Laboratório deve 43 milhões de comprimidos antiaids

São Paulo - A falha no abastecimento do remédio combinado antiaids lamivudina/zidovudina no País é reflexo de um problema iniciado no fim de 2009, com o atraso na entrega de medicamentos produzidos pela Fiocruz. O laboratório oficial fechou o ano com dívida de 26 milhões de comprimidos, o que levou o Ministério da Saúde a usar estoque de emergência. A situação se agravou em janeiro, quando a produção foi interrompida por falhas técnicas. Agora, o laboratório deve 43 milhões de comprimidos.

O diretor de Farmanguinhos Hayne Silva admitiu que a prática de iniciar o ano com passivo na entrega de medicamentos não é incomum. Apesar do desabastecimento, Silva disse não considerar que o laboratório trabalhe no limite da segurança.

A lamivudina/zidovudina é usada por 116 mil pacientes. Para corrigir o problema até junho, a Fiocruz teve de contratar a Furp - laboratório oficial de São Paulo -, que ficará encarregado de produzir os 26 milhões de comprimidos que deveriam ter sido entregues em 2009. O restante será produzido por Farmanguinhos.

“Não foi a primeira nem vai ser a última vez que há problemas de medicamentos”, afirmou a coordenadora do Departamento de DST-Aids e Hepatites Virais, Mariangela Simão. Além da falta do combinado, pacientes reclamam da dificuldade na obtenção de 3TC e do medicamento abacavir. Ontem, foram feitas no País manifestações protestando contra o problema de desabastecimento.

Mariangela afirma que o abacavir chegou ao País e deverá estar disponível nos Estados na próxima semana. “Até vulcão colaborou para atraso. Mas agora tudo está resolvido”, disse o ministro José Gomes Temporão.

Mariangela afirmou que, diante da falta do lamivudina/zidovudina, foi feita uma reprogramação na produção. Furp e Funed - laboratório oficial de Minas - receberam a encomenda de produzirem mais 25 milhões do medicamento combinado.

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