Fim da patente do Viagra deve influenciar outros 30 remédios

O fim da patente do Viagra, aprovado nesta quarta-feira (28) pelo STJ (Supremo Tribunal de Justiça), vai influenciar o julgamento dos prazos das patentes de pelo menos outros 30 medicamentos no Brasil. No alvo do Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e que foi decisivo para não prorrogar a patente do Viagra, estão medicamentos que tratam doenças como câncer, diabetes, hipertensão, leucemia. Ou seja, é provável que sejam lançados genéricos para esses produtos em breve.

De acordo com o órgão, há 30 ações tramitando no STJ que tratam de empresas que desejam estender a patente de seus remédios, algo a que o Inpi se opõe. No Tribunal Regional Federal da 2ª Região há oito processos sobre o assunto. O procurador-geral do Inpi, Mauro Maia, disse ao R7 que o objetivo da instituição é fazer com que os laboratórios "cumpram a lei com exatidão".

– Estamos lutando para que os laboratórios cumpram as patentes na data estabelecida pelo Inpi. No nosso entender, se você estende a patente, prejudica a livre concorrência, já que os medicamentos genéricos não podem ser comercializados. E se não há genéricos, o preço não cai e a população fica privada do acesso a esses produtos.

Pela legislação brasileira, as empresas podem explorar um medicamento no mercado por 20 anos. No caso da briga do Viagra, o que estava em jogo era saber qual patente era válida, ou seja, a partir de quando essas duas décadas começariam a contar. A primeira patente do Viagra foi registrada em 20 de junho de 1990, na Inglaterra. No entanto, a Pfizer recorreu à Justiça por considerar uma outra data, junho de 1991, data em que o registro do Viagra, segundo o laboratório, foi de fato validado no Reino Unido. O STJ entendeu que o que vale mesmo é a primeira.

Em nota, a Pfizer diz que "acata, mas respeitosamente discorda da decisão do Tribunal". Segundo a companhia, a patente é uma garantia para a empresa de que os investimentos financeiros feitos no desenvolvimento do remédio terão retorno.

– A companhia defende o prazo da validade da patente como forma de garantir o retorno do investimento realizado para o desenvolvimento do produto em questão e de outros em estudo, que culminam em novos medicamentos no futuro.

Na fila está um outro medicamento da Pfizer, o Lípitor, usado para o controle do colesterol. O laboratório Pfizer já ganhou uma decisão no Tribunal Regional Federal, que concedeu o prazo de patente que cobre a atorvastatina (principio ativo do Lípitor), para 28 de dezembro de 2010. O Inpi já havia entrado com ação contra a extensão do prazo, alegando que deveria ser expirado em 29 de julho de 2009. Mas, assim como aconteceu com o Viagra, o Inpi espera reverter a decisão referente ao Lípitor na Justiça.

Tanto o Viagra como Lípitor estão entre os 20 medicamentos com maior faturamento no Brasil. Segundo a Pró Genéricos (Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos), o Viagra vendeu mais de 2,9 milhões de unidades e faturou mais de R$ 160 milhões somente no Brasil, em 2008. No mesmo ano, o Lípitor vendeu mais de 1,3 milhão de unidades, faturando mais de R$ 136 milhões.

Outros medicamentos na mira do Inpi são o Diovan, do laboratório Novartis, usado no combate à hipertensão, e o Singulair, da Merck Sharp & Dohme, usado por pacientes com problemas respiratórios.

De acordo com Sérgio Mena Barreto, presidente da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), quem ganha com essa decisão do STJ são os consumidores, já que “os preços dos medicamentos caem pelo menos 40%” com os genéricos na disputa. Barreto diz que o próprio laboratório do remédio de referência, no caso a Pfizer, terá de fazer promoções para seu produto.

- Quando a patente cai e a empresa tem que dividir o mercado, ela geralmente baixa o preço de seus produtos para tentar acompanhar a concorrência dos genéricos. Apesar disso, sempre ocorre uma grande queda na venda.

Quanto aos medicamentos considerados concorrentes do Viagra, como o Levitra, da Bayer, e o Cialis, da Eli Lilly, Barreto diz que o fim da patente do Viagra não afetará a venda desses produtos.

- São remédios diferentes, com um posicionamento distinto, até mesmo com outro tipo de ação. Não prevejo grande impacto nesses produtos. O que vai afetar mesmo é a venda do Viagra.

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