazer’ dos reitores. Somente isso e a partir de agosto. Esses recursos tendem a voltar depois que as universidades façam projetos para o uso desses valores que deverão ser devidamente fiscalizados pelo Governo Federal. Hoje, nem todas as universidades brasileiras, mas a maioria, os reitores não usam direito esse dinheiro. Alguns usam, até segundo se comenta e eu não posso provar isso, fazendo campanha para vereadores de cidades, principalmente no centro-sul do Brasil”, afirmou. 

Segundo o professor, o movimento é apenas uma oportunidade para se fazer oposição ao presidente da República, Jair Bolsonaro. 

“Usar esse movimento a favor da educação é uma cortina de fumaça e uma oportunidade que se tem pra ir às ruas para lutar contra quem? Contra o Bolsonaro, contra suas reformas, contra o [Sérgio] Moro, contra isso aí. Esse é o motivo. Essa universidade não está ruim de hoje não, está ruim há muito tempo. Na universidade tem muita coisa boa, mas tem muitas coisas que precisam ser melhoradas”, finalizou o professor.

O professor ainda destacou sobre um caso na Universidade Federal do Pernambuco, onde de acordo com ele, uma parte da verba foi utilizada para a criação de uma “Diretoria das Lésbicas e Gays”.

“A Universidade Federal do Pernambuco, parte desse dinheiro que o reitor pode mexer foi utilizado para a criação da diretoria das lésbicas e gays. Agora nessa semana a Universidade Federal de Pernambuco, por não dispor desse dinheiro fácil, vai destituir a diretoria de LBG [sic] e acabar o cargo dentro da universidade. A Universidade Federal de Pernambuco tem a diretoria só de lésbicas e gays que foi criada pra prestar não sei que serviço, que sai com esse dinheiro que sai do meu bolso, do seu bolso”, diz.

Segundo o site da Universidade Federal do Pernambuco, "A Diretoria LGBT é responsável pela execução da 'Política LGBT da UFPE' cujo objetivo primordial é favorecer o ACOLHIMENTO, a INSERÇÃO e a PERMANÊNCIA da comunidade LGBT da UFPE. Sendo assim, ela coordenará e implementará as ações afirmativas e os projetos relacionados aos direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais e Intersexuais". 

Universidade Federal do Piauí (Foto: divulgação)

O Portal AZ buscou o posicionamento da Universidade Federal do Piauí (UFPI) sobre as declarações do professor. A instituição reforçou os dados de nota divulgada, em 07 de maio, esclarecendo de que forma esse corte de verba afetará os serviços. E ressaltou que todos os investimentos realizados com esse recurso estão devidamente especificados no portal da transparência. 

Leia a nota da Ufpi na íntegra:

A Universidade Federal do Piauí (UFPI) confirma o bloqueio global de 30% em seu orçamento de custeio, anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) na última terça-feira (30/04/2019). A decisão impacta diretamente no funcionamento da Universidade, comprometendo gravemente sua capacidade de cumprir com as atividades administrativas e acadêmicas.

O bloqueio representa um corte total de mais de 33 milhões de reais:

    a) mais de 1,5 milhão dos programas de Ensino, Pesquisa e Extensão (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Tecnológica (PIBITI), Programa Institucional de Bolsas de Extensão (PIBEX), Programa de Monitoria, etc.);

     b) mais de 2,8 milhões para o funcionamento das três escolas vinculadas (Colégios Técnicos de Teresina, Floriano e Bom Jesus);

     c) e 28,7 milhões para o funcionamento do Ensino Superior.

O corte afeta diretamente os serviços de vigilância, limpeza, fornecimento de energia e água, manutenção de equipamentos, transporte, dentre outros. Merece ser destacado que o bloqueio anunciado representa aproximadamente 50% dos recursos previstos no orçamento para o período de maio a dezembro.

Atualmente oferecendo 84 cursos presenciais; 15 de ensino a distância, por todo o Piauí; 46 cursos de pós-graduação em nível mestrado, 19 doutorados; 23 residências médicas e 11 residências multiprofissionais, a UFPI, com 48 anos de existência, tem se firmado como uma das instituições que mais contribui para o desenvolvimento do estado e do país. Vale destacar que, a despeito dos inúmeros cortes sofridos pelas universidades, a UFPI vem, num trabalho diligente de toda sua equipe administrativa, cumprindo com seus compromissos e não possuindo, mesmo neste contexto de restrições orçamentárias, contas em atraso e nem obras paradas.

A UFPI se apresenta no cenário atual com uma comunidade acadêmica constituída de cerca de 45 mil pessoas; com mais de 4.000 alunos assistidos nos seus programas de bolsas institucionais. Oferece mais de 90% dos programas de pós-graduação stricto sensu do Piauí e 48% dos cursos de Licenciatura do Estado. Na última década, contribuiu com a formação de mais de 30.000 novos profissionais, nas diversas áreas do conhecimento.

Vale ainda destacar que no contexto da qualificação e formação de recursos humanos, a UFPI é a única IFES do Piauí a oferecer cursos de Doutorados Institucionais, e também a única a ofertar os cursos de graduação em: Medicina Veterinária, Música, Arqueologia, Educação no Campo, Engenharia Florestal, Engenharia de Materiais, Licenciatura em Libras, dentre outros.

A instituição tem, dentre suas missões, o compromisso da garantia de uma educação pública de qualidade, da geração do conhecimento, da inovação, contribuindo, efetivamente, para o desenvolvimento econômico, político e social do país. Reafirma, portanto, a defesa desses direitos, junto à sociedade piauiense e de todo o Brasil.

Confira o áudio com a fala do professor na íntegra: